Preços agropecuários sobem 4,52% na primeira quadrissemana de fevereiro de 2007

            Os preços recebidos pelos produtores paulistas aumentaram 4,52% na primeira quadrissemana de fevereiro de 2007, que compara as variações de preços nas últimas quatro semanas. Essa alta no Índice Quadrissemanal de Preços Agropecuários Recebidos (IqPR) se deve principalmente aos produtos de origem vegetal (IqPR-V) cuja variação positiva foi de 5,75%. Já os produtos de origem animal (IqPR-A) registraram aumento de 2,00% (gráfico 1).  Esse aumento percentual representa uma pressão altista nos indicadores de inflação, pois na quadrissemana anterior, a última de janeiro, os preços agropecuários haviam se elevado em 2,74%.

Gráfico 1 - Variação percentual dos preços recebidos pelos produtores no Estado de São Paulo, primeira quadrissemana de fevereiro de 2007

Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            Nas últimas quatro semanas, os preços agrícolas dos 20 produtos que compõem o IqPR apresentaram diferentes amplitudes de variação (tabela 1).

Tabela 1 - Variações das cotações dos produtos, Estado de São Paulo, primeira quadrissemana de fevereiro de 2007


Fonte: Instituto de Economia Agrícola

           Os produtos do IqPR que apresentaram a maior alta foram tomate para mesa (78,04%), laranja para mesa (37,33%), laranja para indústria (23,60%) e carne de frango (18,70%). Os produtos com maior queda foram banana nanica (-13,65%), feijão (-9,21%), ovos (-8,69%), café (-5,65), arroz (-5,32%) e carne suína (-5,18%) (gráfico 2).
           No período analisado, cinco produtos tiveram alta de preços (quatro de origem vegetal e um de origem animal) e 14 produtos tiveram quedas (nove do segmento vegetal e cinco do animal). Apesar da maioria dos produtos apresentar queda nos preços, os índices (IqPR, IqPR-V e IqPR-A) registraram variações positivas, pois os aumentos foram mais acentuados do que as quedas.

Gráfico 2 - Variações das cotações dos produtos, Estado de São Paulo, primeira quadrissemana de fevereiro de 2007.

 


Fonte: Instituto de Economia Agrícola


            O tomate para mesa registrou a maior elevação no período, devido às fortes chuvas ocorridas no Estado, o que prejudicou a produção. No caso da laranja, o aumento deve-se não apenas à entressafra, como também ao maior consumo de sucos no verão que levou as frutas para mesa a terem percentuais de aumentos superiores aos verificados na laranja para indústria.
            A carne de frango foi o único produto de origem animal com elevação, em função da baixa oferta, visto que os produtores haviam diminuído o alojamento de aves nos meses anteriores face às perspectivas não tão favoráveis do mercado externo.
 A banana nanica apresentou a maior queda, ocasionada pelo aumento da oferta do produto no mês de janeiro devido às condições climáticas que favoreceram o seu desenvolvimento, porém com magnitude menor comparada com a última quadrissemana de janeiro (-17,60%).
            O feijão teve queda de 9,21% no período. Isso reflete uma realidade de produto de qualidade inferior devido às chuvas na colheita, numa conjuntura de safra cuja oferta momentânea se mostra superior à demanda. Para um produto no qual há oferta em quase todos os meses do ano, e o consumidor deprecia o feijão velho na presença de feijão novo, as perspectivas de armazenamento envolvem elevado risco de preços, o que pressiona para baixo os preços recebidos.
Se desconsiderarmos a cana-de-açúcar, o resultado do IqPR pula de 4,52% para 7,41%, enquanto o IqPR-V vai de 5,75% para 12,67%, devido a sua elevada representatividade na produção agropecuária paulista (gráfico 3). Isto porque, por ser a mais importante lavoura paulista, a cana tem queda de preços.

Gráfico 3 - Variação percentual dos índices de preços recebidos pelos produtores, no Estado de São Paulo, com ponderações paulistas e brasileira1, primeira quadrissemana de fevereiro de 2007  
 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola

        Já o IqPR Brasil e o IqPR-V Brasil foram inferiores aos números de São Paulo, com valor de 1,98% e 1,04%, respectivamente, enquanto o IqPR-A Brasil ficou acima do equivalente paulista, com 3,16%. Essas discrepâncias se dão em virtude das diferenças de importância dos produtos na formação das respectivas rendas agropecuárias (gráfico 3).

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1 O Estado de São Paulo representa um espaço econômico formador de preços na agricultura brasileira. Daí a opção de apresentar os índices de preços, ainda que no mercado paulista, considerando uma ponderação para todo Brasil (consistida nas participações dos diferentes produtos considerados na produção agropecuária nacional) e também a ponderação para São Paulo (consistida nas participações dos diferentes produtos considerados na produção agropecuária estadual). Ainda em busca do maior aprofundamento na compreensão dos movimentos dos preços, apresentam-se as variações dos índices com ponderação paulista em duas tabulações: uma sem a cana para indústria e outra com a cana para indústria, lavoura que pela sua representatividade na produção estadual pode levar a interpretações não apropriadas do movimento dos preços.

Data de Publicação: 22/02/2007

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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