Preços Agropecuários: alta de 3,03% na terceira quadrissemana de novembro

           O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou alta de 3,03% na terceira quadrissemana de novembro de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) encerrou com elevação de 1,87%, e o IqPR-A (produtos de origem animal) fechou em alta de 5,92% (Tabela 1).

 

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 3ª Quadrissemana de Novembro de 2010.

São Paulo São Paulo s/cana
IqPR
3,03 %
3,87 %
IqPR-V
1,87 %
1,93 %
IqPR-A
5,92 %
-
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

 

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice (devido a sua importância na ponderação dos produtos), tanto o IqPR como o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) fecham, positivamente, em 3,87% e 1,93%, respectivamente (Tabela 1). A cana-de-açúcar, mesmo apresentando uma elevação pouco significativa nos preços, por ser o principal produto da agropecuária paulista, segura a alta dos dois índices de preços.

 

Tabela 2 – Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 3ª Quadrissemana - Novembro de 2010.


 

            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: batata (15,71%), carne bovina (15,02%), café (10,22%) e carne suína (7,20%) (Tabela 2).
 

        

    No caso da batata, olerícola perecível em que se manifesta de forma exacerbada a gangorra de preços derivada de descompassos conjunturais entre a oferta e a procura do produto, ocorrem viradas abruptas e expressivas de tendência em função da realidade pontual do mercado. Essa menor oferta produziu o significativo aumento verificado nas últimas semanas.

 

            Para carne bovina, as cotações continuam altas em função, de um lado, da entressafra (pois o período de seca produziu fortes impactos nas pastagens e reduziu a oferta de animais para o abate) e por outro, soma-se ao fator 'ciclo plurianual', que contribuiu para esta escassez de animais para o abate. Isso ocorre numa conjuntura de aumento da pressão de demanda pelo aumento da massa de salários que mantém a procura por carnes em geral. Esse movimento explica o aumento da carne suína no mercado interno, uma vez que um reduzido deslocamento percentual de uma carne de grande volume como a bovina, leva a impactos expressivos na demanda do produto substituto: como carne vermelha, a carne suína.

 

            No caso do café, os preços internacionais elevam-se pelas pressões da demanda numa conjuntura de menores estoques, com o que os aumentos vêm ocorrendo em patamares superiores à valorização da moeda brasileira, levando aos incrementos dos preços recebidos pelos cafeicultores. De outro lado, no curto prazo a formação de expectativas estão precificando a escassez conjuntural.

 

            Os produtos que apresentaram maiores quedas de preços na terceira quadrissemana de novembro foram: tomate para mesa (25,23%), feijão (15,09%), carne de frango (6,86%), arroz (5,57%), leite C (5,02%) e laranja para indústria (4,45%) (Tabela 2).

 

            A redução dos preços do tomate se deve às condições climáticas favoráveis, aliadas à consistente base técnica, que juntas constituem fatores de aumento da produção. Esse comportamento era esperado dada a elevada volatilidade conjuntural dos preços da olerícola que alterna movimentos de alta e baixa dos preços com amplitudes muito altas.

 

            Quanto aos preços do feijão apresentaram seqüência da queda derivada da entrada de volumes expressivos da produção irrigada aos quais agora se somam as primeiras colheitas da safra das águas. Além disso, os agentes comerciais estão influenciados pela perspectiva de boa safra nos meses seguintes, o que acaba formando expectativa de preços cadentes. Assim antecipam as baixas comprando o produto de oferta atual por menor valor para não perderem com a entrada de feijão novo mais barato, o que levaria a prejuízos elevados.

 

           Os preços da carne de frango subiram no período anterior, reagindo a preços muito baixos. Entretanto, a redução da competitividade no mercado externo pela valorização cambial associada a dificuldades na exportação, elevou a oferta interna ocasionando a queda dos preços no mercado nacional.

 

            No caso do arroz verificam-se os impactos de uma realidade de normalidade da oferta internacional desse grão essencial, associada à situação de câmbio valorizado que reduz os preços do produto importado na véspera do início da colheita nacional, forjando uma expectativa de queda na conjuntura de preços recebidos.

 

            Para o leite, a entrada no período de safra, apesar de não ocorrer um aumento expressivo na produção, impactou na redução dos preços recebidos, com maior reflexo para o tipo 'C'. Para os próximos períodos a expectativa é de estabilidade dos valores pagos.

 

         Nos contratos de laranja para indústria os preços recuam em ritmo mais acelerado que o câmbio, refletindo a queda nos preços internacionais dos sucos cítricos, o que acabou por refletir nos valores obtidos na produção contratada. Entretanto, a entrada do verão e o aumento da massa salarial pressionam os preços para cima, numa situação em que as agroindústrias tiveram de comprar fruta no mercado 'spot' - destinação da laranja percentualmente menor, elevando a relevância dessa pressão de demanda - para honrar compromissos de volume de exportação. Daí os preços da laranja de mesa ter sinal inverso da laranja para indústria.

 

Figura 1 – Evolução da variação dos índices quadrissemanais de preços agropecuários, 1ª quadrissemana de junho de 2010 à 3ª quadrissemana de novembro de 2010.


 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola.

  

          No geral, nesta quadrissemana os índices IqPR, IqPR-V e IqPR-A mantiveram a tendência de alta. Contundo, os produtos básicos como arroz, feijão, carne de frango, ovos, trigo e os leites tiveram variações negativas, o que significa comida mais barata que não sustenta análises de continuidade da pressão inflacionária sobre os itens da alimentação, ainda que os preços agropecuários, em geral, possam continuar crescendo. Isso decorre ao fato de que a principal safra nacional de alimentos (arroz com feijão) já estar entrando no mercado.

 

           Exatamente nos produtos não alimentares (algodão e cana) e mesmo os produtos intermediários (soja e milho), as safras somente normalizarão a oferta mais à frente, gerando a pressão inflacionária, em especial no caso do álcool cujos preços ao consumidor dispararam na entressafra. Equivocam-se por isso as proposituras de analistas que argumentam que a reunião do COPOM de dezembro deva subir a taxas de juros para frear a demanda. Nos produtos agropecuários a questão é de oferta, o que não se resolve com decisões de política monetária, mas com estratégias de produção e/ou importação.

   

         No período analisado, 11 produtos apresentaram alta de preços (9 de origem vegetal e 2 de origem animal) e 9 apresentaram queda (5 de origem vegetal e 4 de origem animal).
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1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 24/10/2010 a 23/11/2010 e base = 24/09/2010 a 23/10/2010.

 

2 Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

 


 

Data de Publicação: 26/11/2010

Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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