Preços agropecuários encerram mês de Junho com alta de 0,56%

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou o mês de Junho de 2009 em alta de 0,56%. O índice dos produtos de origem vegetal (IqPR-V) fechou com variação negativa de 2,15%, enquanto que o índice dos produtos de origem animal (IqPR-A) terminou o mês com variação positiva de 7,28% (Tabela 1).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, os índices tem altas significativas, o IqPR sobe para 3,15% e o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) fecha com variação negativa de apenas 0,77% (Tabela 1).

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Junho de 2009 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.
Índice Acumulado
São Paulo
São Paulo - sem cana
Variação Junho/09
Acumulado nos últimos 12 meses
Variação Junho/09
Acumulado nos últimos 12 meses
IqPR
0,56 % 
2,44 %
3,15 %
– 5,72 %
IqPR-V
– 2,15 % 
5,01 %
– 0,77 %
– 7,67 %
IqPR-A
7,28 % 
– 4,32 %
?
?
Fonte: Instituto de Economia Agrícola


            Para o acumulado dos últimos 12 meses, os resultados dos índices mostram variações positivas para o IqPR em 2,44%, e para o IqPR-V em 5,01%, já o IqPR-A (origem animal) a variação acumulada ficou negativa em 4,32%. Desconsiderando a cana-de-açúcar do cálculo do índice, os resultados acumulados apresentam quedas significativas e terminam o período com variações negativas: IqPR em 5,72% e IqPR-V em 7,67% (Tabela 1).
Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Junho de 2009.


            Os produtos do IqPR que registraram altas no mês de Junho, em comparação com o mês anterior, foram: tomate para mesa (37,24%), carne suína (21,48%), carne de frango (16,88%), leite tipo C (10,50%) e feijão (6,17%) (Tabela 2).

Para o tomate de mesa, a produção foi prejudica pelo clima (baixas temperaturas), o que reduziu sua oferta, elevando sua cotação.

            A carne suína inverteu a tendência de queda e apresentou forte alta, acompanhando o mercado de produtos de origem animal. Esse ajuste decorre da reabertura de alguns mercados no exterior e da superação das desconfianças do consumidor interno, face à recente epidemia mundial de gripe.

            A retração da produção de carne de frango pelos produtores, fez diminuir a oferta do produto no mercado, motivando assim o aumento nas cotações no período, também pressionadas, do lado dos custos, pelas elevações dos preços da soja e do milho.

            As altas nas cotações dos leites (principalmente o tipo C) são em virtude da diminuição da oferta do produto, já que as pastagens estão com baixa qualidade pela falta de chuva, típica do período. Esta tendência de alta deve persistir ainda por vários períodos até o final do período entressafra, entretanto o que não se pode precisar é a magnitude deste aumento.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços no mês de Junho foram: laranja para mesa (13,01%), banana nanica (8,31%), arroz (5,44%), amendoim (5,13%) e cana-de-açúcar (3,16%) (Tabela 2).

            Para a laranja de mesa o que vem contribuindo para a queda das cotações é o efeito safra, associado ao tradicional menor consumo de sucos caseiros nos meses de inverno.

            No caso da banana nanica a colheita nas regiões produtoras (em outros estados) elevou a oferta da fruta no Estado, além da redução da demanda com a queda da temperatura, acarretando menor cotação no mercado.

            A queda de preços do amendoim é bastante atípica em relação ao seu padrão de variação estacional, ainda mais se considerar que ocorreu queda da produção na safra da seca. As festas juninas caracterizam o pico de demanda e deveriam refletir no aumento de preços do produto.

            Em Junho, dos produtos analisados, 10 apresentaram alta de preços (4 de origem vegetal e todos os 6 de origem animal) e 8 apresentaram queda (todos de origem vegetal).

            Com a alta de preços em todos os produtos de origem animal há uma tendência de alta na inflação geral, no item alimentação.

            Na comparação dos preços de Junho de 2009 com o mesmo período do ano anterior, somente 4 produtos tiveram variações positivas e 14 variações negativas. As principais altas registradas no período foram: cana de açúcar (14,40%) e carne de frango (5,71%). Já as maiores quedas (variações negativas) foram verificadas nas cotações do amendoim (55,39%), feijão (39,62%), tomate (33,37%), trigo (31,35%), banana (26,70%), carne suína (19,84%) e milho (17,33%) (Tabela 2).
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1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/06/2009 a 30/06/2009 e base = 01/05/2009 a 31/05/2009.

2Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573


 

Data de Publicação: 06/07/2009

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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