Preços Agropecuários: alta de 1,32% na segunda quadrissemana de agosto

 

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou alta de 1,32% na segunda quadrissemana de agosto de 2012. Separado em grupos de produtos, tanto o IqPR-V (produtos de origem vegetal) quanto o IqPR-A (produtos de origem animal) apresentaram variações positivas, respectivas de 1,07% e 0,74% (Tabela 1). Em comparação com a primeira quadrissemana de agosto, o IqPR subiu 0,46 ponto percentual.
 

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana – Agosto/2012.

São Paulo

São Paulo - sem cana

IqPR

1,32%

3,77%

IqPR-V

1,07%

5,67%

IqPR-A

0,74%

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice devido a sua importância na ponderação dos produtos, tanto o IqPR como o IqPR-V continuam positivos e fecham em 3,77% e 5,67%, respectivamente (Tabela 1).
 

Tabela 2. Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana - Agosto/2012



            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas na segunda quadrissemana de agosto foram: tomate para mesa (45,39%), carne suína (28,87%), milho (19,49%), soja (13,20%), trigo (8,90%) e café (8,55%) (Tabela 2).
 

            No tomate para mesa, variações no clima (chuvas em determinados períodos e baixas temperaturas seguido de estiagem) reduziram a oferta nas regiões produtoras, que provocaram a acentuada elevação de preços.
 

            Para a carne suína, reajustes nos preços da ração animal (principalmente milho e farelo de soja) foram repassados pelos produtores, elevando os preços por eles recebidos. Especulações relacionadas à uma reduzida oferta de animais e à abertura do mercado russo também justificam a elevação das cotações no mercado de cevados.
 

            As altas das cotações do milho são reflexos da seca que ocorre nos Estados Unidos, com previsão de queda naquela que seria a maior produção americana, segundo o USDA/EUA. Isso vem permitindo o aumento dos preços internos com expectativa de incremento nas exportações.
 

            Para a soja, a seca nos Estados Unidos foi o principal motivo da elevação das cotações da commodity nos mercados internacionais. Soma-se a isso fatores como estoques baixos e aumento do consumo - principalmente para ração animal-, o que vêm garantindo bons preços para os produtores paulistas.
 

            A baixa disponibilidade e a grande procura mundiais (apesar da crise econômica) sustentam os preços do café nas bolsas internacionais e elevam os preços aos produtores paulistas.
 

            Já os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços nesta quadrissemana foram: batata (19,42%), feijão (14,71%), banana nanica (3,03%) e laranja para mesa (1,86%) (Tabela 2).
 

            O excesso de oferta (devido à coincidência de safra paulista e mineira) fez o preço da batata despencar, levando produtores a reduzirem o ritmo da colheita para tentar segurar as cotações.
 

            A entrada dos últimos lotes da safra da seca do feijão com qualidade prejudicada pelas chuvas e o início da safra de inverno (irrigada) provocou a redução de seus preços, que mesmo assim continuam elevados aos consumidores, inibindo a demanda.
 

            Os preços da banana nanica podem estar apresentando redução em função da grande oferta de laranja a baixos preços (a gradativa elevação das temperaturas voltam a estimular o consumo de ambas as frutas).
 

            Mesmo com as exportações paulistas de sucos de laranja (concentrado e não concentrado) terem crescido 9,7% no período de janeiro a julho de 2012, em relação a igual período do ano anterior, somando US$ 640 milhões, e o volume exportado praticamente estável (716 mil toneladas), não aliviou a situação dos produtores de laranja, devido ao atraso na compra e processamento do suco pelas indústrias (operando com estoque alto), deixou poucas alternativas para o citricultor, enviando esta fruta para o mercado in natura, causando diminuição do preço da laranja para mesa.
 

            No período analisado, 12 produtos apresentaram alta de preços (8 de origem vegetal e 4 de origem animal) e 7 apresentaram queda (5 vegetais e 2 de origem animal).
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¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 16/07/2012 a 15/08/2012 e base = 16/06/2012 a 15/07/2012.

 

²Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 21/08/2012

Autor(es): Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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