Preços Agropecuários: alta de 7,14% na primeira quadrissemana de junho

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou alta de 7,14% na primeira quadrissemana de junho de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) e o IqPR-A (produtos de origem animal) fecharam com variações positivas de 9,95% e de 0,18%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana de Junho de 2010.



            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, o IqPR tem pequena alta e fecha em 7,25%, já o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) fecha com 13,97%, ou seja, quatro pontos percentuais acima, puxado pela expressiva alta da laranja para indústria (Tabela 1).

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana -Junho de 2010.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).



            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: laranja para indústria (58,61%), feijão (14,77%), tomate para mesa (11,29%), cana de açúcar (7,00%) e amendoim (6,02%) (Tabela 2).

            Na laranja para indústria, numa conjuntura distinta do ano passado, os preços vêm sendo puxados para cima pela demanda internacional. Isso tem levado a que, no mercado interno, os preços se aproximem dos elevados valores alcançados pela laranja para mesa. Ocupando o mercado de frutas 'in natura' para sucos, as indústrias processadoras de suco, selecionando as melhores frutas na esteira das usinas, proporcionam menores incrementos dos preços da laranja para mesa. A tendência é de estabilização, uma vez que os preços da fruta nos dois mercados já se aproximaram bastante.

            Os preços recebidos pelos produtores paulistas de feijão continuam ainda em alta, mas em ritmo menos acelerado. A intervenção do governo federal, que já havia sido ineficaz na sustentação da rentabilidade no ciclo de baixa do ano de 2009, fracassou também na tentativa de conter o ciclo de alta, face à insignificância das quantidades compradas nos leilões. De qualquer maneira, a escalada altista prossegue até que as novas safras ofertem produto novo em patamares compatíveis com a procura.

            Os preços do tomate apresentam-se dentro do padrão normal para a época do ano e a elevada variação se deve mais às baixas cotações verificadas no início de maio.

            Para a cana-de-açúcar, embora o preço do ATR mensal tenha recuado, segundo dados do Consecana do Estado de São Paulo, o preço do ATR acumulado (que é a base do valor que remunera os produtores) ainda é maior dentro do período analisado (referência = 09/05/2010 a 08/06/2010 e base = 09/04/2010 a 08/05/2010), devido a oferta insuficiente no inicio da safra 2010/11. Já, para as próximas quadrissemanas, essa diferença tende a diminuir e até encerrar o mês de junho com variação negativa ocasionada pela oferta maior de cana-de-açúcar.

            No caso do amendoim, a seqüência dos preços mais altos deriva dos impactos da redução de 22,9% da safra nacional e diminuição de quase 25% da área plantada da safra das águas, devido principalmente à menor disponibilidade das áreas de renovação de canaviais. Dadas às ocorrências até aqui verificadas, gerando escassez de oferta e a não existência de safra intermediária, as expectativas de preços indicam alta, inclusive porque o aquecimento da demanda, em função das festas juninas, deve manter os preços elevados.

            As altas no leite B e leite C vêm pendendo força, o que indica que os preços já estão próximos do teto para estes produtos nesta safra, já que o consumidor na outra ponta da cadeia faz pressão para que a alta não prossiga.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas na primeira quadrissemana de junho foram: banana nanica (9,73%), algodão (4,94%) e carne bovina (1,32%) (Tabela 2).

            Na banana, o recuo dos preços decorre do início da normalização dos fluxos e da resistência dos consumidores que passaram a comprar menos dessa fruta em função da conjunção de preços altos para frutos de qualidade inferior. Com as baixas temperaturas o consumidor opta por frutas concorrentes em detrimento da banana.

            A queda de preços do algodão é atribuída à liquidação de estoques retidos por produtores. Ademais, no mercado internacional de fibras têxteis vegetais, as condições de financiamento na realidade cambial atual são favoráveis à importação, na medida em que a expectativa de alta das taxas de juros internos favorece ganhos financeiros nessas operações de importação.

            A chegada do frio e a redução das chuvas afetam os pastos reduzindo o ganho de peso do gado. Antes disto os produtores procuram entregar seus animais para abate e o mercado comprador aproveita-se para forçar para baixo o preço da carne bovina. Esse mesmo comportamento funciona como estabilizador dos preços da carne de frango no mercado interno (revertendo o ciclo de alta), dado serem estes produtos substitutos.

            No período analisado, 14 produtos apresentaram alta de preços (10 origem vegetal e 4 de origem animal) e 5 apresentaram queda (3 vegetal e 2 animal). 
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¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 09/05/2010 a 08/06/2010 e base = 09/04/2010 a 08/05/2010.

²Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

 

Data de Publicação: 14/06/2010

Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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