Preços agropecuários encerram mês de fevereiro com alta de 10,26%

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou o mês de Fevereiro de 2010 com variação positiva de 10,26%. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) e o IqPR-A (produtos de origem animal) fecharam com variação positiva de 13,24% e de 2,85%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista,Fevereiro de 2010 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.

Índice Acumulado
São Paulo
São Paulo - sem cana
Variação Fevereiro/10
Acumulada 

12 meses

Variação Fevereiro/10
Acumulada 

12 meses

IqPR
10,26% 
21,33%
14,90% 
17,83%
IqPR-V
13,24% 
32,71%
26,36% 
40,61%
IqPR-A
2,85% 
-4,18%
?
?

Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, tanto o IqPR quanto o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) sobem e encerram o mês em 14,90% e 26,36%, respectivamente, isto ocorre porque apesar do preço da cana continuar subindo, sua variação foi bem menor daquela de outros produtos vegetais, principalmente das laranjas e do tomate. (Tabela 2).

            Para a variação acumulada nos últimos 12 meses, os resultados registraram variações positivas para o IqPR de 21,33% e para o IqPR-V (vegetais) de 31,71%, já o IqPR-A (animais) terminou o período com variação negativa de 4,18%. Isso implica com certeza que os preços agropecuários subiram mais que a inflação oficial mensurada pelo IPCA calculado pelo IBGE, isso dada à significativa alta dos preços vegetais, puxados pelas laranjas, tomate e cana, ainda que os preços animais tenham recuado.

            Esse comportamento antagônico reflete de forma mais decisiva os impactos internos dos movimentos do mercado internacional com elevação dos preços do açúcar. Isso refletiu na cana produzida em São Paulo e nos preços internos mais elevados do álcool que estão mais de 40% superiores na bomba dos postos de gasolina e menores exportações de carne bovina.

            Na comparação entre fevereiro de 2010 com fevereiro de 2009, ainda que a análise dos preços agropecuários, em geral revele aumentos maiores que a inflação média, chama a atenção que mesmo nos produtos vegetais, aqueles que formam a alimentação básica tiveram queda – arroz com queda de 11,49% e feijão com expressiva diminuição de 36,06% (Tabela 2).

            No café da manhã há certo equilíbrio dado que, se o café (+1,09%) com leite (+8,47% para o tipo C) ficou mais caros, o trigo para o pãozinho ficou 13,11% mais barato. Nas misturas, tanto o ovo (-12,22%) como as principais carnes ficaram mais baratos (-7,62% para carne bovina e -9,33% para a carne de frango) (Tabela 2). Assim, os preços agropecuários estão menores para os principais produtos que chegam à mesa do consumidor.

            A laranja de mesa e o tomate para mesa pesaram consideravelmente com aumentos de 83,19% e 73,85% nos últimos 12 meses, com motivos distintos. A laranja de mesa apenas agora em fevereiro de 2010 ultrapassa os níveis médios do custo de produção em plena entressafra, além da pressão da demanda por sucos naturais. Tanto assim que a laranja para indústria conquanto tenha experimentado expressivo aumento em fevereiro (+34,25%), em termos dos últimos 12 meses os percentuais de incremento foi muito menor (+17,62%), postando-se na média abaixo dos custos de produção.

            Os preços dos produtos que compõem a ração animal (soja e milho) foram menores nos últimos 12 meses, como reflexo do mercado internacional

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Fevereiro/2010.

Origem
Produto
Unidade
Cotações (R$)
Variação mensal (%)
Variação Fev/09-Fev/10 (%)
Janeiro 2010
Fevereiro 2010
VEGETAL
Algodão
15 kg
45,53
48,11
5,68 
?
Amendoim
sc.25 kg
22,09
24,34
10,21 
12,76
Arroz
sc.60 kg
38,83
38,37
- 1,19 
-11,49
Banana nanica
cx.21 kg
6,45
7,12
10,29 
11,90
Café
sc.60 kg
260,06
261,71
0,63 
1,09
Cana-de-açúcar 
t de ATR
326,24
338,00
3,60 
25,60
Feijão
sc.60 kg
50,00
58,75
17,50 
-36,06
Laranja p/ indústria
cx.40,8 kg kg
7,36
9,88
34,25 
17,62
Laranja p/ Mesa 
cx.40,8 kg
9,89
19,13
93,42 
83,19
Milho
sc.60 kg
16,19
14,85
- 8,30 
-21,85
Soja
sc.60 kg
38,91
34,10
- 12,34 
-25,72
Tomate p/ Mesa
cx.22 kg
13,31
23,37
75,62 
73,85
Trigo
sc.60 kg
25,00
24,76
- 0,94 
-13,11
ANIMAL
Carne Bovina
15 kg
73,83
74,06
0,32 
-7,62
Carne de Frango
Kg
1,58
1,63
3,45 
-9,33
Carne Suína
15 kg
49,54
46,85
- 5,43 
17,54
Leite B
Litro
0,73
0,74
1,89 
1,58
Leite C
Litro
0,67
0,69
3,05 
8,47
Ovos
30 dz
31,86
37,11
16,47 
-12,22

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Em fevereiro os produtos do IqPR que registraram maiores altas, em comparação com o mês anterior, foram: laranja para mesa (93,42%), tomate para mesa (75,62%), laranja para indústria (34,25%), feijão (17,50%), ovos (16,47%) e banana (10,29%).

            Para a laranja de mesa, a ocorrência da entrada do verão elevando o consumo de sucos, associada às chuvas em grande intensidade no segundo semestre de 2009 prejudicaram as floradas, causando uma diminuição da oferta nesse início de ano que impactou as cotações, recuperando-as. Além de que em fevereiro, com o findar da safra, a oferta desta fruta reduz-se de forma significativa, afetando os preços com pressões para alta. Esse fato está refletido também nas cotações da laranja para indústria e associado à recuperação dos preços do suco de laranja nos principais mercados das nações capitalistas desenvolvidas, provocada pelas intensas geadas que atingiram a citricultura norte-americana concentrada na Flórida.

            O tomate para mesa continua o movimento de alta nos preços, devido às fortes chuvas, que tem impedido uma regularidade mínima da oferta do produto. Mas como produto perecível, o tomate tem um efeito pontual elevado, podendo reverter essa situação de alta seja pela entrada de novas colheitas ou pelo efeito substituição mais decisivo, em especial com a entrada de alternativas de salada como o alface, que também foi duramente afetado pelas chuvas, mas que tem ciclo mais curto.

            No feijão, que reverte tendência de queda, a estiagem por alguns dias melhorou a qualidade do produto elevando as médias dos preços recebidos pelos produtores, além do que o desestímulo do plantio começa a refletir-se na oferta do produto. Ressalte-se que face aos preços não remuneradores que ocorreram nos últimos meses, trata-se neste caso da recuperação que ainda coloca as cotações abaixo dos custos de produção. No prazo de alguns meses, a questão agora colocada consiste em quanto os preços muito baixos da colheita das águas afetou o ânimo e as expectativas dos produtores perante o plantio das secas em curso em São Paulo e todo sudeste brasileiro.

            No caso dos ovos, a redução do alojamento de matrizes verificada no final do ano de 2009 levou à diminuição da oferta de ovos. Associado a esse contexto, cabe destacar a natural ascensão das cotações nessa época do ano, período da quaresma, dos ovos em substituição às carnes.

            Os produtos que apresentaram quedas de preços no período foram: soja (12,34%), milho (8,30%) carne suína (5,43%), arroz (1,19%) e trigo (0,94%) (Tabela 2).

            Para a soja, depois de anunciada safra recorde com crescimento de 30% associada ao início da colheita, as cotações do produto recuaram, além das mudanças na economia chinesa que prognosticam menores aquisições desse produto por esse país asiático. Essa tendência dos preços internacionais e os custos do frete podem ampliar as dificuldades econômicas dos produtores das áreas mais distantes da fronteira agropecuária, gerando remuneração líquida abaixo dos custos de produção.

            Para o milho, a entrada da safra numa situação em que não foram retomadas as exportações brasileiras comparando com a realidade anterior à crise internacional, pressiona os preços para baixo. Esse patamar de preços coloca os produtores de milho numa situação de elevada dificuldade, pois estão muito abaixo dos custos médios de produção.

            Na carne suína o ajuste dos preços para baixo consiste numa tendência inversa do milho, uma vez que os preços desse produto animal estão mais remuneradores que no mesmo período do ano passado e, com isso não estão suscitando as mesmas pressões de custo.

            Neste mês, 14 produtos apresentaram alta de preços (9 de origem vegetal e 5 de animal) e 5 apresentaram queda (4 de origem vegetal e 1 de origem animal).

_______________________________
1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/02/2010 a 28/02/2010 e base = 01/01/2010 a 31/01/2009.

2Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 05/03/2010

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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