Preços Agropecuários: Queda de 0,47% na primeira quadrissemana de fevereiro

 

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou baixa de 0,47% na primeira quadrissemana de fevereiro de 2012. Separado em grupos de produtos, o IqPR-V (produtos de origem vegetal) apresentou elevação de 2,66%, enquanto o IqPR-A (produtos de origem animal) teve variação negativa de 8,84% (Tabela 1).
 

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana – Fevereiro/2012.

São Paulo

São Paulo s/cana

IqPR

- 0,47 

- 1,17 

IqPR-V

2,66 

7,11 

IqPR-A

- 8,84 

— 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice devido a sua importância na ponderação dos produtos, o IqPR desce e fecha negativo em 1,17% e IqPR-V sobe e fica em 7,11% (Tabela 1).
 

Tabela 2 – Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana - Fevereiro/2012.

Origem

Produto

Unidade

Cotações (R$)

Variação quadrissemanal (%)

1ª Jan/11

1ª Fev/12

VEGETAL

Algodão

15 kg

54,77

55,18

0,75 

Amendoim

sc.25 kg

34,87

32,16

- 7,78 

Arroz

sc.60 kg

30,40

30,84

1,46 

Banana nanica

Kg

0,6802

0,6562

- 3,52 

Batata

sc.60 kg

14,72

24,24

64,68 

Café

sc.60 kg

479,76

477,83

- 0,40 

Cana-de-açúcar 

kg de ATR

0,5021

0,5034

0,27 

Feijão

sc.60 kg

127,91

169,30

32,36 

Laranja p/indústria

cx.40,8 kg

9,95

10,43

4,80 

Laranja p/Mesa 

cx.40,8 kg

11,38

10,78

- 5,26 

Milho

sc.60 kg

25,41

26,19

3,07 

Soja

sc.60 kg

41,13

42,63

3,65 

Tomate p/ Mesa

cx.22 kg

23,89

24,99

4,61 

Trigo

sc.60 kg

25,98

26,12

0,56 

ANIMAL

Carne Bovina

15kg

98,16

96,92

- 1,27 

Carne de Frango

Kg

2,07

1,51

- 26,76 

Carne Suína

15 kg

58,43

52,10

- 10,84 

Leite B

Litro

0,9188

0,9115

- 0,79 

Leite C

Litro

0,8319

0,8209

- 1,33 

Ovos

30 dz

45,38

39,30

- 13,40 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).


 


            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas na primeira quadrissemana de fevereiro foram: batata (64,68%), feijão (32,36%), laranja para indústria (4,80%) e tomate para mesa (4,61%) (Tabela 2).
 

            A alta vertiginosa do preço da batata se deve ao final da safra atual e à perspectiva de escassez conjuntural acirrada, em virtude das dificuldades de colheita e transporte para o mercado, ocasionadas pelas chuvas, que deixam o solo encharcado e as estradas vicinais alagadas.
 

            No feijão, a menor oferta gerada pela quebra de safra (estimada em mais de 10% nas regiões que fornecem produtos nesta época do ano) e a perspectiva de que apenas o início da colheita da próxima safra irá normalizar o mercado vêm impulsionando os preços para cima.
 

            O tomate, por ser solanácea perecível tal como a batata, caracteriza-se pela alta amplitude de variação conjuntural nos preços: com a impossibilidade de formação de estoques, gera-se uma oferta excessiva de curto prazo, que leva à gangorra de preços.
 

            Na laranja para indústria, a desvalorização cambial e a entrada da entressafra levaram a preços mais elevados face às disposições contratuais, ainda que numa realidade de negócios pouco expressivos pela entressafra. Vale destacar que pouquíssimas comercializações estão sendo realizadas neste período no mercado spot.
 

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços nesta quadrissemana foram: carne de frango (26,76%), ovos (13,40%), carne suína (10,84%) e amendoim (7,78%) (Tabela 2).
 

            Na carne de frango, o final do período de festas produziu recuo da demanda e consequente queda nas cotações. Todavia, em virtude da quantidade de aves estocadas, remanescentes do período anterior, no começo de 2012 o declínio foi mais acentuado que em anos precedentes.
 

            No ovo, a perspectiva de mercado foi a mesma: numa associação entre o período de férias que reduziu a demanda e a passagem das festas do final de ano que reduziu os volumes utilizados nas agroindústrias de confeitaria, massas e panificação, apresenta-se novamente uma queda nos preços recebidos pelos granjeiros. Em relação aos preços na cadeia é observado o mesmo comportamento da carne de frango: não tão discrepante, o produtor está recebendo menos, mas o consumidor não esta sentido.
 

            Na carne suína, verifica-se de forma mais direta a retração da procura numa conjuntura de oferta elevada (inclusive com ofertas de outros estados do suíno já abatido). Ademais, a comparação de preços se dá com o pico da demanda na segunda metade de dezembro.
 

            No amendoim, a entrada da produção da segunda etapa de colheita da safra das águas formou perspectivas de oferta mais consistentes o que levou a queda de preços do produto no campo.
 

            No período analisado, 10 produtos apresentaram alta de preços (todos de origem vegetal) e 10 apresentaram queda (4 vegetais e todos os de origem animal, que perfazem 6).
____________________________________________

¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 09/01/2012 a 07/02/2012 e base = 09/12/2011 a 08/01/2012.
 

²Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

 

Data de Publicação: 13/02/2012

Autor(es): Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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