Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2019/20, Junho de 2020


 

1 - INTRODUÇÃO

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP), por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), realizou entre 1 e 30 de junho de 2020 o terceiro levantamento da previsão e estimativa da safra agrícola para as principais culturas do Estado de São Paulo no ano corrente. Os resultados divulgados para a safra 2019/20 foram obtidos por meio de levantamento seguindo o método subjetivo2, em todos os 645 municípios do Estado de São Paulo.

À época do levantamento, o estado já se encontrava em isolamento social, decretado pelo governador (Decreto n. 64.881, de 22 de março de 2020). Entretanto, os técnicos da CDRS, responsáveis também pela coleta dos dados, utilizaram outros meios de comunicação para obter as informações necessárias, como a pesquisa por telefone quando não foi possível o deslocamento até o informante (cooperativas, associações, unidades produtivas e outras), em respeito e cumprimento ao decreto.

 

2 – INDICADORES GERAIS

Os resultados parciais e finais de área e produção dos produtos agrícolas da atual safra estão disponibilizados na tabela 1 para culturas anuais, e na tabela 2 para as culturas perenes e semiperenes.

O levantamento atual (junho/2020) apresenta os números finais da safra agrícola 2019/20 das culturas anuais: algodão, amendoim, arroz, batata e feijão da seca, cebola de bulbinho, milho primeira safra, soja e tomate envarado (mesa); e informações finais para as culturas perenes, seringueira e da uva fina para mesa.

 

 

 

 

 

Para as demais culturas, banana, feijão de inverno, café, cana para indústria, cebola muda e plantio direto, laranja, mandioca (indústria e mesa), milho da segunda safra, tomate rasteiro (indústria), trigo e triticale, as informações são parciais e, portanto, refletem a situação de momento e serão encerradas nos próximos levantamentos a serem realizados nos meses de setembro e/ou de novembro de 2020.

Foram elaborados índices que refletem a evolução da agricultura paulista no ano agrícola 2019/20 em comparação ao de 2018/19. Os resultados agregados indicam retração de 1,0% na área plantada, mas com aumento de 2,2% no volume a ser produzido, por conta do crescimento de 2,7% na produtividade da terra (Tabela 3).

 

 

O conjunto das culturas anuais apresenta acréscimo de 1,9% na produção e 2,9% na produtividade da terra, com destaque para o grupo dos grãos, especialmente soja, amendoim e arroz.

No caso das culturas perenes e semiperenes, o aumento de produção (2,2%) é influenciado pela melhor produtividade (2,6%), dado que a área diminui em 1,1%. A maior produção cafeeira é responsável pelo desempenho positivo desse grupo.

 

 

3 – ACOMPANHAMENTO DA SAFRA AGRÍCOLA 2019/20

3.1 – Algodão

Os números apresentados no Levantamento da Estimativa e Previsão de Safra, final para o algodão, de junho de 2020 do IEA/CDRS, confirmam que, nesta safra 2019/20, a cultura do algodão no Estado de São Paulo não manteve os números em área e produção verificados na safra passada 2018/19. Com a área prevista de aproximadamente 12,2 mil hectares, 12,0% inferior à verificada na safra anterior e produção de 39,2 mil toneladas, 13,3% menor que a obtida na safra de 2018/19, o levantamento final para o algodão indica que o produtor paulista reduziu suas expectativas quanto ao crescimento em área da cultura no estado. Com o rendimento da cultura menor em apenas 1,5% em relação ao apresentado na safra passada, a queda maior em termos percentuais foi em área e produção. Este fato pode significar que, no momento da decisão de qual cultura plantar, o melhor desempenho da soja tenha influenciado mais os produtores paulistas nesta safra no Estado de São Paulo.

O resultado da produção do algodão paulista safra 2019/20 em relação à safra passada é coerente com as expectativas de demanda desaceleradas no mercado interno e internacional. Estes fatores, redução da atividade industrial têxtil nacional e a diminuição da demanda externa pela fibra, podem representar uma forte barreira para os produtores paulistas quanto à decisão de aumentar ou mesmo manter a área de algodão na próxima safra.

 

3.2 – Amendoim

O Estado de São Paulo produziu, na safra agrícola 2019/20, 24,99 milhões de sacas de 25 kg de amendoim em grão, equivalente a 624,8 mil toneladas. Este resultado reflete um aumento de 33,2% em relação à safra passada, por conta do acréscimo de 22,1% na produtividade agrícola. As condições climáticas foram favoráveis na maioria do período vegetativo importante para a leguminosa3, quando foi acrescido de investimentos em tecnologia e no controle de doenças que vêm sendo aplicados. O Estado de São Paulo, maior produtor nacional respondendo por aproximadamente 90% da safra, apresenta aumento de área plantada da ordem de 9,1%, totalizando 154,1 mil hectares, tendo em vista que as condições de mercado estão favoráveis ao grão4. A região centro--oeste de São Paulo, que abarca Araçatuba, Assis, Bauru, Marília, Presidente Prudente, é a maior produtora de amendoim do Brasil. O clima e a terra são favoráveis ao plantio. A região nesta safra pretende colher 35% de todo volume estadual. A versatilidade do amendoim tem chamado atenção de produtores rurais, que aproveitam a entressafra da cana-de-açúcar para cultivar o grão, permitindo a recuperação do solo por meio da fixação de nitrogênio, além do aumento na receita gerada nas fazendas, que em 2019 foi de aproximadamente R$1,01 bilhão, 16,1% acima dos valores obtidos em 2018, por conta dos preços recebidos pelos produtores superiores em 31,2%5.

 

3.3 – Arroz

A estimativa final da safra paulista de arroz (incluindo áreas irrigadas) em 2020 é de 62,2 mil toneladas (1.036,84 mil sacas de 60 kg), 3,1% superior do que em 2019, por conta dos ganhos em 9,3% na produtividade agrícola. A produtividade média estadual, que nesta safra é de 6,34 mil kg/ha, está próxima da brasileira, que registra 6,50 mil kg/ha, segundo o IBGE6. O volume obtido provém de uma área plantada de 9.809,5 hectares, 5,7% menor daquela obtida na safra 2018/19, acompanhando comportamento nacional. Este resultado positivo de quantidade produzida se deve, principalmente, em áreas irrigadas nas regionais de Guaratinguetá, Pindamonhangaba e Registro, que respondem por aproximadamente 84% da área estadual plantada e por 90% da quantidade colhida na presente safra. Os períodos de seca ocorridos no estado acabaram por favorecer a cultura do arroz, já que houve a combinação de grande incidência de dias com temperaturas altas e noites amenas. Quando ocorreu a falta generalizada de água para as lavouras, a cultura já se encaminhava para o final do ciclo, não trazendo repercussões que afetassem sua produtividade.

 

3.4 – Banana

Em junho, foi realizado o quarto acompanhamento da safra 2019/20 desta cultura, que sinalizou variação de área (-1,8%) e produção (-2,7%). Contudo, observa-se ligeiro aumento de área nova nos Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs) de Jaú e Fernandópolis (Tabela 4). Levando-se em conta apenas a área em produção, houve acréscimo na produtividade (+0,6%) em relação à safra anterior. A atividade poderá atingir o total de 1,0 milhão de toneladas da fruta, em uma área de 51,6 mil hectares. Os três principais EDRs são os de Registro, São Paulo e Jales, que concentram 75,5% da produção paulista.

 

3.5 – Batata da Seca

O levantamento final da safra da batata da seca, realizado nesse mês de junho, apresentou variações negativas em relação à área, produção e produtividade. A área cultivada foi de 6,7 mil hectares, (-17,8%), a produção de 188,7 mil toneladas (-25,3%), com uma produtividade de 28.208 kg/ha. A diminuição pode ser explicada pela variação irregular do regime pluviométrico das regiões produtoras, aliada a uma menor demanda pelo produto. Os principais EDRs produtores são Avaré, Itapeva, Itapetininga, que concentram mais de 60% da produção paulista.

Houve uma readequação do calendário de levantamento, e o último relativo à batata de inverno passou para o mês de novembro.

