Balança Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro, Ano de 2025


 

1 - BALANÇA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Em 2025 as exportações do Estado de São Paulo1 somaram US$71,16 bilhões (20,4% do total nacional), e as importações2, US$86,52 bilhões (30,9% do total nacional), registrando déficit comercial de US$15,36 bilhões (Figura 1). Em relação a 2024, houve ligeira queda nas exportações (-0,4%) e aumento nas importações (+14,0%); essa conjunção de desempenhos resultou na elevação do déficit (+243,6%) no saldo da balança comercial paulista.

Vários fatores contribuíram para o aumento do déficit da balança em 2025. Os principais foram a valorização do real frente ao dólar em 2025 que favorece as importações, as compras de plataformas de perfuração e exploração de petróleo (US$2,8 bilhões) e de maiores compras de óleo diesel (+US$866 milhões), associadas à redução das exportações do açúcar de cana, principal produto na pauta paulista, US$3,30 bilhões inferior às vendas realizadas em 2024.



1.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial do agronegócio3, o resultado do setor paulista no ano de 2025, na comparação com o ano anterior, apresentou redução nas exportações (-6,7%), alcançando US$28,82 bilhões e aumento nas importações (+1,4%), totalizando US$5,73 bilhões; com esses resultados, a balança comercial do agro paulista obteve um superávit de US$23,09 bilhões, 8,6% inferior em relação ao ano de 2024 (Figura 1). Com esses resultados, o valor das exportações do agro paulista é o segundo maior da série histórica, uma vez que o recorde foi obtido em 2024 quando atingiu US$30,90 bilhões.

A participação das exportações do agronegócio paulista no total do estado em 2025 foi de 40,5%, enquanto a participação das importações setoriais foi de 6,6% (Figura 1).

Há que se destacar que as exportações paulistas nos demais setores da economia - exclusive o agronegócio - somaram US$42,34 bilhões, e as importações, US$80,79 bilhões, gerando um déficit externo desse agregado de US$38,45 bilhões em 2025. Dessa forma, conclui-se que o déficit do comércio exterior paulista só não foi maior devido ao desempenho do agronegócio estadual, cujo saldo se manteve positivo (US$23,09 bilhões).

A figura 2 apresenta os resultados das exportações, importações e respectivos saldos comerciais da balança paulista do agronegócio do período de 2000 a 2025. Observa-se o crescimento das exportações e do saldo comercial a partir do ano de 2020, sendo que, nos últimos quatro anos, os valores das exportações ultrapassaram a casa dos US$25 bilhões para as exportações e de US$20 bilhões de superávit de saldo, mas recuaram em 2025 por conta dos menores volumes exportados e de preços do açúcar, devido à conjuntura de maior produção mundial na última safra.



1.2 - Exportações do Agronegócio Paulista por Grupos de Produtos

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista no acumulado do ano de 2025 foram: complexo sucroalcooleiro (US$8,95 bilhões, sendo que desse total o açúcar representou 93,0%, e o álcool etílico – etanol, 7,0%), setor de carnes (US$4,43 bilhões, em que a carne bovina respondeu por 85,0%), grupo de sucos (US$2,98 bilhões, dos quais 97,9% referentes a suco de laranja), produtos florestais (US$2,97 bilhões, com participações de 55,8% de celulose e 35,5% de papel), e complexo soja (US$2,32 bilhões, tendo a soja em grão 77,9% de participação no grupo). Esses cinco agregados representaram 75,1% das vendas externas setoriais paulistas (Tabela 1). Já o grupo de café, tradicional nas exportações paulistas, aparece na sexta posição, com vendas de US$1,82 bilhão (77,0% referentes ao café verde e 19,3% de café solúvel).

Ainda de acordo com a tabela 1, em 2025 na comparação com 2024, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos da pauta paulista, com aumentos para os grupos de café (+42,1%), setor de carnes (+24,2%) e complexo soja (+2,0%), e quedas nos grupos de complexo sucroalcooleiro (-28,4%), produtos florestais (-5,2%) e sucos (-0,7%). Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.



1.3 - Exportações dos Principais Produtos do Agronegócio Paulista

Os dados de valor e volume exportados dos principais produtos dos grupos mais relevantes do agronegócio paulista no ano de 2025 frente ao mesmo período do ano anterior são apresentados na tabela 2.


