Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista sobem 1,33% na Terceira Semana de Julho


 

O Índice de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou alta de 1,33% na terceira quadrissemana do mês de julho de 2019.  Separado por grupos de produtos, enquanto o IqPR-V com cana-de-açúcar (grupo de produtos de origem vegetal) subiu 2,02%, o IqPR-A (produtos de origem animal) apresentou queda de 0,49% (Tabela 1). Nesta mesma tabela são apresentadas as variações das duas últimas quadrissemanas de junho e as três primeiras de julho/2019 para os índices calculados “com a cana-de-açúcar” e “sem a cana-de-açúcar”.

 

 

Quando a cana-de-açúcar (que teve alta de 2,43% na terceira semana de julho) é excluída do cálculo do índice na ponderação dos produtos, o IqPR (sem cana) apresenta alta menor, de 0,51%. No caso do IqPR-V sem cana a alta é de 1,43%. Destaca-se nessa comparação o peso que a cana de açúcar exerce no cálculo ponderado do índice vegetal (Tabela 1).

 

11 dos produtos que compõem o IqPR apresentaram altas na terceira semana do mês de julho/19. Destacaram-se nesse intervalo a batata (21,50%), o café (5,44%), a carne suína (5,38%) e o leite cru resfriado (4,81%) (Tabela 2).

Mesmo com a redução dos preços da batata nas últimas semanas fruto da entrada da safra de inverno, os preços comparativos no intervalo de análise que referenciam essa subida nas cotações médias estão relacionados à redução da produtividade causada pelas chuvas ocorridas no início de junho.

 

Em colheita de safra sob bienalidade negativa - quando os cafezais são menos produtivos – e influenciados pelo fator climático (ainda não se sabe o quanto as geadas que ocorreram interferirão nos principais cinturões produtivos), os preços do café entraram julho numa fixação acima do que vinha sendo pautado nos meses anteriores pelos investidores na Bolsa de Nova York. Com produções expandidas no Vietnã e Colômbia - ao lado da razoável produção brasileira - garantindo o suprimento dos estoques internacionais, as avaliações de campo sobre os reais efeitos da onda de frio sobre as lavouras brasileiras seguem em andamento, podendo em médio prazo fomentar movimentos de alta entre os investidores desse mercado3.

Para a carne suína, a expansão da demanda chinesa provocada por epidemia no rebanho do país asiático desequilibrou o mercado interno brasileiro, o que reduziu a oferta doméstica e reajustou seus preços há quase dois meses.

Já no caso do leite, o reajuste no valor recebido é causado pela estiagem característica desse período no Centro-Sul, quando as pastagens ressecam e perdem valor nutritivo e os produtores veem seus custos reajustados para a manutenção do rebanho e da produtividade.

Já os produtos que mais reduziram seus preços na terceira semana de julho/2019, têm: o tomate de mesa (32,53%), o arroz (9,06%) e a carne de frango (6,09%).

 Do conjunto analisado, 11 produtos apresentaram alta de preços (8 de origem vegetal e 3 de animal) e 7 tiveram queda (5 de origem vegetal e 2 de animal).

 

 

 

1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 24/06/2019 a 23/07/2019 e base = 24/05/2018 a 23/06/2018.

 

2Artigo completo com a metodologia: PINATTI, E. et al. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v. 38, n. 9, p. 22-34, set. 2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573. Acesso em: 12 mar. 2019.

 

3Para a análise do café agradecemos a leitura crítica e solidária de nossas informações qualitativas feita pelo colega de trabalho, o pesquisador científico Celso Luis Rodrigues Vegro.

 

 

 

Palavras-chave: IqPR, índice, preços recebidos, índices agrícolas, variações, indicadores.


Data de Publicação: 30/07/2019

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Danton Leonel de Camargo Bini (danton@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor