Preços Agropecuários: queda de 0,94% na primeira quadrissemana de julho

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou a primeira quadrissemana de Julho de 2009 em queda de 0,94%. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) registrou variação negativa de 3,52%, enquanto que o IqPR-A (produtos de origem animal) teve alta de 5,45% no período (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana de Julho de 2009.

São Paulo
São Paulo s/cana
IqPR
-0,94 % 
0,38 % 
IqPR-V
-3,52 % 
-4,44 % 
IqPR-A
5,45 % 
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, o IqPR fecha com variação positiva de 0,38% e o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) cai um pouco mais e fecha, negativamente, em 4,44% (Tabela 1).

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana - Julho de 2009.

Origem
Produto
Unidade
Cotações (R$)
Variação mensal (%)
1ª Junho/09
1ª Julho/09
VEGETAL
VEGETAL
Algodão  15 kg
41,19
40,18
-2,47
Amendoim  sc.25 kg
16,14
16,58
2,75
Arroz  sc.60 kg
37,75
34,95
-7,43
Banana nanica  cx.21 kg
8,82
8,25
-6,53
Batata  sc.60 kg
54,17
48,03
-11,34
Café  sc.60 kg
251,48
241,05
-4,15
Cana-de-açúcar  t de ATR
295,11
286,72
-2,84
Feijão  sc.60 kg
77,11
90,00
16,72
Laranja p/ Mesa  cx.40,8 kg
11,90
9,57
-19,64
Milho  sc.60 kg
18,76
18,27
-2,60
Soja  sc.60 kg
47,06
46,75
-0,66
Tomate p/ Mesa  cx.22 kg
21,42
22,84
6,63
Trigo  sc.60 kg
31,00
30,31
-2,24
ANIMAL
Carne Bovina  15 kg
78,33
79,39
1,36
Carne de Frango  Kg
1,68
1,90
13,03
Carne Suína  15 kg
39,53
48,89
23,69
Leite B  litro
0,76
0,80
5,78
Leite C  litro
0,70
0,75
8,35
Ovos  30 dz
43,81
43,65
-0,36

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: carne suína (23,69%), feijão (16,72%), carne de frango (13,03%), leite tipo C (8,35%) e tomate (6,63%) ( Tabela 2).

            A carne suína apresentou forte alta, acompanhando o mercado de produtos de origem animal. Esse aumento de preço decorre da reabertura de alguns mercados no exterior e da superação das desconfianças do consumidor interno, face à recente epidemia mundial de gripe.

            No caso do feijão, cujos preços vinham se recuperando a várias quadrissemanas, trata-se do reflexo da persistência de preços muito baixos desde o início de 2009. Como o abastecimento do mercado interno se dá pela sucessão de safras complementares, praticadas em diversas e diferentes regiões brasileiras, o preço baixo que sequer remunerava os custos de produção levaram a plantio reduzido, em especial dos produtores mais modernos, com o que houve redução da oferta. Conquanto nesta quadrissemana o preço de R$ 90,00 por saca de 60 kg possa ser considerado no patamar de normalidade, em termos de rentabilidade, as perspectiva é de continuidade da alta. Assim, o consumidor que estava sendo beneficiado por preços muito baixos do produto vai acabar pagando preços cada vez maiores. Ressalte-se que quando tinha produto o produtor não tinha preço e agora tem preço e não tem o produto, ou seja, sua renda bruta se mostra menor em qualquer das circunstâncias.

            A retração da produção de carne de frango pelos produtores, fez diminuir a oferta do produto no mercado, motivando assim o aumento nas cotações no período, também pressionadas, do lado dos custos, pelas elevações dos preços da soja e do milho nos períodos anteriores.

            As altas nas cotações dos leites (principalmente o tipo C) são em virtude da diminuição da oferta do produto, já que as pastagens estão com baixa qualidade pela falta de chuva, típica do período. Esta tendência de alta deve persistir ainda por várias semanas até o final do período de entressafra, entretanto o que não se pode precisar é a magnitude deste aumento.

            Para o tomate de mesa, a produção foi prejudica pelo clima (baixas temperaturas), o que reduziu sua oferta, elevando sua cotação.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços na primeira quadrissemana de julho foram: laranja para mesa (19,64%), batata (11,34%), arroz (7,43%), banana (6,53%) e café (4,15%) (Tabela 2).

            Para a laranja de mesa o que vem contribuindo para a queda das cotações é o efeito safra, associado ao tradicional menor consumo de sucos caseiros nos meses de inverno.

            A queda nas cotações da batata reflete a boa oferta do produto oriundo das diversas regiões que abastecem o mercado paulista, onde já está no seu final a colheita da safra das secas.

            No arroz, a queda dos preços reflete a entrada do produto gaúcho. As perspectivas para os meses seguintes dependem do ritmo da evolução do consumo, uma vez que se mantida a tendência de crise de emprego afetando a demanda, os estoques públicos e privados funcionarão neste caso como pressão para queda de preços.

            No caso da banana nanica a colheita nas regiões produtoras (em outros estados) elevou a oferta da fruta no Estado, além da redução da demanda com a queda da temperatura, acarretando menor cotação no mercado.

Figura 1 - Evolução dos índices quadrissemanais de preços agropecuários, 1ª quadrissemana de dezembro de 2008 à 1ª quadrissemana de julho de 2009. 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            O comportamento da evolução dos índices quadrissemanais de preços recuaram, significativamente, em relação à quadrissemana anterior: o IqPR recuou 1,5 ponto percentual, o IqPR-V foi de 1,4 ponto percentual e o IqPR-A (apesar de positivo) perdeu 1,8 ponto percentual. Estes recuos se devem, em grande parte, às variações negativas registradas nos produtos de origem vegetal, principalmente a cotação da cana-de-açúcar. Para os produtos de origem animal, apesar de quase na totalidade dos produtos apresentarem variações positivas, elas foram menores do que as variações verificadas no mês de junho de 2009 (com exceção da carne suína), quebrando a tendência de crescimento.

            No período analisado, 8 produtos apresentaram alta de preços (3 de origem vegetal e 5 de animal), e 11 apresentaram queda (10 de origem vegetal e apenas 1 de origem animal).

_____________________________
1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 09/06/2009 a 08/07/2009 e base = 09/05/2009 a 08/06/2009.

2Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 15/07/2009

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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