Preços agropecuários sobem 0,83% na terceira quadrissemana de março

            O Índice Quadrissemanal de Preços Agropecuários Recebidos (IqPR) do Estado de São Paulo teve alta de 0,83% na 3ª quadrissemana de março de 2007. Essa alta se deve principalmente aos produtos de origem animal (IqPR-A), cuja variação positiva foi de 3,34%. Já os produtos de origem vegetal (IqPR-V) registraram queda de 0,40%.
            O IqPR apresentou sucessivas desacelerações nas últimas cinco quadrissemanas, puxado pelas quedas seguidas dos preços dos produtos de origem vegetal (que se mantiveram estáveis em relação ao período anterior). Já o IqPR-A apresentou alta nas últimas quadrissemanas, mas com desaquecimento nestas altas (figura 1).

Figura 1 - Evolução dos Índices Quadrissemanais de Preços Agropecuários, janeiro a março de 2007

            Nas últimas quatro semanas, os preços agrícolas dos 20 produtos que compõem o IqPR apresentaram as seguintes amplitudes de variação (tabela 1).

Tabela 1 - Variações das cotações dos produtos, Estado de São Paulo, 3ª Quadrissemana de março de 2007

 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola - IEA

 

            Os produtos do IqPR que apresentaram a maior alta nos preços foram o tomate para mesa (30,46%), os ovos (19,16%), a banana nanica (15,31%) e o feijão (10,36%). Os produtos com maior queda foram o milho (-13,21%), a carne suína (-8,76), o arroz (-8,15%) e o café (-4,37%) (figura 2).
            O tomate voltou a apresentar aumento de preço (o maior do período), em virtude da baixa produção, pois os produtores reduziram a área plantada e os investimentos, já que tinham expectativas desfavoráveis. Outro fator que favoreceu essa alta foi a expectativa de consumo maior nesta época do ano.
            Os ovos continuam apresentando aumento de preços como conseqüência da menor oferta do produto nessa época do ano, em função do ajuste no alojamento das poedeiras e da perspectiva de aumento de consumo com a proximidade da Semana Santa.
            A queda das cotações do milho foi ocasionada pelo aumento da oferta, já que estamos na fase final da colheita.
            No período analisado, dez produtos apresentaram alta de preços (seis de origem vegetal e quatro de origem animal), enquanto dez produtos tiveram quedas (oito do segmento vegetal e dois do animal).

Figura 2 - Variações das cotações dos produtos, Estado de São Paulo, 3ª Quadrissemana de março de 2007

            Desconsiderando a cana-de-açúcar para indústria, o resultado do IqPR salta de 0,83% para 1,73%, enquanto o IqPR-V vai de -0,40% para 0,16%. Com o recuo nas últimas quadrissemanas analisadas, o preço da cana contribuiu diretamente para segurar o IqPR e o IPR-V devido a sua elevada representatividade na produção agropecuária paulista (figura 3).
 

Figura 3- Variação percentual dos índices de preços recebidos pelos produtores, Estado de São Paulo, com ponderações paulistas e brasileira, 3ª Quadrissemana de março de 2007

            Como tem ocorrido nas últimas quadrissemanas, o IqPR Brasil e o IqPR-A Brasil foram inferiores aos números de São Paulo1, com valores de 0,38% e 1,24%, respectivamente. Já o IqPR-V Brasil foi ligeiramente superior ao número paulista, ficando em -0,31%. Essas discrepâncias se dão em virtude das diferenças de importância dos produtos na formação das respectivas rendas agropecuárias (figura 3).
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1 O Estado de São Paulo representa um espaço econômico formador de preços na agricultura brasileira. Daí a opção de considerar na apresentação dos índices de preços, ainda que no mercado paulista, uma ponderação para todo Brasil (consistida nas participações dos diferentes produtos considerados na produção agropecuária nacional) e também para São Paulo (consistida nas participações dos diferentes produtos considerados na produção agropecuária estadual). Ainda em busca do maior aprofundamento na compreensão dos movimentos dos preços, apresentam-se as variações dos índices com ponderação paulista em duas tabulações: uma sem a cana para indústria e outra com a cana para indústria, lavoura que pela sua representatividade na produção estadual pode levar a interpretações não apropriadas do movimento dos preços.

 


Data de Publicação: 29/03/2007

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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