Preços Agropecuários: alta de 2,34% na segunda quadrissemana de novembro

                       O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou alta de 2,34% na segunda quadrissemana de novembro de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) encerrou com elevação de 1,48%, e o IqPR-A (produtos de origem animal) fechou em alta de 4,47% (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana de Novembro de 2010.

São Paulo
São Paulo s/cana
IqPR
2,34 %
2,82 %
IqPR-V
1,48 %
1,25 %
IqPR-A
4,47 %
-
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

           Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice (devido a sua importância na ponderação dos produtos), tanto o IqPR como o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) fecham, positivamente, em 2,82% e 1,25%, respectivamente (Tabela 1). A cana-de-açúcar ao apresentar uma elevação pouco significativa nos preços, por ser o principal produto da agropecuária paulista, ao mesmo tempo que acaba segurando a alta do índice geral (afetada pela subida dos preços da carne bovina), auxilia na variação para cima dos produtos de origem vegetal.

Tabela 2 – Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana - Novembro de 2010.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

           Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: carne bovina (13,73%), batata (12,74%), café (8,30%), amendoim (8,25%) e soja (6,82%) (Tabela 2).

           Para carne bovina, as cotações continuam em ascensão em função da entressafra, pois o período de seca produziu fortes impactos nas pastagens e reduziu a oferta de animais para o abate, além disto, soma-se o fator 'ciclo plurianual', que contribuiu para esta escassez de animais para o abate.

            No caso da batata, olerícola perecível em que se manifesta de forma exacerbada a gangorra de preços, derivada de descompassos conjunturais entre a oferta e a procura do produto, ocorrem viradas abruptas e expressivas de tendência em função da realidade pontual do mercado. A menor oferta produziu o significativo aumento verificado nas últimas semanas.

            Para o café, os preços internacionais elevam-se pelas pressões da demanda numa conjuntura de menores estoques, com o que os aumentos vêm ocorrendo em patamares superiores à valorização da moeda brasileira, levando aos incrementos dos preços recebidos pelos cafeicultores. De outro lado, no curto prazo a formação de expectativas estão precificando a escassez conjuntural.

           Situação similar verifica-se no amendoim, com aumento dos preços decorrente de uma situação de menor oferta, aliado às pressões de demanda formam expectativas altistas, numa realidade conjuntural em que não há no curto prazo a possibilidade de oferta de lotes significativos a ponto de interferir nos movimentos dos mercados.

          Os preços da soja estão pressionados pela demanda chinesa e de outras nações importadoras associadas à menor disponibilidade norte-americana para vendas externas, o que vem afetando o comportamento dos preços internacionais. Ressalte-se que a soja consiste num 'insumo' essencial da cadeia protéico-animal e da agroindústria de alimentos.

          Os produtos que apresentaram maiores quedas de preços na segunda quadrissemana de novembro foram: feijão (24,50%), tomate para mesa (20,93%), carne de frango (9,32%), leite C (5,93%) e laranja para indústria (5,16%) (Tabela 2).

          Quanto aos preços do feijão apresentaram seqüência da queda derivada da entrada de volumes expressivos da produção irrigada aos quais agora se somam as primeiras colheitas da safra das águas. Além disso, os agentes comerciais estão influenciados pela perspectiva de boa safra nos meses seguintes, o que acaba formando expectativa de preços cadentes. Assim antecipam as baixas comprando o produto de oferta atual por menor valor para não perderem com a entrada de feijão novo mais barato, o que levaria a prejuízos elevados.

            A redução dos preços do tomate se deve às condições climáticas favoráveis, aliadas à consistente base técnica, que juntas constituem fatores de aumento da produção. Esse comportamento era esperado dada a elevada volatilidade conjuntural dos preços da olerícola que alterna movimentos de alta e baixa dos preços com amplitudes muito altas.

            Os preços da carne de frango subiram no período anterior, reagindo a preços muito baixos. Entretanto, a redução da competitividade no mercado externo pela valorização cambial associada a dificuldades na exportação, elevou a oferta interna ocasionando a queda dos preços no mercado nacional.

            Para o leite, a entrada no período de safra, apesar de não ocorrer um aumento expressivo na produção, impactou na redução dos preços pagos, com maior impacto para o tipo 'C'. Para os próximos períodos a expectativa é de estabilidade dos valores pagos.

            Nos contratos de laranja para indústria os preços recuam em ritmo mais acelerado que o câmbio refletindo a queda nos preços internacionais dos sucos cítricos, o que acabou por refletir nos valores obtidos na produção contratada. Entretanto, a entrada do verão e o aumento da massa salarial pressionam os preços para cima, numa situação em que as agroindústrias tiveram de comprar fruta no mercado 'spot' -destinação da laranja percentualmente menor elevando a relevância dessa pressão de demanda- para honrar compromissos de volume de exportação. Daí os preços da laranja de mesa ter sinal inverso da laranja para indústria.

Figura 1 – Evolução da variação dos índices quadrissemanais de preços agropecuários, 1ª quadrissemana de junho de 2010 à 2ª quadrissemana de novembro de 2010.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola.



            Nesta quadrissemana os índices IqPR e IqPR-V retomaram a tendência de alta com leve elevação em comparação com o período anterior. Já o IqPR-A pela segunda vez consecutiva mantêm o ritmo de crescimento, agora com 1,4 ponto percentual maior do que a primeira quadrissemana de novembro, puxado pela carne bovina (Figura 1). Por outro lado, os produtos básicos como arroz, feijão, carne de frango, ovos e os leites tiveram variações negativas, sendo um indicador de menor pressão inflacionária sobre os itens da alimentação.
 
 

           No período analisado, 11 produtos apresentaram alta de preços (9 de origem vegetal e 2 de origem animal) e 9 apresentaram queda (5 de origem vegetal e 4 de origem animal).

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1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 16/10/2010 a 15/11/2010 e base = 16/09/2010 a 15/10/2010.

2 Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 22/11/2010

Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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