 

3.6 – Café

A estimativa preliminar da safra 2019/20 para o café no Estado de São Paulo evidencia produção de 370,0 mil toneladas (6,17 milhões de sacas de 60 kg), superior em 39,7% em relação à safra anterior. Tal resultado é reflexo do aumento de produtividade em 39,4% (decorrente da acentuada bienalidade da lavoura típica da região de Franca), e não influenciado pelo ligeiro acréscimo de área produtiva (0,2%).

No EDR de Franca, estimou-se colheita de 2,86 milhões de sacas de 60 kg, confirmando recorde histórico de produção nessa regional para um ciclo de alta. O parque produtivo que soma 68.624 hectares elevou-se em 400 hectares frente à estimativa anterior (abril/2020), ampliando ainda mais a liderança do EDR na produção cafeeira paulista. Ademais, verificou-se incremento da média de produtividade nesse EDR, saltando para 41,9 sc. 60 kg/ha (incremento de 4,16 sc./ha frente à estimativa anterior). Tal patamar de produtividade posiciona a regional entre as mais eficientes em âmbito mundial.

No EDR de Marília também se constatou avanço na produção decorrente da melhoria da produtividade e incremento da área em produção. Nos demais EDRs relevantes na cafeicultura paulista (São João da Boa Vista e Ourinhos), observaram-se variações apenas na margem da produção e produtividade.

Com a colheita em andamento, os dados de produção e produtividade puderam ser mais acertadamente apurados pela equipe da CDRS. Isso explica os melhores resultados apresentados nessa estimativa de produção de café no Estado de São Paulo. Outro aspecto relevante na corrente safra é a qualidade final da bebida, favorecendo os cafeicultores na captura de ágios pelo produto oferecido ao mercado.

 

3.7 - Cana para Indústria

A previsão da safra agrícola paulista canavieira totaliza 438,9 milhões de toneladas, uma variação positiva da ordem de 0,8% em relação à 2018/19 em consequência do aumento de 1,3% na produtividade agrícola, causado pelas condições edafoclimáticas adequadas na região produtora, que ao longo da safra foi de 78.662 kg/ha. Esse volume previsto para a presente safra ora divulgado, contempla a produção potencial paulista da cana para indústria, que tem como destino a moagem industrial para etanol e açúcar, destilarias, garapa e afins, inclusive a provável produção advinda de área bisada. Não está incluída nesta estatística a cana destinada para alimentação animal. Contudo, o setor dá indícios de que o volume a ser produzido nesta safra dirija-se, principalmente, à produção de açúcar7.

A área plantada na safra agrícola 2019/20 é menor que a estimada em 2018/19 (-1,4%), quando se prevê colheita em 92,0% deste total. Há informação de que parte desses hectares reduzidos se deve à devolução de áreas arrendadas e de fornecedores, que preferiram substituir o plantio de cana-de-açúcar por outras culturas8. A finalização de contratos de arrendamento tem sido habitual, principalmente nas áreas impróprias à colheita mecanizada, pois faz parte da estratégia das unidades de produção para se tornarem mais eficientes, visto que as áreas não adequadas à colheita mecanizada tendem a ser descontinuadas com o plantio de cana-de-açúcar. Entretanto, também não deve ser desprezada a crise que o mercado sucroalcooleiro viveu nos últimos anos que afetou o campo e a indústria. Comparativamente à safra passada, na presente safra canavieira, prevê-se redução de novos plantios da ordem de 9,7% da área plantada. Só no EDR de Ribeirão Preto a área nova apresentou redução 43,4% em relação ao levantamento realizado no campo em novembro de 2019; contudo, a área a ser colhida é similar.

A produção paulista de cana para indústria está concentrada em 25% das regionais, respondendo por 57% tanto do total da produção estadual, como da área em produção para esta safra. São os EDRs de: Barretos, Orlândia, Ribeirão Preto, Araraquara, Andradina, Jaboticabal, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Jaú e Catanduva. A produtividade média agrícola deste polo canavieiro é superior à média estadual, chegando a mais de 79.000 kg/ha.

 

3.8 - Cebolas de Bulbinho, de Muda e de Plantio Direto

O levantamento final para cebola de bulbinho indicou redução de área (-23,8%) e de produção (-22,0%); a área ocupada foi de 0,4 mil hectares, e a produção de 17,0 mil toneladas, com uma produtividade levemente superior (2,3%) em 39.609 kg/ha.

O levantamento de junho, que é o segundo levantamento para a cebola de muda e a produzida em plantio direto, indica que a área plantada com cebola de muda foi de 1,7 mil hectares, (-24,7%), produção de 60,5 mil toneladas (-25,6%) e produtividade levemente inferior (-1,2%), de 36.136 kg/ha.

A cebola produzida em plantio direto apresentou variações negativas em relação a área, produção e produtividade. A área cultivada foi de 2,1 mil hectares (-14,3%), a produção de 106,6 mil toneladas (-14,7%) e produtividade de 51.189 kg/ha (-0,5%).

Tanto para cebola de muda quanto para a produzida em plantio direto, o levantamento de junho é o segundo da safra. O produto tem apresentado preços atrativos, principalmente em decorrência da cotação do dólar, que influencia os preços da cebola paulista devido à importação da cebola argentina. Espera-se, portanto, certa elevação da área cultivada nos próximos levantamentos.

Os principais EDRs produtores de cebola são: São João da Boa Vista, Jaboticabal e Itapeva.

 

3.9 - Feijão da Seca e de Inverno

As estimativas finais da safra 2019/20 do feijão da seca apresentou reduções de área, produção e de produtividade na comparação com a safra 2018/19. A área cultivada, de 16,1 mil hectares, recuou 32,7%, e a produção de 35,2 mil toneladas foi 34,8% menor na comparação com a safra anterior, com 3,2% de perdas na produtividade. O cultivo do feijão da seca é menor em termos de área entre as demais safras paulistas (águas e de inverno). Esse resultado negativo pode ser atribuído ao período de plantio em fevereiro e março, que coincide com o início das colheitas das culturas de soja e milho primeira safra, e também de problemas de doenças, como a infestação de pragas (mosca branca).

Para a cultura do feijão de inverno (irrigado e sem irrigação), no segundo levantamento da safra 2019/20, os números parciais mostram recuo significativo de 55,5% na área plantada, com 18,1 mil hectares ante aos 40,7 mil hectares da safra 2018/19, sendo esperada uma produção de 48,5 mil toneladas (-53,0%), mas ganhos de 5,7% na produtividade com 2.680 kg/ha.

Uma conjunção de fatores vem colaborando para a redução apresentada. O primeiro fator é a dificuldade dos técnicos da CDRS em levantar as informações com os produtores por conta do isolamento social devido à covid-19, uma vez que grande parte desses produtores de feijão é formada por pequenos agricultores, e suas áreas de cultivos somadas têm certa representatividade no total do estado. Outro fator que vem contribuindo com a diminuição de área de feijão de inverno é a expansão da cultura da soja que, após sua colheita, inviabiliza o plantio de feijão pelo alto risco de infestação da mosca branca (praga) na lavoura.

Quanto ao sistema de plantio, o feijão de inverno irrigado vem aumentando sua participação nos últimos anos no total do feijão de inverno: nesta safra (2019/20) representa 90% da área cultivada, e na safra passada essa participação foi de 82%.

Somando-se as três safras de feijão 2019/20, águas e secas (ambas encerradas) e a de inverno (encerra em setembro), a estimativa da produção paulista é de serem colhidas 225,7 mil toneladas, -25,7% em relação à safra 2018/19.

 

3.10 – Laranja

A estimativa preliminar da safra agrícola 2019/20 para a cultura da laranja, decorrente do levantamento realizado em todos os municípios do Estado de São Paulo em junho do corrente ano, é de 332,4 milhões de caixas de 40,8 kg (13.564 mil toneladas), volume próximo ao obtido na safra agrícola anterior (-0,9%).

O período de deficiência hídrica, principalmente nos meses de março e abril de 2020, quando os frutos já se encontram em estágio mais avançado de desenvolvimento, e a intensificação das altas temperaturas diurnas justificam o comprometimento desta safra, pois são fatores que afetam negativamente estágios importantes do desenvolvimento vegetativo dos pomares, como o florescimento e o desenvolvimento dos frutos. Essa situação climática foi notada em grande parte da região produtora de laranja, principalmente no noroeste do estado (regiões de Votuporanga e São José do Rio Preto). Entretanto, esse efeito é muito amenizado na região sudoeste (regiões de Avaré e Itapetininga), onde predomina a laranja com destino para mesa, com uso de irrigação. Outro indicativo para a presente safra é de uma produtividade agrícola de 31.777 kg/ha, equivalente a 2,0 cx./pé (779 cx.ha), registrando variação negativa de 1,00% em relação à safra agrícola anterior.

O volume contabiliza a safra paulista de laranja (safra agrícola 2019/20) destinada ao mercado e à indústria, as caixas perdidas no processo produtivo e na colheita, bem como os frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente, previsto para todos os pomares do Estado de São Paulo, independentemente do tamanho do pomar.

Quanto à área total plantada (que inclui área com plantas ainda não produtivas), nota-se acréscimo de 1,0%, embora se registre expectativa de crescimento em áreas onde, nesta safra, não se fará a colheita (aumento nas áreas com plantas ainda não produtivas da ordem de 15,6%, comparativamente à safra passada), ainda que de forma não uniforme regionalmente. Quanto à área produtiva, nota-se aumento pouco expressivo, de 0,1%, relativamente à safra 2018/19. A área ocupada com pomares de laranja está em 459,5 mil hectares, correspondendo a 184,8 milhões de plantas, sendo cerca de de 89% delas aptas para produção.

Há indícios de que haja continuidade no processo de erradicação por conta da eliminação de pomares comprometidos com a incidência de problemas fitopatológicos, principalmente cancro cítrico e HLB (greening). Existem, porém, sinais de reposição de pomares.

Segundo relatório do levantamento de incidência de doenças dos citros9, a incidência média de laranjeiras com sintomas de greening no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/sudoeste de Minas Gerais é de 20,97%, sendo 9,70% maior do que o de 2019. Constatou-se que, quanto menor a propriedade, maior é a incidência de plantas com sintomas de greening. Entretanto, a variação (para mais ou para menos, relativamente a 2019) da incidência acontece de maneira diversa nas diferentes regiões do parque citrícola.

A incidência da clorose variegada dos citros (CVC) continua caindo em todo o parque citrícola. A incidência média passou de 1,7%, em 2019, para 1,0%, em 2020. O levantamento mostrou que, quanto maior a idade das plantas, maior a incidência da doença: 1,96% nos pomares com idade acima de 10 anos, enquanto nos pomares com até 2 anos de idade a doença não foi encontrada.

Isto se deve, em parte, ao uso de mudas sadias; ao bom controle das cigarrinhas vetoras da CVC com os mesmos inseticidas que controlam o psilídeo do greening; e ao tempo relativamente longo normalmente necessário para que plantas infectadas manifestem os primeiros sintomas da doença10.

Comportamento similar ocorre nas propriedades menores.

O cancro cítrico está presente em 24,6% dos talhões e em 17,3% das árvores, no parque citrícola paulista e no Triângulo Mineiro, valores 9,0% e 15,0% superiores ao do ano passado, respectivamente.

A incidência de cancro cítrico aumentou em quase todos setores, regiões, tamanhos de propriedade e idade de pomar. O aumento de pomares e árvores com cancro cítrico era esperado depois que o estado de São Paulo adotou, em 2017, o status fitossanitário de Área Sob Mitigação de Risco (SMR), que permite a manutenção de plantas sintomáticas nos pomares11.

Da situação retratada, a redução da produção nesta safra também pode ser decorrente da queda prematura de frutos.

 

3.11 - Mandioca para Indústria e para Mesa

A área plantada para mandioca para indústria foi levemente reduzida em relação à safra passada (-4,3%), 59,7 mil hectares, e a produção diminuiu também, ficando em 1.204,1 mil toneladas (-2,4%), representando uma produtividade de 29.756 kg/ha
(-0,4%). Os principais EDRs produtores são: Presidente Venceslau, Marília e Assis

A mandioca para mesa também apresentou variação levemente negativa. A área passou de 21,1 mil hectares para 20,5 mil hectares (-2,6%), a produção passou de 280,8 mil hectares para 250,9 mil hectares (-10,7%), com uma produtividade de 16.317 kg/ha (-3,3%). Os principais EDRs produtores são: Sorocaba, Jaboticabal e Mogi Mirim.

