Caracterização de Propriedades que Cultivam Coco no Estado de São Paulo: LUPA 2016/17


 

Com o intuito de caracterizar a cultura do coco no Estado de São Paulo, foi utilizado o Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo2 (LUPA 2016/17), realizado em conjunto com o Instituto de Economia Agrícola (IEA) e a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS).

A cocoicultura ocorreu em 37 dos 40 Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs), abrangendo um total de 241 municípios do estado. Os principais EDRs que cultivam esse produto foram Presidente Prudente, com área de 182,0 ha, Marília com 166,5 ha e Andradina com 141,2 ha. Dentre os munícipios, Santo Antônio do Aracanguá apresentou a maior área plantada, com 134,5 ha com mais de 10 mil pés de coqueiro, seguido dos municípios de Campos Novos Paulista (100,0 ha) e Garça (83 ha), entre outros. A cultura ocorreu em 952 Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) de um total de 339.442 UPAs no Estado de São Paulo. A área ocupada com coco no estado foi de 2.084,1 ha, e a área total dessas UPAs foi de 43.316 ha, ou seja, a cultura do coco ocupou 4,8% da área total dessas propriedades (Tabela 1).

 


A participação da área ocupada com coco em relação à área total da UPA destaca-se na faixa entre [0% – 20%], com 773 UPAs e participação de 81,2%, no total das UPAs com o cultivo. Apenas 20 UPAs ocuparam a faixa de [80,1% a 100%], o que correspondeu a 2,1%. Esses dados apontam que a cultura do coco ocupou, em sua maior parte, pequenas áreas dentro das propriedades (Tabela 2).

 


Nas propriedades com cultivo do coco, outras atividades agrícolas são desenvolvidas. Em termos de área, os principais grupos de culturas encontrados foram os das forrageiras (19.266,5 ha), com destaque para a braquiária (91,7% do grupo) com 17.667 ha, seguido pelo grupo das demais culturas (13.556,8 ha), com cana-de-açúcar finalidade indústria (56,7% do grupo), seringueira (12,4% do grupo) e soja (7,9% do grupo), principalmente. Em patamar inferior, vem o grupo das frutíferas (1.547,1 ha) liderado pela laranja destino indústria (29,8% do grupo), manga (12,2% do grupo) e laranja destino mesa (11,2% do grupo). Para o grupo das florestais (746,9 ha), a principal atividade foi a cultura do eucalipto (91,2% do grupo). O grupo que ocupou a menor área foi o de olerícolas (303,7 ha), destaque para a abóbora (55,4% do grupo) e a batata-doce (9,8% do grupo).

O LUPA distribui as propriedades que cultivam coco, em faixas de área: 644 UPAs na faixa [0,20) ha, 232 UPAs na faixa [20,100) ha, 65 UPAS na faixa [100,500) ha, 8 UPAS na faixa [500,1000) ha, 1 UPA na faixa [1000,2000) ha e 2 UPAs na faixa [2000,5000] ha (Figura 1).

 

 

 

Os proprietários das UPAs que cultivam coco apresentaram nível de instrução, superior ao do estado3. Do total de 952 propriedades, 278 apresentaram o curso superior completo (29,2%), 231 concluíram o ensino médio (24,3%) e 208 o ensino fundamental (21,8%), 189 eram alfabetizados (19,9%) e apenas 32 produtores eram analfabetos (3,4%). Do total de produtores, 14 eram pessoas jurídicas (1,5%).

Ainda neste levantamento, os informes mostraram que em 535 UPAs, ou seja, em 56,2% do total, os proprietários não residiam na propriedade, enquanto nas 417 restantes, os proprietários residiam na própria UPA, o que correspondia a uma participação de 43,8%. Outras características dos produtores de coco é a de que 285 utilizaram crédito rural e somente 56 fizeram seguro rural. Com relação à utilização de escrituração agrícola, 396 produtores utilizaram-se dessa prática.

A utilização de tecnologia também não é um dos pontos fortes dos produtores de coco: 172 produtores acessaram à internet e 152 utilizaram computadores; ambos, para fins de agropecuária, corresponderam a 18,1% e 16%, respectivamente. A energia elétrica foi utilizada por 907 produtores (95,3%).

A maioria dos cocoicultores participou de diferentes formas de organização e, por isso, mostrou um bom trabalho em conjunto, o que propiciou ganho em benefícios, atingindo metas comuns. Dos 952 produtores, 73 eram ao mesmo tempo sindicalizados, associados e cooperados; 72 eram sindicalizados e cooperados; 36 eram sindicalizados e associados; já cooperados e associados eram 56 produtores; 72 eram somente sindicalizados; 152 faziam parte de associações; e 107 eram cooperados. Do total de produtores, 384 não faziam parte de nenhuma organização o que corresponde a 40,3% (Figura 2).

 

 

O levantamento censitário LUPA possibilitou a avaliação dos produtores de
coco em relação à utilização de assistência técnica. No ano do levantamento, 411 UPAs utilizaram assistência técnica governamental, o que representou 43,2% do total,
101 UPAs utilizaram a privada, e 203 UPAs ambas. Portanto, 715 UPAs utilizam assistência técnica, o que correspondeu a 75,1%. Do total de produtores de coco, 237 não
utilizaram nenhuma assistência técnica, o que correspondeu a aproximadamente um quarto do total.

A distribuição da renda familiar, oriunda da produção agropecuária, mostrou que 27,7% do total dos plantadores de coco se encontrava na faixa de [81 – 100%] com 264 UPAs. Na faixa de [0 – 20%], na qual a principal renda veio de outros setores da economia, o número de UPAs foi de 333, o que representou 35% dos produtores (Tabela 3).

 

 

 

Dentre as características da cultura levantadas pelo LUPA, pode-se destacar a colheita manual que foi realizada quase que na totalidade, ou seja, em 2.062,7 ha, atingindo 99,2% da área total cultivada com coco. A cultura foi irrigada em 562,2 ha, o que correspondeu a 10,8% Na sequência, por ordem de destaque, tem-se o plantio sem produção com 8,4%; orgânico ou transição 2,1%; arrendamento-parceria também com 2,1%; plantio direto 1,7%; integração lavoura/pecuária/floresta 0,7%; e, ainda, produção de semente com 0,6% da área (Figura 3).

 

Algumas UPAs produtoras de coco praticaram atividades não agropecuárias. As atividades que se destacaram foram: 17 UPAs com esporte e lazer; 8 UPAs com restaurante; 7 UPAs com agroindústria; 7 UPAs com pesque-pague; 5 UPAs com hotel fazenda/pousada/SPA; 3 UPAs com transformação artesanal; 3 UPAs turismo; e 24 UPAs com outras atividades.

  

1Os autores agradecem a Josilene Ferreira Coelho pelas contribuições auferidas no texto.

 

2SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Instituto de Economia Agrícola. Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável. Projeto LUPA 2016/17: Censo agropecuário do Estado de São Paulo. São Paulo: SAA: IEA: CDRS, 2019.

 

3MARTINS, V. A. et al. levantamento censitário por unidades de produção agropecuária 2016/17 Informações Econômicas, São Paulo, 2020, v. 50; eie 092019. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/ie/2020/IE-19-2019.pdf. Acesso em: abr. 2020.

Palavras-chave: coco, LUPA, Estado de São Paulo.


Data de Publicação: 06/05/2020

Autor(es): Paulo José Coelho (coelho@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Celma Da Silva Lago Baptistella (celma@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor