Balança Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro de Janeiro a Setembro de 2019


 

1 - BALANÇA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

No acumulado de janeiro a setembro de 2019, as exportações do Estado de São Paulo1 somaram US$35,59 bilhões (21,3% do total nacional), e as importações2 US$44,92 bilhões (33,6% do total nacional), registrando deficit comercial de US$9,33 bilhões (Figura 1). Em relação ao mesmo período de 2018, houve queda nas exportações (-8,1%) e também nas importações (-1,8%); essa conjunção de desempenhos resultou em maior deficit (32,9%) na balança paulista neste período em 2019 na comparação com igual período de 2018.

 

Ao se analisar o comportamento mensal, em setembro de 2019, as exportações do Estado de São Paulo somaram US$3,47 bilhões e as importações US$4,99 bilhões, registrando um deficit de US$1,52 bilhão. Na comparação com o mesmo mês em 2018, o valor das exportações paulistas teve queda de 23,2%, e o valor das importações cresceu 2,5% (Tabela 1), ocasionando um aumento de US$1,17 bilhão no saldo negativo nessa comparação nos dois anos em análise

 

1.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial do agronegócio, o resultado de janeiro a setembro de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018, indica que o agronegócio3 paulista apresentou quedas nas exportações (-13,0%), recuando para US$10,97 bilhões, e nas importações
(-6,4%), totalizando US$3,50 bilhões; com estes resultados, obteve-se superavit de US$7,47 bilhões (Figura 2). Embora positivo, o saldo comercial nos nove primeiros meses de 2019 é inferior (-15,8%) ao superavit do igual período de 2018, quando alcançou US$8,87 bilhões.

Há que se destacar que as exportações paulistas nos demais setores da economia - exclusive o agronegócio - somaram US$24,62 bilhões de janeiro a setembro de 2019, e as importações US$41,42 bilhões, gerando um deficit externo desse agregado de US$16,80 bilhões. Dessa forma, conclui-se que o deficit do comércio exterior paulista neste período só não foi maior devido ao desempenho do agronegócio estadual, cujo saldo semanteve positivo (US$7,47 bilhões).

A tabela 2 apresenta os resultados mensais da balança comercial do agronegócio paulista. Analisando o comportamento de setembro de 2019, as exportações do Estado de São Paulo somaram US$1,13 bilhão, e as importações US$0,33 bilhão, registrando superavit de US$0,80 bilhão. Na comparação com setembro de 2018, os valores da balança comercial recuaram 20,4% nas exportações e 10,8% nas importações (Tabela 2).

 

 

1.2 - Exportações do Agronegócio Paulista por Grupos de Produtos

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista, de janeiro a setembro de 2019, foram: complexo sucroalcooleiro (US$2,90 bilhões, sendo que desse total o açúcar representou 78,1% e o álcool 21,9%), seguido do setor de carnes (US$1,49 bilhão, em que a carne bovina respondeu por 83,5%),do complexo soja (US$1,37 bilhão), dos produtos florestais (US$1,29 bilhão, com participações de 57,5% de papel e 33,9% de celulose), e de sucos (US$1,24 bilhão, dos quais 96,9% referentes a sucos de laranja). Esses cinco agregados representaram 75,5% das vendas externas setoriais paulistas (Tabela 3).


 

Ainda de acordo com a tabela 3, na comparação com o mesmo período de 2018, houve importantes variações, todas negativas nos valores exportados dos principais grupos de produtos da pauta paulista, com destaque para o complexo sucroalcooleiro (-25,5%), carnes (-6,1%), complexo soja (-19,2%), produtos florestais (-4,4%) e dos sucos (-17,1%). Além desses produtos, o café, tradicional produto do agronegócio paulista, com exportações de US$439,42 milhões em 2019, apresentou alta de 16,1% em relação ao acumulado de 2018. Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas pela composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.

 

1.3 - Destinos das Exportações do Agronegócio Paulista        

Em relação aos destinos das exportações do agronegócio paulista entre janeiro e setembro de 2019, a China é o principal destino das exportações de São Paulo (19,3%), seguida da União Europeia (18,7%). Na sequência aparecem os Estados Unidos (13,2%), Arábia Saudita (2,6%), Argélia (2,3%) e Bangladesh (2,2%). A tabela 4 apresenta os 20 principais destinos das exportações paulistas em 2019, que somados representam 80,1% do total, e as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos.

 

 

Ainda de acordo com a tabela 4, observa-se uma diferenciação na composição das pautas dos principais parceiros comerciais do agronegócio paulista. A China importa principalmente produtos do complexo soja (45,8%) e de carnes (24,9%), enquanto a União Europeia tem entre os principais produtos da pauta de importações paulista os produtos do grupo de sucos (41,9%, basicamente suco de laranja) e os produtos florestais (15,2%). Já os Estados Unidos apresentam pauta bastante diversificada, composta principalmente pelos grupos de complexo sucroalcooleiro (30,5%), os sucos (14,0%), as carnes (13,9%) e os produtos florestais (12,0%). Na sequência os países Arábia Saudita, Argélia e Bangladesh têm no complexo sucroalcooleiro participação de sua pauta em acima de 80% de representatividade.

 

1.4 - Participação dos Agronegócios na Balança Comercial Paulista

A participação das exportações do agronegócio paulista no total do Estado diminuiu 1,8 ponto percentual, enquanto a participação das importações caiu 0,4 ponto percentual, comparando-se os resultados dos nove primeiros meses de 2019 aos de 2018 (Figura 3).

2 - BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL

A balança comercial brasileira registrou superavit de US$33,62 bilhões de janeiro a setembro de 2019, com exportações de US$167,21 bilhões e importações de US$133,59 bilhões. Esse resultado indica redução de 19,4% no superavit comercial em relação ao mesmo período de 2018, devido ao recuo das exportações (-5,6%), que foi maior do que o das importações (-1,3%) (Figura 4).

 

 

Ao se analisar o comportamento mensal no mês de setembro de 2019, as exportações brasileiras somaram US$18,74 bilhões, e as importações US$16,49 bilhões, apresentando superavit de US$2,25 bilhões. Na comparação com o mesmo mês de 2018, os valores das exportações apresentaram queda de 2,3% enquanto as importações avançaram 16,8% (Tabela 5).

 

 

 

2.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial, as exportações do agronegócio brasileiro de janeiro a setembro de 2019 apresentaram redução (-2,2%) em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$71,98 bilhões (43,0% do total nacional). Já as importações recuaram 2,5% no período, registrando US$10,28 bilhões (7,7% do total nacional).

O superavit do agronegócio no período foi de US$61,70 bilhões, sendo 6,2% inferior na comparação ao igual período de 2018 (Figura 5).

 

Portanto, o comércio exterior brasileiro só não foi deficitário devido ao desempenho do agronegócio, uma vez que os demais setores da economia, com exportações de US$95,23 bilhões e importações de US$123,31 bilhões, produziram no período de 2019 um deficit de US$28,08 bilhões.

A tabela 6 mostra os resultados mensais da balança comercial do agronegócio nacional. Em setembro de 2019, as exportações somaram US$7,75 bilhões, e as importações US$1,05 bilhão, registrando superavit de US$6,70 bilhões. Porém, na comparação com 2018, os valores do saldo da balança comercial recuaram 4,1%, com queda de 3,8% nas exportações e 1,9% nas importações no mesmo mês (Tabela 6).

 

 

 

2.2 - Exportações do Agronegócio Brasileiro por Grupos de Produtos

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio brasileiro, de janeiro a setembro de 2019, foram: complexo soja (US$26,23 bilhões), carnes (US$11,50 bilhões, com a carne de frango representando 44,6% desse total, e as carnes bovina 43,0% e suína 9,4%),produtos florestais (US$10,11 bilhões, com participações de 59,9% de celulose e 25,2% de madeira), o grupo de cereais, farinhas e preparações (US$5,55 bilhões, sendo 89,8% do milho em grão), e complexo sucroalcooleiro (US$4,45 bilhões, dos quais 83,7% de açúcar). Esses cinco grupos agregados representaram 80,4% das vendas externas setoriais brasileiras (Tabela 7).