Desses grupos relevantes, o sucroalcooleiro é o que apresenta a maior participação (31,0%) nas exportações paulistas. No total, o grupo apresentou quedas de 28,4% em valores e 16,9% em volumes exportados, acompanhando as menores vendas externas do açúcar (-28,4% em valores e -16,1% em volume), principal produto do grupo, com desvalorizações nos preços médios de 14,3% para açúcar em bruto e 17,4% para o refinado, quando comparados ao ano de 2024. Para o álcool, os embarques apresentaram variações negativas de 31,8% em volume e de 27,8% em valores. Os destinos das exportações desse grupo são bem diversificados em termos de participação em valores dos países, e os resultados apresentam como principais compradores: China (13,8%), Índia (7,8%), Arábia Saudita (6,3%), Bangladesh (5,8%), Indonésia (5,6%), Emirados Árabes Unidos (5,5%), Nigéria (5,1%), Egito (4,7%), Marrocos (4,1%), Argélia (3,8%), Iraque (3,1%), Malásia e Coreia do Sul (3,0%, cada um); os demais países representam 28,4%.

O grupo de carnes ocupa a segunda posição na pauta paulista com 15,4% de representatividade e apresentou altas em valores (+24,2%) e em volumes embarcados (+9,3%) em relação a 2024. A carne bovina, principal produto com 85,0% de contribuição no grupo, registrou aumentos de 25,2% em valores e de 8,1% no volume exportado. Para a carne de frango, segundo produto com 12,3% de participação no grupo, o desempenho obtido foi positivo nas vendas em valores (+14,3%) e em volumes (+10,3%). A carne suína (1,7% de participação) apresentou resultados de crescimentos em valores (+149,0%) e na quantidade embarcada (+102,2%), impulsionado pelas maiores compras da Filipinas. Os principais destinos em participação são China (46,3%), Estados Unidos (11,2%), União Europeia (7,8%), Filipinas (4,1%), Arábia Saudita (3,0%), Hong Kong e México (2,9%, cada um) e Chile (1,9%), enquanto os demais países compradores representam 19,9%.

Na terceira posição no acumulado de 2025 aparece o grupo de sucos com 10,4% de representatividade na pauta paulista, e o suco de laranja (FCOJ concentrado e congelado) registrou quedas de 9,3% no valor e de 21,2% no volume exportado. Para o suco NFC (não congelado, valor brix <=20), as vendas externas apresentaram ganho em valores (+15,0%) e queda em volumes (-5,5%). Já os outros sucos de laranja não fermentados tiveram reduções em valores de 11,1% e 21,3% em volumes. A variação total das exportações do grupo de sucos foi negativa em valores (-0,7%) e em volumes (-8,9%). Os maiores compradores desse grupo foram Estados Unidos (47,9%), União Europeia (43,4%), China (3,2%) e Japão (2,4%); os demais compradores têm 3,1% de participação.

O grupo produtos florestais, com 10,3% de participação, se apresenta na quarta posição, e seu desempenho foi de queda em valores (-5,2%) e na quantidade embarcada (-4,3%) em relação ao ano de 2024. As exportações dos produtos de celulose, principal item do grupo, apresentaram perdas em valores (-3,7%) e menores embarques (-6,7%). O subsetor de papel também mostrou variações negativas para os valores (-10,2%) e no volume (-0,5%). O principal destino em participação de valores exportados é a China (39,3%), seguida de União Europeia (12,9%), Estados Unidos (9,0%), Argentina (5,3%), Peru (4,4%), Reino Unido (3,6%), Chile (3,2%) e Colômbia (3,0%); outros países somam 19,3% de participação.

Para o grupo composto pelo complexo soja (5ª posição e 8,0% de participação), os dados de 2025 apontam aumentos nos embarques (+12,2%) e em valores (+2,0%), em função dos resultados da soja em grão, principal produto do grupo, que apresentam expansão nos valores (+6,1%) e nos volumes (+14,5%), ultrapassando 4,5 milhões de toneladas embarcadas (4,2% do total nacional), e do farelo de soja, com redução em valor (-12,6%) e maior quantidade exportada (+7,1%), quando comparados a 2024. A China aparece como principal destino em termos de participação de valores (67,7%), seguida de União Europeia (6,5%), Indonésia e Tailândia (4,3%, cada um), Índia (3,9%) e Irã (3,4%); os demais importadores somam 9,9%.

Para o grupo do café, 6,3% de participação na pauta paulista, os resultados apontaram crescimentos de 42,1% nos valores e queda de 8,6% no volume das exportações paulistas. O principal produto deste grupo é o café verde, que registrou aumentos nas vendas externas de 54,1% em valores e redução de 7,5% em quantidades exportadas pelo estado. A alta de 66,6% no preço médio verificado em 2025 justifica o desempenho positivo. O café solúvel obteve incremento de 10,8% em valores e queda de 15,4% em volume comercializado. A União Europeia é o principal destino e suas compras representam 46,2% do valor exportado. Na sequência aparecem Estados Unidos (14,0%), Japão (6,0%), Canadá (4,3%), Argentina (3,6%) e Rússia (3,5%); os demais países participam com 22,4%.

O grupo de pescado, que é um setor em expansão no agro paulista, apresentou crescimento de 28,3% em 2025, com faturamento de US$51,60 milhões. O principal produto exportado deste grupo foi a lagosta, com 45,2% de participação e embarques de 995 toneladas (em 2024 foram 400 toneladas), seguido pela tilápia (29,9%, com embarques de 2,45 mil toneladas). Os principais destinos são os Estados Unidos (49,7%) e a China (32,4%).


1.4 - Destinos das Exportações do Agronegócio Paulista    

Em relação aos destinos das exportações do agronegócio paulista em 2025, a China é o principal destino das exportações do estado de São Paulo, com US$6,89 bilhões e detendo 23,9% de participação no total do agro paulista e registrando variação positiva de 16,7% em relação ao valor do ano de 2024. Na segunda posição aparece a União Europeia (US$4,14 bilhões, 14,4% de participação em 2025 e variação positiva de 5,1% no valor ante ao ano de 2024), seguido pelos Estados Unidos (US$3,47 bilhões, participação de 12,1% e incremento de 0,6% em valores). Na sequência, completando os dez principais destinos em termos de participação, aparecem Índia (3,1%), Arábia Saudita (2,7%), Indonésia (2,3%), Bangladesh (2,2%), Emirados Árabes Unidos (2,0%), Egito (1,8%) e Nigéria (1,6%). A tabela 3 apresenta os 20 principais destinos das exportações paulistas em 2025, que somados representam 79,5% do total, e as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos.

 

 

Ainda de acordo com a tabela 3, observa-se uma diferenciação na composição das pautas dos principais parceiros comerciais do agronegócio paulista. A China importou principalmente produtos dos grupos de carnes (29,8%), complexo soja (22,8%), sucroalcooleiro (17,9%) e florestais (17,0%), enquanto na União Europeia, entre os principais produtos da pauta de importações paulista, predominam os produtos do grupo de sucos (31,3%, basicamente suco de laranja), com destaques para os grupos de café (20,3%) e produtos florestais (9,3%) e carnes (8,4%). Já os Estados Unidos apresentam pauta mais diversificada, composta principalmente pelos sucos (41,1%), grupo das carnes (14,3%), produtos florestais (7,7%), café (7,3%), sucroalcooleiro (5,3%) e os demais grupos (24,3%). Na sequência, os países que ocupam da 4ª até a 10ª posição têm elevada concentração de suas importações no complexo sucroalcooleiro (sendo quase a totalidade em açúcar de cana), todos com mais de 70,0% de representatividade.

1.5 - Importações do Agronegócio Paulista

Os principais produtos da pauta de importação do agronegócio paulista no acumulado de 2025 foram papel (US$441,20 milhões), salmões (US$424,48 milhões), trigo (US$308,66 milhões, sendo importadas 1,3 milhão de toneladas, 5,5% maior em relação a 2024), vestuários e outros produtos têxteis (US$243,19 milhões) e leite em pó (US$218,74 milhões). Das mercadorias da pauta do estado de São Paulo, destaca-se a borracha natural, que apresenta aumentos nas quantidades importadas (+36,7%) - esses aumentos foram significativos em 2025, totalizando 90,9 mil toneladas. Em 2024, a importação foi menor em relação aos anos anteriores, mas observou-se desaceleração nas compras nos meses de setembro, outubro e novembro de 2025, com redução média de 30% no volume importado e retomada em dezembro de 25 (+18,0%). A figura 3 apresenta os dez principais itens que representam 44,0% (US$2,52 bilhões) do total importado (US$5,73 bilhões).


2 - BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL

A balança comercial brasileira registrou superávit de US68,30 bilhões em 2025, com exportações de US$348,68 bilhões e importações de US$280,38 bilhões. Esse resultado apresenta redução de 7,9% no superávit em relação ao ano de 2024, quando alcançou US$74,18 bilhões (Figura 4), e a corrente de comércio (soma das exportações e importações) registrou aumento de 4,9%, atingindo US$629,06 bilhões.


 

2.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial, as exportações do agronegócio brasileiro no ano de 2025 (Figura 4) aumentou 3,0% em relação ao ano anterior, alcançando o valor recorde de US$169,23 bilhões (48,5% do total nacional). Já as importações aumentaram 4,5% no período, registrando US$20,16 bilhões (7,2% do total nacional).

O superávit do agronegócio chegou a US$149,07 bilhões em 2025, sendo 2,8% superior na comparação com 2024 (Figura 4).

Portanto, o comércio exterior brasileiro só não foi deficitário devido ao desempenho do agronegócio, uma vez que os demais setores da economia, com exportações de US$179,45 bilhões e importações de US$260,22 bilhões, produziram um déficit de US$80,77 bilhões no ano de 2025.

A figura 5 apresenta o comportamento dos resultados da balança comercial do agronegócio brasileiro no período de 2000 a 2025. Observa-se que, até os anos 2020, os valores das exportações estão na casa dos US$100 bilhões, chegando a US$120 bilhões em 2021 e com um salto expressivo na casa dos US$160 bilhões para os anos em 2022 a 2025; o saldo da balança se mantém acima de US$ 140 bilhões, traduzindo o bom momento da agricultura nacional.


 

2.2 - Exportações do Agronegócio Brasileiro por Grupos de Produtos

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio brasileiro no ano de 2025 foram: complexo soja (US$52,89 bilhões, tendo a soja em grão 82,3% de participação e farelo de soja, 15,0%), carnes (US$31,81 bilhões, com as carnes bovina, de frango e suína representando desse total, respectivamente, 56,4%, 30,0% e 11,2%), produtos florestais (US$16,52 bilhões, com participações de 62,1% de celulose e 23,2% de madeira), café (US$16,08 bilhões com participação de 92,4% do café verde e 6,8% do café solúvel) e grupo sucroalcooleiro (US$15,06 bilhões, sendo que desse total o açúcar representou 93,7 e o álcool etílico – etanol, 6,2%). Esses cinco grupos agregados representaram 78,3% das vendas externas setoriais brasileiras (Tabela 4).

Ainda conforme a tabela 4, na comparação com o valor do ano de 2024, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos do agronegócio brasileiro, com destaque positivo para os grupos café (+30,3%), carnes (+21,5%) e cereais, farinhas e preparações (+1,4%), enquanto os grupos de complexo sucroalcooleiro (-23,5%), florestais (-4,4%) e complexo soja (-1,9%) apresentaram reduções. Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.



2.3 - Exportações dos Principais Produtos do Agronegócio Brasileiro

A tabela 5 apresenta os dados de valor e volume exportados dos principais produtos dos grupos mais relevantes do agronegócio brasileiro e suas respectivas variações em 2025, em comparação com o ano de 2024.


Desses grupos relevantes, aparece na primeira posição na pauta brasileira o grupo complexo soja (31,3% de participação). No período em análise, as vendas externas recuaram 1,9% em valores e avançaram 7,7% em volumes exportados. A soja em grão apresentou aumentos de 1,4% nos valores e de 9,5% nas quantidades exportadas, sendo comercializadas 108 milhões de toneladas do grão. Para o óleo de soja, os embarques registraram ganhos em receitas de 10,4% e redução de 0,3% em volumes, enquanto o farelo de soja teve variação negativa de 18,3% em valores e positiva de 0,7% em volume. A China representa 65,4% das compras em valores desse grupo, seguida por União Europeia (12,2%), Tailândia (4,5%), Indonésia (2,5%), Índia (1,8%), Vietnã (1,5%) e Irã e Turquia (1,4%, cada um); os demais países importadores representam 9,3%

O grupo de carnes, na segunda posição (18,8% de participação), apresentou ganhos de 21,5% em valores e 7,8% em volume em relação a 2024. A carne bovina teve aumentos em valores (+39,9%) e no volume exportado (+20,4%). Para a carne de frango, foram registradas queda em valores (-1,9%) e incremento nos embarques (+0,1%) e, para carne suína, crescimentos em valores (+19,6%) e na quantidade (+12,5%). Neste grupo, a China se destacou como principal destino, com 30,9% das compras de carnes; na sequência aparecem União Europeia (5,8%), Estados Unidos (5,3%), Filipinas (5,0%), México (4,7%), Chile (4,1%), Arábia Saudita Japão e Emirados Árabes Unidos (4,0%, cada um); os demais países somam 32,2% de participação.

Na terceira posição aparece o grupo produtos florestais (9,8% de participação) que, em 2025, registrou perda para valores (-4,5%) e ganho no volume exportado (+5,5%). As variações de valores e volume foram de, respectivamente, -3,1% e +13,0% para a celulose (principal item do grupo), de -8,8% e -12,3% para a madeira, e -2,4% e +4,5% para o papel. Os principais países importadores deste grupo são China (31,2%), União Europeia (18,6%), Estados Unidos (18,1%), Argentina (3,2%), México (2,8%), Reino Unido (1,7%), Peru, Chile, Turquia e Coreia do Sul (1,5%, cada um); os demais países participam com 18,4%.

O grupo do café na quarta posição (9,5% de participação) apresentou aumento em valores (+30,3%) e queda nas quantidades (-17,6%), puxado pelo café verde, principal produto do grupo, com variações positivas de 31,1% em valores, e recuo de -18,0% em quantidades exportadas pelo país. Quanto às participações dos países destinos das exportações em valores, a União Europeia representa 45,7% desse grupo, seguida por Estados Unidos (13,1%), Japão (6,7%), Turquia (3,8%), Rússia (3,3%), China (2,9%) e Coreia do Sul (2,4%); os demais países somam 22,1% de participação.

Na quinta posição e com 8,9% de participação, aparece o grupo sucroalcooleiro, que no acumulado de 2025 registrou quedas de 23,5% em valores e 11,8% em volumes exportados, devido às menores exportações do açúcar (-24,2% em valores e de -11,7% em volume). Para o álcool, os embarques apresentaram reduções em valores (-11,2%) e em volumes (-14,6%), quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Assim como no estado de São Paulo, os destinos das exportações desse grupo são bem diversificados em termos de participação dos países. Os resultados apontam a sequência composta por China (12,6%), Índia (7,3%), Bangladesh e Argélia (5,8%, cada), Indonésia (5,3%), Arábia Saudita (5,1%), Emirados Árabes Unidos (4,9%), Nigéria (4.6%), Malásia (4,2%) e Marrocos e Egito (3,9% cada um); os demais países importadores somam 36,6% de participação.

O grupo de cereais, farinhas e preparações (6,0% de participação), obteve resultados positivos em valores (+1,4%) e em quantidades embarcadas (-+1,6%). O milho em grão, principal item do grupo com 83,6% de representatividade, registrou crescimentos em volume (+3,0%) e em valores (+5,1%). Os principais destinos são Irã (19,6%), Egito (15,4%), Vietnã (11,2%), União Europeia (6,4%), Arábia Saudita (4,5%), Bangladesh (3,8%), Marrocos (3,7%) e China (3,6%), restando 31,8% de participação para os demais países.

 

2.4 - Destinos das Exportações do Agronegócio Brasileiro 

Em relação aos destinos das exportações do agronegócio brasileiro no ano de 2025, a China (US$55,30 bilhões, 32,7% de participação e variação positiva de 11,3% em relação ao ano anterior) é o principal destino das exportações do Brasil, seguida da União Europeia (US$25,21 bilhões, 14,9% de participação em 2025 e variação positiva de 8,6%) e dos Estados Unidos (US$11,40 bilhões, participação de 6,7% e variação negativa de 5,6%), impactado diretamente pelo tarifaço imposta pelo governo norte-americano em agosto de 2025. A tabela 6 apresenta os 20 principais destinos das exportações brasileiras de 2025, que somados representam 82,4% do total, e as respectivas pautas (em %) por grupos de produtos.     

A China importou principalmente produtos do complexo soja (62,6%), carnes (17,7%) e produtos florestais (9,3%), enquanto na União Europeia, entre os principais produtos da pauta de importações, predominam os grupos de café (29,2%), complexo soja (25,7%) e produtos florestais (12,2%). Já os Estados Unidos apresentam em sua pauta principalmente os grupos produtos florestais (26,2%), café (18,5%), carnes (14,7%) e sucos (14,1%, agregado no somatório dos demais grupos).

Destaque para o Vietnã, que aparece na quarta posição, consolidando como um dos principais destinos e perspectiva de crescimento nos próximos anos com os acordos bilaterais entre Brasil e Vietnã4. Os principais produtos importados pelos vietnamitas em 2025 foram o milho (24%), algodão bruto (19%), soja em grão (14%) e carne suína e fumo não manufaturado (4%, cada um).




2.5 - Importações do Agronegócio Brasileiro

Os principais produtos da pauta de importação do agronegócio brasileiro no acumulado do ano de 2025 foram trigo (US$1,60 bilhão, contabilizando 6,89 milhões de toneladas, 3,7% superior ao volume importado em relação a 2024), papel (US$1,06 bilhão), óleo de dendê e de palmas (US$869,2 milhões), salmões (US$847,48 milhões) e produtos têxteis de algodão e vestuário (US$827,23 milhões). A figura 6 apresenta os dez principais produtos que representam 39,9% (US$8,05 bilhões) do total importado (US$20,16 bilhões).

 

3 - PARTICIPAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO BRASIL

Em 2025, a participação paulista no total da balança comercial brasileira (todos os setores da economia) registrou queda de 0,8 ponto percentual nas exportações e aumento 2,0 p.p. nas importações, apontando valores de 20,4% nas exportações e de 30,9% de representatividade para as importações (Figura 7).

Para o agronegócio, as exportações setoriais de São Paulo em 2025 representaram 17,0% em relação ao agronegócio brasileiro, 1,8p.p. menor em relação a 2024 e as importações, caíram 0,9p.p., passando de 29,3% para 28,4% (Figura 7).

A participação dos grupos do agronegócio paulista no agronegócio nacional de em 2025 se destacou nos seguintes grupos de produtos, cuja participação em valores ultrapassa 50% do total nacional: sucos (85,2%), produtos alimentícios diversos (69,9%), plantas vivas e produtos de floricultura (62,3%), demais produtos de origem vegetal (59,9%) e complexo sucroalcooleiro (59,4%) (Tabela 7).




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A queda da participação do agro paulista no compito nacional (-1,78%), muito em função do menor desempenho dos embarques do complexo sucroalcooleiro, por conta da maior produção global e de menores preços internacionais em 2025.

A tabela 8 apresenta a contribuição dos estados brasileiros na composição da pauta nacional de exportações do agronegócio em 2024 e de 2025 e suas respectivas participações. O estado de São Paulo ocupa a segunda posição em 2025, com exportações de US$28,82 bilhões e participação de 17,0%, atrás do Mato Grosso (17,3%) na primeira posição. Na sequência aparecem Minas Gerais (11,7%), Paraná (10,4%), Rio Grande do Sul (8,9%), Goiás (6,7%), Mato Grosso do Sul (6,0%), Santa Catarina (4,7%) e Bahia (4,0%); os demais estados representam os 13,3% restantes.




1Estado produtor (unidade da Federação exportadora), para efeito de divulgação estatística de exportação, é a Unidade da Federação onde foram cultivados os produtos agrícolas, extraídos os minerais ou fabricados os bens manufaturados, total ou parcialmente. Neste último caso, o estado produtor é aquele no qual foi completada a última fase do processo de fabricação para que o produto adote sua forma final.

 

2Estado importador (unidade da Federação importadora) é definido como a unidade da Federação do domicílio fiscal do importador.

 

3Os grupos de produtos dos agronegócios podem ser vistos na opção Tabela de Agrupamentos em MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Agrostat. Brasília: MAPA, 2025.  Disponível em: http://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/AGROSTAT.html. Acesso em: jan. 2026.

 

4BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Abertura de mercado para o Brasil no Vietnã e na Arábia Saudita. Brasília, DF: Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/abertura-de-mercado-para-o-brasil-no-vietna-e-na-arabia-saudita. Acesso em: 21 jan. 2026.


Palavras-chave: agronegócio, balança comercial, exportações, importações, comércio exterior, grupo de produtos, superávit, saldo.

 

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE ARTIGO

ANGELO, J. A.; OLIVEIRA, M. D. M.; GHOBRIL, C. N. Balança Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro, Ano de 2025. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 21, n. 1, p. 1-21, jan. 2026. Disponível em: colocar o link do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.

Data de Publicação: 29/01/2026

Autor(es): José Alberto Angelo (jose.angelo@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Marli Dias Mascarenhas Oliveira (marlimascarenhasoliveira@gmail.com) Consulte outros textos deste autor
Carlos Nabil Ghobril (nabil@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor