Preços Agropecuários: alta de 2,91% na primeira quadrissemana de junho

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou a primeira quadrissemana de Junho de 2009 em alta de 2,91%. Os índices dos produtos de origem vegetal (IqPR-V) e de produtos de origem animal (IqPR-A) fecharam com variação positiva de 3,23% e 2,11%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana de Junho de 2009.

São Paulo
São Paulo s/cana
IqPR
2,91 % 
2,11 % 
IqPR-V
3,23 % 
2,11 % 
IqPR-A
2,11 % 
Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, os índices do IqPR e o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) caem um pouco e ambos fecham, positivamente, em 2,11% (Tabela 1).

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana de Junho de 2009.

Origem
Produto
Cotações (R$)
Variação mensal (%)
1ª Maio/09
1ª Junho/09
VEGETAL
VEGETAL
Algodão
38,25
41,19
7,69
Amendoim
17,92
16,14
-9,92
Arroz
38,33
37,75
-1,51
Banana nanica
9,64
8,82
-8,47
Café
248,83
251,48
1,06
Cana-de-açúcar 
283,64
295,11
4,04
Feijão
66,42
77,11
16,09
Laranja p/ Mesa 
11,30
11,90
5,39
Milho
17,34
18,76
8,19
Soja
44,73
47,06
5,21
Tomate p/ Mesa
25,57
21,42
-16,26
Trigo
31,00
31,00
0,00
ANIMAL
Carne Bovina
77,73
78,33
0,77
Carne de Frango
1,57
1,68
6,92
Carne Suína
46,18
39,53
-14,40
Leite B
0,73
0,76
3,87
Leite C
0,64
0,70
8,66
Ovos
43,28
43,81
1,22

            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: feijão (16,09%), leite tipo C (8,66%), milho (8,19%), algodão (7,69%), carne de frango (6,92%) e laranja de mesa (5,39%) (Tabela 2).

            Em relação ao feijão, a estiagem na região Sul do Brasil provocou redução na safra anunciada em mais de 16% e os preços reagiram com maior intensidade. Entretanto, mostra-se fundamental atentar que ainda estão bastante menores aos verificados no mesmo período de 2008. Logo, tem-se ainda um processo de recuperação da rentabilidade dessa lavoura. Entretanto, como o atual patamar de preços se mostra pouco atrativo para plantios irrigados de inverno, a curva de preços deve ser ascendente por mais tempo.

            As altas nas cotações dos leites (principalmente o tipo C) são em virtude da diminuição da oferta do produto, já que as pastagens estão com baixa qualidade pela falta de chuva em algumas regiões (Centro Sul) e pelo excesso em outras (Norte-Nordeste). Segundo os laticínios, a redução da oferta levou a produzirem leite UHT pagando 'preços cota' dado a não existência de leite excedente (o qual é pago) 'preços extra-cota' que são menores. Em função disso se notam elevados aumentos no varejo do leite UHT ('caixinha’) quando o leite pasteurizado ('saquinho') e o leite em pó não apresentaram um aumento tão expressivo.

            Em relação ao milho, houve recuo da situação vivida em 2008, quando as exportações brasileiras do produto foram relevantes. A queda dos preços internacionais vem sendo compensada pela retomada do consumo interno, pressionado pela quebra da safra de verão. Mas tendo partido de patamares muito baixos têm-se nos aumentos recentes um processo de acomodação rumo à normalidade dos preços internos.

            A retração da produção de carne de frango pelos produtores, fez diminuir a oferta do produto no mercado, motivando assim o aumento nas cotações no período, também pressionadas, do lado dos custos, pelas elevações dos preços da soja e do milho.

            A produção de soja na América do Sul cairá de 116 para 95 milhões de toneladas (a Argentina enfrenta sua pior estiagem em 70 anos), afetando os estoques e preços internacionais, reforçados pela persistente demanda chinesa, país em que os derivados de soja formam a alimentação de primeira necessidade. Em função disso, ainda que com o câmbio em valorização desde o início de 2009, os preços recebidos pelos produtores paulistas apresentam crescimento.

            Os preços do açúcar, em Londres, subiram 15% (devido a quebra de safra em grandes produtores mundiais) de abril ao início de junho, quando começaram a declinar, afetando os preços da cana em São Paulo, que continuaram em alta mas em ritmo decrescente face ao início da nova escalada de valorização cambial.

            Os produtos que apresentaram queda de preços na primeira quadrissemana de junho foram: tomate (16,26%), carne suína (14,40%), amendoim (9,92%), banana (8,47%) e arroz (1,51%) (Tabela 2).

            Para o tomate, a maior disponibilidade do produto no mercado fez com que sua cotação recuasse.

            Para a carne suína, a queda das cotações está associada à redução do consumo, provavelmente pelas noticias da gripe A (H1N1), chamada erroneamente de gripe suína (os meios de comunicação continuam a utilizar o termo, apesar dos esclarecimentos das autoridades).

            A queda de preços do amendoim é bastante atípica em relação ao seu padrão de variação estacional. As festas juninas caracterizam o pico de demanda e devem refletir no aumento de preços do produto.

            A banana, que é mais consumida nas épocas do ano caracterizadas pelas temperaturas amenas (outono e primavera) tem sua demanda reduzida com a queda da temperatura, acarretando menor cotação no mercado.

Figura 1 - Evolução dos índices quadrissemanais de preços agropecuários, 1ª quadrissemana de novembro de 2008 à 1ª quadrissemana de junho de 2009. 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            O comportamento da evolução dos índices quadrissemanais de preços mostra um recuo em relação à quadrissemana anterior de 0,5 ponto percentual para o IqPR e de 1,6 ponto percentual para o IqPR-V (produtos vegetais), quebrando assim a tendência de alta iniciada em meados de abril. Já o IqPR-A (produtos de origem animal), a tendência de alta continua, porém agora com maior intensidade em relação a última quadrissemana, ficando 2,2 pontos percentuais acima.

            No período analisado, 12 produtos apresentaram alta de preços (7 de origem vegetal e 5 de origem animal), 5 apresentaram queda (4 de origem vegetal e 1 produtos de origem animal) e apenas 1 produto (trigo) permaneceu inalterado.

_____________________
1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 09/05/2009 a 08/06/2009 e base = 09/04/2009 a 08/04/2009.

2Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573 

Data de Publicação: 15/06/2009

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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