O café (US$3,73 bilhões), importante grupo na pauta das exportações brasileiras, embora com variação positiva do valor apurado no período (12,8%), permaneceu na sexta posição no ranking, reflexo da queda do preço internacional do café verde em grão, ainda que o embarque do produto tenha aumentado (39,5%), passando de 1,15 milhão de tonelada, até setembro de 2018, para 1,60 milhão de tonelada no acumulado de 2019.

 

 

 

 

2.3 - Destinos das Exportações do Agronegócio Brasileiro

Em relação aos destinos das exportações do agronegócio brasileiro no acumulado até setembro de 2019, a liderança permanece com a China (31,9% de participação), seguida pela União Europeia (17,7%), Estados Unidos (7,4%), Japão (3,1%), Irã (2,7%), e Hong Kong (2,2%). A tabela 8 apresenta os 20 principais destinos das exportações que somados representam 85,1% do total, e as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos.

Ainda de acordo com a tabela 8, observa-se uma diferenciação na composição das pautas dos principais países. A China importa principalmente produtos do complexo soja (70,9%), enquanto a União Europeia possui pauta mais diversificada, com destaque para o complexo soja (31,4%), os produtos florestais (18,6%) e o café (13,7%). Os Estados Unidos têm como principal produto na pauta os produtos florestais (40,9%) seguido pelo café (13,5%). Na sequência, o Japão tem como principais pautas carnes (28,2%), o grupo de cereais (27,2%) e café (13,3%). O Irã apresenta-se como importador dos grupos de cereais (43,3%, sendo a totalidade do milho em grão) e complexo soja (41,8%).

 

 

Dos produtos da pecuária brasileira, o grupo de carnes destaca-se como importante exportador de proteína animal e tem expressiva participação das vendas para os seguintes países (Tabela 8): Hong Kong (91,0%), Emirados Árabes (65,8%), Arábia Saudita (53,8%), seguidos do Chile (52,7%), Egito (39,3%) e Rússia (35,0%).

 

2.4 – Participação do Agronegócio na Balança Comercial Brasileira

A participação do agronegócio nos totais do país apresentou ligeiras variações, com recuo de 0,1 ponto percentual tanto nas exportações como nas importações na comparação entre o acumulado de 2019 e de 2018 (Figura 6).

 

3 - PARTICIPAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO BRASIL

A participação paulista no total da balança comercial brasileira apresentou pequenas variações: queda de 0,6 ponto percentual nas exportações e de 0,2 ponto percentual nas importações no período analisado, apontando valores de 21,3% nas exportações e de 33,6% para as importações de representatividade (Figura 7).

As exportações setoriais do agronegócio de São Paulo de janeiro a setembro de 2019 representaram 15,2% em relação ao brasileiro, 1,3 ponto percentual abaixo do mesmo período de 2018; já as importações representaram 34,0%, 1,5 ponto percentual inferior ao verificado no ano anterior (Figura 8).

 

 

 

 

1Estado produtor (Unidade da Federação exportadora), para efeito de divulgação estatística de exportação, é a Unidade da Federação onde foram cultivados os produtos agrícolas, extraídos os minerais ou fabricados os bens manufaturados, total ou parcialmente. Neste último caso, o estado produtor é aquele no qual foi completada a última fase do processo de fabricação para que o produto adote sua forma final.

 

2Estado importador (Unidade da Federação importadora) é definido como a Unidade da Federação do domicílio fiscal do importador.

 

3Os grupos de produtos dos agronegócios podem ser vistos em: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Agrostat. Brasília: MAPA, 2019. Disponível em: http://indicadores.agricultura.gov.br/agrostat/index.htm. Acesso em: out. 2019.

 

 

Palavras-chave: agronegócio, balança comercial, exportações, importações, comércio exterior, grupo de produtos.


Data de Publicação: 16/10/2019

Autor(es): Carlos Nabil Ghobril (nabil@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Marli Dias Mascarenhas Oliveira (marli@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor