Preços Agropecuários: alta de 0,60% no fechamento do mês de julho de 2012

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou o mês de julho de 2012 em alta de 0,60%. Separado em grupos de produtos, o IqPR-V (produtos de origem vegetal) e o IqPR-A (produtos de origem animal) subiram 0,61% e 0,59% respectivamente (Tabela 1). Os índices estão positivos desde a primeira quadrissemana de junho, perfazendo 8 quadrissemanas consecutivas de reajustes.
 

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Julho de 2012 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.

Índice Acumulado

São Paulo

São Paulo - sem cana

Variação mensal Julho/12

Acumulado 

12 meses

Variação mensal Julho/12

Acumulado 

12 meses

IqPR

0,60%

4,64%

1,98%

7,59%

IqPR-V

0,61%

5,55%

3,51%

13,40%

IqPR-A

0,59%

1,46%

-

-

Fonte: Instituto de Economia Agrícola


            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice (devido a sua importância na ponderação dos produtos), o IqPR registra alta de 1,98% e o IqPR-V sobe mais e fecha positivamente em 3,51% (Tabela 1).
 

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Julho de 2012.



            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas no mês de julho foram: tomate para mesa (64,23%), café (10,77%), soja (10,17%), milho (9,77%) e amendoim (9,08%) (Tabela 2).
 

            No tomate para mesa, variações no clima (chuvas em determinados períodos e baixas temperaturas em todo período), reduziram a oferta nas regiões produtoras e a colheita de variedades mais valorizadas continuam provocando a acentuada elevação de preços.
 

            A baixa disponibilidade e a grande procura mundiais (apesar da crise econômica) sustentam os preços do café nas bolsas internacionais e elevam os preços aos produtores paulistas.
 

            As altas das cotações do milho são reflexos da seca que ocorre nos Estados Unidos, com previsão de queda naquela que seria a maior produção americana, segundo o USDA. Isso vem permitindo o aumento dos preços internos com expectativa de incremento nas exportações.
 

            Para a soja, a seca nos Estados Unidos foi o principal motivo da elevação das cotações da commodity nos mercados internacionais. Soma-se a isso fatores como estoques baixos e aumento do consumo - principalmente para ração animal-, o que vêm garantindo bons preços para os produtores paulistas.
 

            Os produtos que apresentaram quedas de preços neste mês foram: batata (32,54%), laranja para mesa (14,29%), feijão (13,35%), cana-de-açúcar (0,91%) e carne bovina (0,53%) (Tabela 2).
 

            O excesso de oferta fez o preço da batata despencar, levando produtores a reduzirem o ritmo da colheita para tentar segurar as cotações.
 

            A falta de mercado da laranja para indústria, com o atraso no processamento do suco pelas indústrias, deixou poucas alternativas para o citricultor, enviando esta fruta para o mercado in natura, causando diminuição do preço da laranja para mesa. Soma-se a isso o menor consumo por parte dos consumidores nessa época do ano (temperaturas mais baixas).
 

            A entrada dos últimos lotes da safra da seca do feijão com qualidade prejudicada pelas chuvas e o início da safra de inverno (irrigada) provocou a redução de seus preços, que mesmo assim continuam elevados aos consumidores, inibindo a demanda
 

            Em resumo, em julho, 14 produtos apresentaram alta de preços (9 de origem vegetal e 5 de origem animal) e 5 apresentaram queda (4 vegetais e 1 animal).
 

            Nos últimos 12 meses todos os índices acumulam altas, o IqPR fecha em 4,64% puxado pelo IqPR-V (produtos de origem vegetal) com alta de 5,55%, enquanto que o IqPR-A (origem animal) valorizou menos e fechou o período com 1,46% (Tabela 1). Desconsiderando a cana de açúcar, o IqPR e o IqPR-V apresentam aumentos significativos e fecham em 7,59% e 13,40%, na ordem (Tabela 1).
 

            O IqPR e o IqPR-V apresentaram a mesma linha de tendência, sendo que apenas nos meses de setembro e outubro de 2011, os índices ficaram na casa da base 100 e pouco abaixo para os produtos vegetais. A partir desse ponto começa novo ciclo de altas com recuo no mês de fevereiro de 2012. De março em diante os índices retomam a tendência de alta (Figura 1). Para os índices 'sem a cana' que no período analisado manteve a variação do preço praticamente estável, esses índices seguiram a mesma tendência, porém em maior proporção (Figura 2). Os produtos vegetais - sem a cana apresentaram indicador mais acentuado nos meses de janeiro e de maio a julho de 2012 em função principalmente da expressiva alta da batata e tomate para mesa, respectivamente (Figura 2).
 
 

Figura 1. Evolução do Índice Acumulado Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista Com Cana-de-Açúcar, Julho de 2011 a Julho de 2012.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).



            Os produtos animais (IqPR-A) mostram desempenho com idas e vindas, sem uma tendência definida, acumulando alta de quase 7 pontos percentuais de julho até dezembro de 2011, quando em janeiro de 2012 apresenta forte queda puxada pelo recuo dos preços das carnes. No mês de março há recuperação deste indicador com as valorizações dos leites, ovos e carne de frango e nova queda em maio, voltando a se recuperar em junho e julho de 2012 com destaque para os ovos (Figuras 1 e 2).
 
 

Figura 2. Evolução do Índice Acumulado Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista Sem Cana-de-Açúcar, Julho de 2011 a Julho de 2012.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).



            Em síntese, nos últimos 12 meses, um conjunto de 12 entre 19 produtos apresentam preços atuais maiores e outro conjunto de 7 produtos teve preços menores. Assim, na variação de preços de julho de 2012 em relação a julho de 2011 (Tabela 2), têm-se incrementos para: tomate para mesa (121,21%), soja (52,82%), banana nanica (44,60%), feijão (37,54%), arroz (36,05%), amendoim (16,99%), ovos (8,78%) e carne de frango (5,84%), todos em patamares mais elevados que o IqPR e que a inflação medida pelo IPCA-IBGE, além do leite C (3,36%), trigo (2,84%), cana-de-açúcar (1,37%) e leite B (0,34%) (Tabela 2).
 

            Apresentaram reduções os seguintes preços: laranja para mesa (43,72%), algodão (16,67%), carne suína (16,31%), café (15,66%), milho (12,26%), carne bovina (4,21%) e batata (0,95%) (Tabela 2).
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1 A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/07/2012 a 31/07/2012 e base = 01/06/2012 a 30/06/2012.

2 Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573


Data de Publicação: 06/08/2012

Autor(es): Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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