Preços Agropecuários: variação nula na segunda quadrissemana de março

            Na segunda quadrissemana de março de 2009, o Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 fechou com variação nula quando comparados com a segunda quadrissemana de fevereiro. O índice dos produtos de origem vegetal (IqPR-V) registrou alta de apenas 0,06%, enquanto que o índice dos produtos de origem animal (IqPR-A) apresentou variação negativa de -0,16% (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana de Fevereiro de 2009.

São Paulo
São Paulo s/cana
IqPR
0,00
-1,93
IqPR-V
0,06 
-3,62 
IqPR-A
-0,16 
Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, a variação do IqPR fica negativa em -1,93%, e o IqPR-V (produtos vegetais) cai ainda mais e fecha em -3,62% (Tabela 1).

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana de Março de 2009.

Origem
Produto
Cotações (R$)
Variação

(%)

2ª Fevereiro
2ª Março
VEGETAL
Amendoim 
21,22 
20,73 
-2,34
Arroz 
43,74 
43,00 
-1,69
Banana nanica 
6,86 
6,08 
-11,29
Café 
257,08 
255,06 
-0,78
Cana-de-açúcar
264,91 
272,25 
2,77
Feijão 
116,38 
67,29 
-42,18
Laranja p/ Indústria 
7,98 
7,83 
-1,89
Laranja p/ Mesa
10,03 
10,66 
6,23
Milho 
19,98 
17,85 
-10,63
Soja 
45,83 
43,77 
-4,49
Tomate p/ Mesa 
19,00 
19,66 
3,48
Trigo 
28,02 
29,29 
4,53
ANIMAL
Carne Bovina 
80,41 
78,58 
-2,28
Carne de Frango 
1,77 
1,75 
-0,94
Carne Suína 
42,36 
39,94 
-5,70
Leite B 
0,73 
0,72 
-1,77
Leite C 
0,64 
0,63 
-1,44
Ovos 
39,63 
45,24 
14,18
Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            Os produtos do IqPR que registraram altas nesta quadrissemana foram: ovos (14,18%), laranja para mesa (6,23%), trigo (4,53%), tomate para mesa (3,48%) e a cana-de-açúcar (2,77%) (Tabela 2).

            A alta do preço dos ovos é decorrente da tendência de aumento de consumo, em virtude do início do ano escolar e do período de quaresma. Para a laranja de mesa o maior consumo de suco no verão associado à escassez relativa de produto nesta época do ano impulsionou os preços para cima.

            Na cana-de-açúcar o impacto mais importante consiste no repasse para os preços da desvalorização cambial, o que ocorre de forma lenta. A elevada volatilidade do câmbio face aos desdobramentos da crise mundial deve ser administrada pela cadeia, que não pode aplicar grandes variações de preços até pela dimensão e extensão da safra. O início da safra 2009-2010 se dá na mesma perspectiva da anterior, sendo a variação cambial à novidade.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços na segunda quadrissemana de março foram: feijão (42,18%), banana (11,29%), milho (10,63%), carne suína (5,70%) e soja (4,49%) (Tabela 2).

            Para o feijão, o recuo dos preços decorre de que, após a safra paranaense ter se normalizado e a quebra absorvida pelo mercado, as colheitas das novas regiões nesta época do ano (como Santa Catarina), estão dentro de padrões normais, com tempo bom favorecendo o trabalho. A relativa sobra de oferta implica em queda dos preços recebidos pelos produtores. Há também início do impacto do desemprego urbano. De qualquer maneira, a queda dos preços compromete a renda dos produtores, que por não terem produto não fizeram caixa no período de alta do ano passado. Os reflexos em termos de formação de expectativas ruins para as próximas safras podem também prejudicar os consumidores. A gangorra de preços do feijão nos dois últimos anos não interessa nem aos produtores nem aos consumidores, e refletem a omissão governamental em períodos cruciais notadamente de comercialização desse produto essencial.

            No caso da banana, a variação negativa no período reflete a boa oferta do produto em virtude das condições climáticas favoráveis para a produção, associada à oferta de frutas concorrentes. Já na carne suína as quedas das exportações refletem num aumento expressivo da oferta interna, mercado no qual concorre com a carne bovina e de frango mais baratas.

            Nos dois principais grãos, soja e milho, as dificuldades do crédito internacional para alavancar a exportações e a premência da venda da safra em curso pela reduzida capacidade de armazenagem, fatores associados à pressão dos compromissos que estão vencendo numa safra custeada com recursos escassos e alto custo do dinheiro, acabam por produzir ambiente de negócios que reduzindo a margem de manobra dos produtores-vendedores.

Figura 1 - Evolução dos índices quadrissemanais de preços agropecuários, 1ªquadrissemana de agosto de 2008 à 2ªquadrissemana de março de 2009.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola.

            Nesta quadrissemana os índices quadrissemanais de preços, os índices (IqPR, IqPR-V e o IqPR-A) recuaram perto de 2,4 pontos percentuais em comparação com os índices da segunda quadrissemana de fevereiro, pressionados principalmente pelas quedas nas cotações de preços do feijão, milho e carne bovina. Essa queda só não foi maior devido à alta nas cotações da cana-de-açúcar que no período cresceu 2,77%. (Figura 1).

            No período analisado, 5 produtos apresentaram alta de preços (4 de origem vegetal e 1 de origem animal) e 13 apresentaram queda (8 de origem vegetal e 5 produtos de origem animal).
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¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência 15/02/2009 a 15/03/2009 e base =16/01/2009 a 14/02/2009.

²Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573>

Data de Publicação: 23/03/2009

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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