Preços Agropecuários encerram o mês de Novembro em alta de 3,24%

 

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou o mês de novembro de 2010 com alta de 3,24%. O IqPR-V (grupo de produtos de origem vegetal) registrou elevação de 2,12%, e o IqPR-A (grupo de produtos de origem animal) fechou o mês também em alta de 6,00% (Tabela 1).

 

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Novembro de 2010 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.

Índice Acumulado
São Paulo
São Paulo - sem cana
Variação 
Novembro/10
Acumulada 
12 meses
Variação 
Novembro/10
Acumulada 
12 meses
IqPR
3,24 % 
35,92 %
4,12 %
50,80 %
IqPR-V
2,12 % 
36,49 %
2,33 %
66,79 %
IqPR-A
6,00 %
32,71 %
-
-

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

 

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, os índices IqPR e IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) terminaram o mês com índices positivos, fechando em 4,12% e 2,33%, respectivamente (Tabela 1). Isso decorre do fato de que sendo o principal produto agropecuário paulista, a cana-de-açúcar, ao manter seu preço estável acaba puxando para baixo a variação dos índices geral e vegetal de preços.

 

            Para a variação dos índices acumulados nos últimos 12 meses, os resultados mostram expressivas variações positivas para o IqPR de 35,92%, de 36,49% para o IqPR-V (vegetais) e de 32,71% para o IqPR-A (animais) (Tabela 1, Figura 1). Quando se exclui a cana-de-açúcar, o impacto da alta se torna maior para os produtos vegetais que acumulam incremento de 66,79%, elevando o índice global para 50,80% ( Tabela 1). Isso conforma uma realidade em que, independente do comportamento conjuntural momentâneo, os preços agropecuários se mostram muito superiores aos vigentes no mesmo período de 2009.
 
 

Figura 1. Evolução do Índice Acumulado Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Novembro de 2009 a Novembro de 2010.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

 

            A leitura das variações dos preços de cada produto nos últimos 12 meses mostra, com nitidez, o fato de que a comparação com a conjuntura de baixos preços de 2009 revela elevações exacerbadas de preços que, na verdade, embutem em grande medida a recuperação na conjuntura atual, face aos preços não remuneradores. Esse é o caso das laranjas, uma vez que 2009 foi o pior ano da década para a citricultura em termos de preços. Em função disso, com safra projetada menor, nos últimos 12 meses, verificaram-se preços mais altos tanto no caso da laranja para indústria (123,41%) como para a laranja in natura (153,41%) (Tabela 2). Logo a parcela significativa desse índice revela recuperação de seus preços, sendo que apenas nas últimas semanas superaram os custos de produção com rentabilidade razoável.

 

            No caso dos alimentos básicos, o preço do arroz recua e apresenta-se menor que em igual período do ano de 2009. Mas os preços de feijão, conquanto mostre tendência de queda na conjuntura atual, - trajetória que deve se aprofundar nas semanas seguintes - são quase o dobro (99,27%) quando se compara com os vigentes na mesma época do ano passado. Neste produto, do lado da oferta, duas ocorrências explicam o aumento exacerbado dos preços recebidos pelos agropecuaristas. A primeira ocorrência segue a mesma linha de raciocínio da análise feita acima para as laranjas, na medida em que os preços do feijão estiveram muito baixos durante todo o ano de 2009, chegando a atingir o piso de R$ 42,00/sc de 60 kg (em plena colheita da safra de verão, em janeiro de 2010). Desestimulando o plantio, se iniciou nos meses seguintes um movimento de recuperação de preços. Esse fato que foi aprofundado com o postergamento do plantio das águas pelo veranico, o que acabou provocando uma explosão dos preços em outubro. Desde esse mês os preços recuam, estando ainda nesta quadrissemana mais elevados que os necessários para a remuneração adequada dos custos de produção.

 

            Ainda na alimentação, destacando os casos das carnes, todas elas mostram preços atuais muito superiores aos verificados em 2009, tanto da carne bovina (45,78%), da carne suína (39,33%) e da carne de frango (20,15%). Isso também ocorre com outra fonte de proteína animal representada pelos ovos (22,36%). Em todos esses casos revelam-se os efeitos da realidade de preços baixos de 2009. Na carne bovina, produto de ciclo mais longo, acabou levando os pecuaristas a abaterem matrizes, o que aprofundou os efeitos do ciclo pecuário plurianual, levando à recorde histórico da cotação do produto no mês de novembro de 2010.

 

            Também merecem destaque os incrementos de preços nos últimos doze meses do amendoim (31,73%), do café (31,89%) – que vem recuperando preços no mercado internacional após período de preços baixos-, do milho (30,03%), e da banana (16,51%). Esses produtos tiveram em 2009, na média, preços baixos que ensejam períodos de recuperação.

 

            Destaque especial deve ser dado à cana-de-açúcar (16,05%), pois esse comportamento ainda reflete situação favorável do mercado internacional do açúcar de 2009, perenizando expectativa de elevação. Com isso a proporção de cana moída para fabricar açúcar aumenta, reduzindo o percentual destinado à produção de álcool elevando ambos os preços para o consumidor interno, em especial do álcool na entressafra até abril.

 

            Numa síntese, os preços agropecuários atuais se mostram, na sua maioria, mais elevados que no mesmo período do ano anterior, levando a preços mais altos dos alimentos para o consumidor no caso das proteínas animais (carnes e ovos) e proteínas vegetais (feijão). E também isso ocorre no caso do álcool combustível. Entretanto, tanto para a carne bovina (o que deve arrastar as demais proteínas animais) como para o feijão, a tendência é de queda nos próximos movimentos. Já outros produtos como a cana, milho e amendoim (e também algodão, atualmente sem cotação ao nível dos cotonicultores), há que se esperarem os resultados da safra em termos de impactos nos preços, persistindo expectativas de alta.

 

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Novembro de 2010.

Origem
Produto
Unidade
Cotações (R$)
Variação mensal (%)
Variação Nov/10-Nov/09 (%)
Outubro

/10

Novembro /10
VEGETAL
Algodão
15 kg
-
-
-
-
Amendoim
Sc.25 kg
34,15
33,34
-2,36
31,73
Arroz
sc.60 kg
34,88
33,92
-2,74
-7,00
Banana nanica
cx.21 kg
13,94
12,99
-6,79
16,51
Batata
sc.60 kg
30,54
37,58
23,04
-37,30
Café
sc.60 kg
306,68
334,58
9,10
31,89
Cana-de-açúcar 
t de ATR
352,40
359,34
1,97
16,05
Feijão
sc.60 kg
140,57
124,90
-11,15
99,27
Laranja p/ Indústria
cx.40,8 kg
14,77
14,23
-3,69
123,41
Laranja p/ Mesa 
cx.40,8 kg
19,39
20,25
4,45
153,41
Milho
sc.60 kg
20,28
22,07
8,83
30,03
Soja
sc.60 kg
41,81
43,83
4,82
1,76
Tomate p/ Mesa
cx.22 kg
15,97
13,08
-18,12
-58,84
Trigo
sc.60 kg
28,88
27,65
-4,27
4,87
ANIMAL
Carne Bovina
15 kg
97,35
108,99
11,96
45,78
Carne de Frango
Kg
1,84
1,83
-0,91
20,15
Carne Suína
15 kg
60,79
66,16
8,84
39,33
Leite B
Litro
0,83
0,82
-1,43
5,39
Leite C
Litro
0,74
0,72
-3,18
-0,32
Ovos
30 dz
36,15
36,22
0,19
22,36
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

 

           Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas no mês de novembro foram: batata (23,04%), carne bovina (11,96%), café (9,10%), carne suína (8,84%) e milho (8,83%) (Tabela 2).

 

            No caso da batata, olerícola perecível em que se manifesta de forma exacerbada a gangorra de preços derivada de descompassos conjunturais entre a oferta e a procura do produto, ocorrem viradas abruptas e expressivas de tendência em função da realidade pontual do mercado. Essa menor oferta produziu o significativo aumento verificado nas últimas semanas.

 

            Para carne bovina, as cotações continuam altas em função do 'ciclo plurianual', que contribuiu para a escassez de animais para o abate. Esse movimento explica o aumento da carne suína no mercado interno, uma vez que um reduzido deslocamento percentual de uma carne de grande volume como a bovina, leva a impactos expressivos na demanda do produto substituto: como carne vermelha, a carne suína. Para a carne de frango e para os ovos, ocorre reposição dos valores pagos, que também se apresentavam baixo. Para estes três produtos animais o custo de produção sofre um aumento em virtude das elevações principalmente do insumo milho, ou seja, uma parte das altas destes é repasse dos custos de produção.

 

            No caso do café, os preços desta commodity se elevam devido às pressões da demanda internacional e doméstica e aos menores estoques. Ademais, a redução em especial da safra colombiana abre espaço para vendas de café brasileiro de qualidade superior, elevando os preços médios no mercado interno de arábica, como o café paulista.

 

            Os produtos que apresentaram maiores quedas de preços no mês de novembro foram: tomate para mesa (18,12%), feijão (11,15%) e banana nanica (6,79%). (Tabela 2).

 

            Para o tomate, os elevados preços nos meses anteriores e as condições climáticas favoráveis que produziram um significativo aumento da produção, levaram à oferta conjuntural excedente desse produto perecível, refletindo em preços 58,84% inferiores aos verificado no mesmo período do ano passado.

 

            Quanto aos preços do feijão, apresentaram seqüência de queda derivada da entrada de volumes expressivos da produção irrigada aos quais agora se somam às primeiras colheitas da safra das águas. Estando os agentes comerciais influenciados pela perspectiva de boa safra nos meses seguintes, acaba-se formando expectativa de preços cadentes. Assim antecipam as baixas comprando o produto de oferta atual por menor valor para não perderem com a entrada de feijão novo mais barato, o que levaria a prejuízo elevado. Daí a intensidade da queda nas últimas semanas.

 

            No caso da banana, o gradativo aumento da temperatura e das chuvas acelera a formação dos cachos, aumentando a oferta da fruta ao mesmo tempo em que a propensão ao consumo diminui consequentemente reduzindo os seus preços.

 

            No período analisado, 9 produtos apresentaram alta de preços (6 de origem vegetal e 3 de origem animal) e 10 apresentaram queda (7 de origem vegetal e 3 de origem animal).

_____________________________
1 A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/11/2010 a 30/11/2010 e base = 01/10/2010 a 31/10/2010.

 

2 Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573 

 

Data de Publicação: 03/12/2010

Autor(es): Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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