Preços Agropecuários: alta de 2,57% na segunda quadrissemana de maio

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou alta de 2,57% na segunda quadrissemana de Maio de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) e o IqPR-A (produtos de origem animal) fecharam com variações positivas de 3,49% e de 0,28%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana de Maio de 2010.

 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).


            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, os índices IqPR e IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) apresentaram quedas acentuadas, porém encerraram positivamente com variações de 0,29% e 0,30%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana -Maio de 2010.

                Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: feijão (34,89%), laranja para indústria (21,38%), amendoim (14,41%), cana de açúcar (5,84%) e os leites tipos C e B (5,76% e 5,11% respectivamente) (Tabela 2).

            Os preços recebidos pelos produtores paulistas de feijão continuam na sua escalada de alta. O abastecimento de feijão no Brasil dá-se por safras complementares e seqüenciais durante o ano, que iniciam com a colheita dos plantios das águas catarinenses, paranaenses e depois paulistas. No período de colheita da safra das águas, os preços não estiveram remuneradores e desestimularam (ou atrasaram) os plantios da safra subseqüente (período das secas), em especial em São Paulo e Paraná, gerando escassez que catapultaram os preços. E de imediato, até a colheita da safra da seca em curso e o plantio da safra de inverno, nada indica possibilidade de haver refluxo desta escalada altista.

            No caso da cana-de-açúcar a entrada da safra melhorando a qualidade da matéria prima em termo de açúcar recuperável total (ATR) propiciou o aumento mediato dos preços. Entretanto, ainda não se refletiram nessas cotações os impactos da queda dos preços do açúcar no mercado internacional em função da expectativa de alastramento da crise grega, o que afetou as cotações das principais commodities negociadas em Bolsa, uma vez que parcela relevante desses agentes compradores é constituída por investidores privados em derivativos. Também no mercado interno recuaram os preços do açúcar e do etanol com a entrada da safra, o que permite um melhor ajuste nos fluxos reduzindo custos operacionais e financeiros da estocagem.

            Quanto à laranja para indústria, o aumento dos preços deriva da maior proporção das compras agroindustriais por contratos e pouca aquisição no mercado livre ('spot'). Têm-se sinais inversos nas tendências dos preços recebidos pela laranja para indústria, em relação à laranja de mesa, pois para esta última não vigoram mecanismos de proteção contratual. Lembre-se que, sendo os preços da laranja para mesa 41,1% maiores que os da laranja para indústria, com esse diferencial, selecionando as melhores frutas na esteira das usinas, interessa à agroindústria ocupar espaço no mercado de mesa, impulsionando os preços nesse mercado para baixo. A tendência é de redução dessa diferença de preços entre as laranjas, que no caso da de mesa a maior proporção consiste em fruta 'in natura', da mesma variedade da indústria e destinada à confecção de sucos em bares e restaurantes, além dos caseiros.

            Para o amendoim, a seqüência dos preços mais altos deriva dos impactos da redução de 22,9% da safra nacional e diminuição de quase 25% da área plantada da safra das águas, devido principalmente à menor disponibilidade das áreas de renovação de canaviais. Junto a isso, houve perda significativa dos estoques dado o incêndio que provocou a perda de cerca de 400 mil de sacas na cidade de Herculândia, na região de Tupã. Como no feijão, de imediato, até a próxima colheita, nada indica possibilidade de haver refluxo desta escalada altista.

            Para os leites B e C, o movimento altista vem do setor varejista, via transmissão para os elos a montante do fluxo produção-consumo de lácteos, em um processo de repasse gradual dos reajustes. Este fator indica elevada possibilidade de continuidade do ciclo de alta do produto durante os meses da entressafra, que se inicia com a expectativa de inverno rígido com efeitos sobre as pastagens. Ressalte-se que as majorações se dão a partir de preços baixos.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas na segunda quadrissemana de maio foram: tomate para mesa (27,34%), laranja para mesa (23,72%), banana nanica (18,21%), carne de frango (6,56%) e trigo (2,19%) (Tabela 2).

            A continuidade da queda do preço do tomate reflete a entrada dos novos plantios. Os altos preços do início de março estimularam a ampliação da produção levando, na gangorra de preços, a novo ciclo de queda acentuada de preços. Outros fatores que contribuíram para a conjuntura de preços cadentes foram a diminuição do consumo devido ao alto preço no mercado varejista e a rápida maturação dos tomateiros, que se deu nas últimas duas semanas, que levou a uma rápida elevação da oferta.

            Na laranja de mesa, a queda de preço é devida a redução do consumo de sucos naturais com o fim do verão e à pressão da entrada de outras frutas para consumo direto, inclusive cítricas como as tangerinas, maça e caqui. Ressalte-se, contudo, que os preços da laranja de mesa ainda estão 41,1% maiores que os de laranja para indústria, diferença que deva se estreitar nos próximos movimentos de preços.

            Na banana, o recuo dos preços decorre do início da normalização dos fluxos e da resistência dos consumidores que passaram a comprar menos dessa fruta em função da conjunção de preços altos para frutos de qualidade inferior. Com as baixas temperaturas o consumidor opta por frutas concorrentes em detrimento da banana.

            Na carne de frango, a ampla oferta aliada à queda da remuneração das exportações pela valorização cambial e à oferta de carne bovina a preços atrativos impulsionou os preços para baixo. Os menores preços da carne de frango compatibilizam com a redução dos custos de produção derivado dos preços de milho e soja que continuam em patamares muito baixos.

            O trigo, no exato momento em que se inicia o plantio da safra nacional, tem seus preços recuados, frente a uma conjuntura de valorização cambial e oferta não restrita no mercado internacional. De outro lado, o domínio do mercado nacional pelos grandes moinhos, a propiciarem menor amplitude sazonal da oferta cobrindo as necessidades do abastecimento interno com produto importado, já conforma expectativas de queda dos preços na colheita da safra brasileira. Esse fato pode formar expectativas pouco animadoras para o plantio do trigo brasileiro, cujos impactos poderão ser dimensionados de forma adequada na entrada do segundo semestre, quando a área plantada e o andamento da safra estarão definidos.

            No período analisado, 14 produtos apresentaram alta de preços (9 origem vegetal e 5 de origem animal) e 5 apresentaram queda (4 vegetal e 1 animal).
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¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 16/04/2010 a 15/05/2010 e base = 16/03/2010 a 15/04/2010.

²Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 20/05/2010

Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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