Preços Agropecuários: alta de 1,74% na terceira quadrissemana de agosto

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou a terceira quadrissemana de Agosto de 2009 com variação positiva de 1,74%. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) registrou alta de 4,38% e o IqPR-A (produtos de origem animal) queda de 4,81% no período (Tabela 1).
 
Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 3ª Quadrissemana de Agosto de 2009.
São Paulo
São Paulo s/cana
IqPR
1,74% 
2,58% 
IqPR-V
4,38% 
9,62% 
IqPR-A
-4,81% 
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, o IqPR registra variação positiva de 2,58%, e o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) tem expressiva alta e fecha positivamente em 9,62% (Tabela 1).

 

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 3ª Quadrissemana - Agosto de 2009.
Origem
Produto
Unidade
Cotações (R$)
Variação quadrissemanal (%)
3ª Julho/09
3ª Agosto/09
VEGETAL
Algodão 15 kg 
39,63
39,05
-1,46
Amendoim sc.25 kg
18,08
19,48
7,70
Arroz sc.60 kg
34,88
36,45
4,52
Banana nanica cx.21 kg
8,08
11,58
43,40
Batata sc.60 kg
44,72
40,62
-9,16
Café sc.60 kg
236,30
240,29
1,69
Cana-de-açúcar  t de ATR
284,20
285,73
0,54
Feijão sc.60 kg
87,00
75,60
-13,11
Laranja p/ Indústria cx.40,8 kg
4,00
5,85
46,32
Laranja p/ Mesa  cx.40,8 kg
8,13
6,44
-20,86
Milho sc.60 kg
17,77
16,37
-7,88
Soja sc.60 kg
45,71
44,67
-2,28
Tomate p/ Mesa cx.22 kg
19,15
33,14
73,07
Trigo sc.60 kg
30,24
30,07
-0,57
ANIMAL
Carne Bovina 15 kg 
79,10
78,22
-1,11
Carne de Frango Kg 
1,88
1,60
-15,02
Carne Suína 15 kg 
42,92
39,60
-7,75
Leite B Litro
0,81
0,86
5,57
Leite C Litro
0,77
0,81
5,32
Ovos 30 dz
40,91
35,69
-12,76

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: tomate para mesa (73,07%), laranja para indústria (46,32%), banana nanica (43,40%), amendoim (7,70%) e os leites tipo B (5,57) e tipo C (5,32%) (Tabela 2).

            Entretanto, dado o peso da cana-de-açúcar na composição do índice, há que ressaltar o aumento dos preços dessa matéria prima que ocorre em função das cotações do açúcar no mercado internacional.

            Nos demais produtos em alguns há efeitos sazonais e conjunturais e noutros estruturais.

            Nos conjunturais têm o caso do tomate para mesa, o clima da última quinzena de julho (frio e chuvoso) prejudicou a produção reduzindo a oferta do produto, acarretando o aumento das cotações. Também se insere nesse contexto a banana nanica, uma vez que nos dias iniciais de agosto, o clima característico de baixa umidade relativa do ar e temperaturas altas aparentemente estimularam os preços. Por outro lado, as frutas produzidas no inverno apresentam tamanho e peso menores, configurando menor produtividade e menor oferta.

            No caso do amendoim, após os baixos preços terem levado a menor ímpeto no plantio nas áreas de renovação de canaviais que se realizada numa única colheita anual nas condições paulistas, inicia-se processo de recuperação dos preços que estimulam plantios nos novos espaços da cana em renovação neste ano safra.

            Exemplo típico de desajuste estrutural agravado com a queda da demanda de suco de laranja tanto no plano internacional como interno têm-se o caso da laranja para indústria que apresentou a segunda maior alta, o que está refletido no comportamento dos preços é o fato de que até o momento prevalecia a variedade Hamlin e, agora, passou-se a predominar a variedade Pêra do Rio, que dada a qualidade e produtividade do suco, tem preços maiores. Ressalte-se que para os citricultores sem contrato há enormes dificuldades de entrega na usina, a qualquer preço.

            Este último fato impacta diretamente o mercado de laranja de mesa que apresentou a maior queda de preços. Por certo vem contribuindo para isso o tradicional menor consumo de sucos nos meses de inverno. Mas nada se compara aos impactos da entrada de uma parte da laranja para indústria destinada para o consumidor, uma vez que as agroindústrias processadoras ajustaram sua produção ao patamar de demanda internacional, o que as levou a maior rigidez no cumprimento dos contratos que mantinha com citricultores e a reduzir de forma importante aquisições no denominado mercado 'spot' (livre). Desse modo para os sem contrato não há acesso a preços remuneradores.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços na terceira quadrissemana de agosto foram: laranja para mesa (20,86%), carne de frango (15,02%), feijão (13,11%), ovos (12,76%) e batata (9,16%) (Tabela 2).

            A decisão de alguns Estados de adiarem a volta às aulas por causa da gripe A gerou um efeito inesperado sobre o mercado de carnes. Os preços das carnes (frango, suína e bovina) e de ovos, que normalmente sobem nesta época do ano com o retorno às aulas após as férias, estão em queda.

            No feijão, além da pressão menor do consumo, há a entrada pontual da colheita dos primeiros plantios após a safra das secas. A questão de consumo reflete, em grande parte, o postergamento do retorno às aulas comprometendo as aquisições institucionais para merenda escolar. Similar situação tem-se no caso da batata, também relevante na cesta da merenda escolar, além de que há maior oferta nesse período do ano.
 
 

Figura 1 - Evolução dos índices quadrissemanais de preços agropecuários, 1ª quadrissemana de janeiro de 2009 à 3ª quadrissemana de agosto de 2009. 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            O comportamento da evolução dos índices quadrissemanais de preços desta quadrissemana, confirmam a recuperação de alta verificada na primeira quadrissemana de agosto para o IqPR e o IqPR-V que subiram 1,9 e 2,7 pontos percentuais, respectivamente em relação a quadrissemana anterior. Já o IqPR-A (produtos de origem animal) ainda que negativo, teve uma ligeira recuperação de 0,2 ponto percentual, quebrando o ritmo de queda iniciado em julho (Figura 1).

            No período analisado, 9 produtos apresentaram alta de preços (7 de origem vegetal e 2 de animal) e 11 apresentaram queda (7 de origem vegetal e 4 de origem animal).
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1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 24/07/2009 a 23/08/2009 e base = 24/06/2009 a 23/07/2009.

2Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573>


  
 

Data de Publicação: 27/08/2009

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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