Preços Agropecuários: Queda de 0,94% na primeira quadrissemana de março

 

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou queda de 0,94 na primeira quadrissemana de março de 2012. Separado em grupos de produtos, o IqPR-V (produtos de origem vegetal) apresentou baixa de 2,45%, enquanto o IqPR-A (produtos de origem animal) subiu 3,08% (Tabela 1).
 

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana – Março/2012.

São Paulo

São Paulo - sem cana

IqPR

- 0,94

-1,47 

IqPR-V

- 2,45 

-6,39

IqPR-A

3,08 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice devido a sua importância na ponderação dos produtos, tanto o IqPR como o IqPR-V tem quedas maiores e fecham negativamente em 1,47% e 6,39%, respectivamente (Tabela 1).
 

Tabela 2 – Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana - Março/2012.

Origem

Produto

Unidade

Cotações (R$)

Variação quadrissemanal (%)

1ª Fev/12

1ª Mar/12

VEGETAL

Algodão

15 kg

55,18

56,19

1,84 

Amendoim

sc.25 kg

32,16

33,55

4,33 

Arroz

sc.60 kg

30,84

32,39

5,04 

Banana nanica

cx.21 kg

0,66

0,61

- 6,32 

Batata

sc.50 kg

24,24

19,35

- 20,17 

Café

sc.60 kg

477,83

432,43

- 9,50 

Cana-de-açúcar 

kg de ATR

0,5034

0,5018

- 0,32 

Feijão

sc.60 kg

169,30

148,67

- 12,19 

Laranja p/indústria

cx.40,8 kg

10,43

10,50

0,68 

Laranja p/Mesa 

cx.40,8 kg

10,78

10,73

- 0,46 

Milho

sc.60 kg

26,19

24,64

- 5,94 

Soja

sc.60 kg

42,63

43,25

1,45 

Tomate p/ Mesa

cx.22 kg

24,99

13,94

- 44,22 

Trigo

sc.60 kg

26,12

26,00

- 0,47 

ANIMAL

Carne Bovina

15kg

96,92

96,27

- 0,67 

Carne de Frango

Kg

1,51

1,68

10,87 

Carne Suína

15 kg

52,10

51,33

- 1,47 

Leite B

Litro

0,9115

0,9078

- 0,41 

Leite C

Litro

0,8209

0,8201

- 0,10 

Ovos

30 dz

39,30

42,56

8,29 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).


            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas na primeira quadrissemana de março foram: carne de frango (10,87%), ovos (8,29%), arroz (5,04%) e amendoim (4,33%) (Tabela 2).
 

            A ascensão nos preços do frango reflete a relação do último período de recuperação de suas cotações com os reduzidos valores vigentes nas primeiras semanas do ano, quando a remuneração recebida pelos granjeiros esteve menor que os custos de produção.
 

            Para os ovos, o período da quaresma, com a tradição religiosa de consumir menos carne, aumenta a preferência pelo produto, elevando os preços recebidos pelos granjeiros. A volta às aulas e o retorno de alto percentual de trabalhadores das férias de verão também aquecem o consumo do produto na merenda escolar e nos refeitórios empresariais a partir de fevereiro.
 

            No arroz, a colheita gaúcha, principal estado produtor, sendo menor que as anteriores, produziu maiores preços recebidos pelos produtores inclusive o paulista, sendo que os estoques mundiais do produto e a valorização cambial podem limitar as expectativas de continuidade dessa ascensão.
 

            No amendoim, mesmo com o aumento de área e da produtividade, os baixos estoques de passagem levaram a movimentos de preços em alta, precificando a possibilidade de escassez durante o decorrer do ano.
 

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços nesta quadrissemana foram: tomate para mesa (44,22%), batata (20,17%), feijão (12,19%), café (9,50%) e banana nanica (6,32%) (Tabela 2).
 

            O tomate, produto perecível que se caracteriza pela alta amplitude de variação conjuntural nos preços, uma vez que com as temperaturas elevadas, verificou-se o amadurecimento rápido nos tomateiros que levou a necessidade do produtor colocá-lo rapidamente no mercado, gerando uma boa oferta do produto.
 

            Na batata, também solanácea perecível, verifica-se a reversão dos preços, que num primeiro momento tende a se manter, mas num segundo momento, com o aumento do consumo no final das férias, poderá refrear essa tendência de baixa.
 

            As secas que provocaram o atraso do plantio das águas nas principais regiões produtoras elevaram os preços recebidos pelos produtores de feijão. Porém, em meados de fevereiro, com a entrada de um volume mais denso do produto, reduziu-se as cotações em relação ao período anterior.
 

            No café, os preços internacionais associados à valorização cambial indicam tendência de queda nos próximos movimentos tanto internos quanto externos, situação que poderá ser alterada para melhor ou pior na dependência do desenrolar da crise européia.
 

            Para a banana, o fim do verão e a perspectiva de entrada em maior quantidade de outras frutas como a maçã levaram os preços a recuo na principal região produtora paulista. As dificuldades de colocação da fruta em tradicionais mercados do exterior também aumentaram a oferta interna estimulada pelo câmbio.
 

            No período analisado, 7 produtos apresentaram alta de preços (5 de origem vegetal e 2 de origem animal) e 13 apresentaram queda (9 vegetais e 4 de origem animal).
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¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 08/02/2012 a 08/03/2012 e base = 09/01/2012 a 07/02/2012.

²Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 13/03/2012

Autor(es): Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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