Preços agropecuários encerram mês de Março com alta de 4,45%

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou o mês de Março de 2010 com variação positiva de 4,45%. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) registrou alta de 5,75%, enquanto que o IqPR-A (produtos de origem animal) fechou com variação positiva de 1,57% (Tabela 1).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, tanto o IqPR e o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) apresentam reajustes, terminando o mês positivamente em 5,71% e 9,64%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Março de 2010 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.

Índice Acumulado
São Paulo
São Paulo - sem cana
Variação Março/10
Acumulada 

12 meses

Variação Março/10
Acumulada 

12 meses

IqPR
4,45 % 
26,81 %
5,71 %
26,22 %
IqPR-V
5,75 %
38,87 %
9,64 %
54,43 %
IqPR-A
1,57 %
- 0,15 %
?
?

Fonte: Instituto de Economia Agrícola
 

            Para a variação acumulada nos últimos 12 meses, os resultados registraram variações positivas para o IqPR de 26,81% e para o IqPR-V (vegetais) de 38,87%, já o IqPR-A (animais) terminou o ano com variação negativa de 0,15%.

            Desconsiderando a cana-de-açúcar no cálculo acumulado dos índices, o IqPR fica estável e fecha em 26,22% e o IqPR-V tem expressiva alta e encerra em 54,43% (Tabela 1), puxados pelos preços das laranjas para mesa e industria (97,68% e 28,07%) , banana nanica, feijão e tomate (Tabela 2).
 

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Março/2010.

Origem
Produto
Unidade
Cotações (R$)
Variação mensal (%)
Variação Mar/09-Mar/10 (%)
Fevereiro /10
Março/

10

VEGETAL
Algodão
15 kg
48,11
50,06
4,04
...
Amendoim
sc.25 kg
24,34
25,32
4,01
30,55
Arroz
sc.60 kg
38,37
35,13
-8,45
-18,01
Banana nanica
cx.21 kg
7,12
11,18
57,19
89,28
Batata
sc.60 kg
.......
.........
........
...
Café
sc.60 kg
261,71
258,39
-1,27
1,06
Cana-de-açúcar 
t de ATR
338,00
347,76
2,89
26,75
Feijão
sc.60 kg
58,75
92,50
57,45
36,26
Laranja p/ Indústria
cx.40,8 kg
9,88
9,43
-4,53
28,07
Laranja p/ Mesa 
cx.40,8 kg
19,13
21,58
12,82
97,68
Milho
sc.60 kg
14,85
14,67
-1,19
-15,45
Soja
sc.60 kg
34,10
32,70
-4,12
-24,28
Tomate p/ Mesa
cx.22 kg
23,37
38,58
65,08
40,98
Trigo
sc.60 kg
24,76
23,88
-3,56
-20,21
ANIMAL
Carne Bovina
15 kg
74,06
75,81
2,36
-1,12
Carne de Frango
Kg
1,63
1,53
-6,07
-9,73
Carne Suína
15 kg
46,85
50,87
8,57
28,10
Leite B
Litro
0,74
0,78
5,16
8,76
Leite C
Litro
0,69
0,72
4,23
15,05
Ovos
30 dz
37,11
39,01
5,12
-15,31
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Em março de 2010 os produtos do IqPR que registraram maiores altas em comparação com o mês anterior, foram: tomate para mesa (65,08%), feijão (57,45%), banana nanica (57,19%), laranja para mesa (12,82%) e carne suína (8,57%) (Tabela 2).

            O tomate para mesa continuou o movimento de alta nos preços iniciado em fevereiro. Tendo as colheitas se concentrado majoritariamente até o final de janeiro com o amadurecimento precoce dos tomateiros (o que gerou uma queda acentuada no preço do produto no primeiro mês do ano), adicionado ao aparecimento de doenças causadas pelo excesso de chuvas (que diminuíram a produtividade das lavouras colhidas em fevereiro e março) levou a uma enorme redução da oferta de tomate para mesa no último mês, jogando às alturas os preços recebidos pelos seus produtores.

            O feijão, depois de apresentar preços baixos durante o ano de 2009 e o primeiro bimestre de 2010, obteve recuperação em suas cotações no mês de março. As chuvas (que reduziram a quantidade e qualidade da leguminosa) na primeira safra - das águas (jul. 2009 – out. 2009) - geraram pouco incentivo para o plantio da segunda safra – feijão da seca (dez. 2009 – fev. 2010). Essa oferta diminuta ocasionou esse aumento dos preços recebidos pelos produtores de feijão no mês de março.

            Os preços da banana nanica refletem o resultado das fortes enchentes ocorridas em janeiro e fevereiro no Vale do Ribeira, principal região produtora do estado de São Paulo. Uma redução de oferta acrescida de expansão do consumo peculiar no período de outono (acrescido por se estar na entressafra da banana prata) provocou aumentos acentuados dos preços da banana nanica no mês de março.

            Na laranja de mesa, a ocorrência do verão - elevando o consumo de sucos - associada às chuvas em grande intensidade no segundo semestre de 2009 e início de 2010 prejudicaram as floradas, causando uma diminuição da oferta nesse início de ano que impactou as cotações, recuperando-as. Somado a isso, em fevereiro, com o findar da safra, a oferta desta fruta se reduz de forma significativa, afetando os preços com pressões para alta.

            A carne suína, que apresentava resultados desanimadores devido à crise econômica mundial iniciada em meados de 2008, após a ocorrência da redução dos plantéis de muitos produtores desanimados com os preços durante o ano de 2009, a partir da retomada de contratos internacionais assinados no último mês vê seus preços em ascensão.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços em março de 2010 foram: arroz (8,45%), carne de frango (6,07%), laranja para indústria (4,53%), soja (4,12%) e trigo (3,56%) (Tabela 2).

            O início da safra de arroz no Rio Grande do Sul e em outros estados sulistas e do Centro-Oeste derrubaram as cotações do produto, o que tem freado as negociações entre produtores e o atacado.

            Na carne de frango, a ampla oferta e a queda da remuneração das exportações pela valorização cambial, aliada à oferta de carne bovina barata, impulsionaram os preços para baixo. Por outro lado, os menores preços da carne de frango refletem a redução dos custos de produção derivada da queda de preços de milho e soja.

            Diferente da laranja de mesa, as cotações da laranja para indústria, revertendo um caminhar de alta ininterrupta existente desde a última quadrissemana de janeiro, fecha março em baixa.

            Para a soja, depois de anunciada safra recorde com crescimento de 30% associada ao início da colheita, as cotações do produto recuaram, além das mudanças na economia chinesa que prognosticam menores aquisições desse produto por esse país asiático. Essa tendência dos preços internacionais e os custos do frete podem ampliar as dificuldades econômicas dos produtores das áreas mais distantes da fronteira agropecuária, gerando remuneração líquida abaixo dos custos de produção.

            No caso do milho, a entrada da safra numa situação em que não foram retomadas as exportações brasileiras comparando com a realidade anterior à crise internacional, pressiona os preços para baixo. Esse patamar de preços coloca os produtores de milho numa situação de elevada dificuldade, pois estão muito abaixo dos custos médios de produção. Em algumas regiões do Paraná os produtores encontram dificuldades de estocagem, o que colabora para a baixa dos preços. A queda de preços de soja e milho proporciona a redução dos custos de produção de carnes, principalmente do frango, cujos preços apresentaram queda.

            Importante salientar que preços agropecuários em alta, em plena colheita de safra de grãos, com expectativa vultosa indicam impactos inflacionários futuros, os quais não podem ser amenizados pelo aperto monetário. Ao contrário, essa medida pode ter o efeito perverso de dificultar a verdadeira solução que consiste em buscar maior oferta, que o pela sazonalidade da agropecuária e não será uma resposta de curtíssimo prazo.

            Neste mês, 12 produtos apresentaram alta de preços (7 de origem vegetal e 5 de animal) e 7 apresentaram queda (6 de origem vegetal e 1 de origem animal).

            Apesar dos acentuados aumentos nos preços recebidos pelos produtores paulistas no mês de março os consumidores forem beneficiados com a redução dos preços de varejo, principalmente dos produtos básicos (puxados pelo arroz). A alta nos preços do feijão foi transmitida ao mercado atacadista, mas ainda não havia sido plenamente repassada ao varejo até o fim do mês.

__________________________
1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/03/2010 a 31/03/2010 e base = 01/02/2010 a 28/02/2010.

2Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 05/04/2010

Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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