3.12 – Milho

3.12.1 - Milho 1ª safra

O levantamento de junho traz os números finais da atual safra do grão. As estimativas indicam uma extensão de área produtiva de 352,8 mil hectares, 12,1% menor que a do ano anterior, com produção inferior em 10,2% e produtividade superior em 2,1%, com 107,6 sc./ha. Entretanto, estas variações de área e produção devem ser vistas com ressalvas, pois, neste ciclo, houve revisão metodológica no levantamento do produto, acarretando ajustes nas estimativas. De forma geral, a produção transcorreu sem oscilações climáticas que pudessem interferir negativamente no resultado e, com isso, a produtividade desta safra se posicionou acima da média dos últimos 10 anos (101,1 sc./ha). As regiões de Itapeva, São João da Boa Vista e Itapetininga, juntas, somam quase 40% da produção paulista.

3.12.2 - Milho 2ª safra

Apesar do aumento de área em produção de 2,1%, alcançando uma extensão produtiva de 484,1 mil hectares, as estimativas de safra do milho safrinha indicam queda expressiva na produção comparativamente ao ciclo anterior (-14,2%), com produtividade menor em 15,9%. Estes resultados indicam, por um lado, aumento de área motivada pela redução da safra de verão (milho 1ª safra) devido à concorrência com a soja e, por outro, a queda produtiva está relacionada a precipitações abaixo da média desde o final do verão.

 

3.13 - Seringueira

A estimativa final da safra 2019/20 da borracha paulista apresentou uma produção de 247,7 mil toneladas de coágulo, 1,7% maior do que a produção da safra 2018/19, mas exibiu perdas de 3,1% na produtividade. A área total com os seringais permaneceu praticamente inalterada com 135,5 mil hectares. A área produtiva, porém, expandiu-se, passando de 98,7 mil hectares para 103,6 mil hectares, em virtude da passagem dos pés novos para pés produtivos.

A heveicultura concentra sua maior produção nas regiões norte e noroeste, tendo nove EDRs nas primeiras posições do estado. Destaque para o EDR de São José do Rio Preto, a principal região produtora e que representa 28,0% da produção paulista, seguido por General Salgado (12,5%), Votuporanga (12,4%) e Barretos (11,4%).

 

3.14 – Soja

O produto soja encerra o ciclo desta safra indicando aumento de área (2,7%), al-

cançando 1.101,3 mil hectares. A tendência de expansão territorial é consistente, e foi iniciado na safra 2008/09. A produção cresceu 18,3%, recorde ao alcançar 3,8 milhões de toneladas em 2019/20, e a produtividade foi superior à anterior em 15,2%, com 58,1 sc./ha. Ressalta-se que este rendimento por hectare é o maior dos últimos 20 anos. A rentabilidade da cultura sustentada pelo mercado favorável, tanto no âmbito doméstico quanto no internacional, tem se constituído estímulo a expansão da sojicultura em território paulista.

As regiões de Itapeva Assis, Ourinhos e Avaré produzem juntas, aproximadamente, 52% do volume estadual.

 

3.15 – Tomate

Para o tomate envarado ou de mesa (consumo in natura), o levantamento de junho/2020 encerrou a safra 2019/20 no Estado de São Paulo, e a estimativa final apontou uma produção total de 771,5 mil toneladas, 14,1% maior em relação à safra passada, reflexo da expansão de 16,0% na área cultivada (passando de 8,7 mil hectares para 10,1 mil hectares). Entretanto, a produtividade de 76,7 t/ha é menor em 1,7% na comparação com a safra 2018/19. 

Contribuiu para esse resultado maior, tanto de área quanto de produção, a nova metodologia de levantamento adotada nesta safra, em que os resultados finais do tomate envarado são derivados da divisão em duas safras (águas e seca), sendo a primeira safra para o período das águas com o ciclo de levantamentos nos meses de setembro, novembro e fevereiro (final), e a segunda safra referente ao período da seca, levantamentos nos meses de fevereiro, abril e em junho (final).

Nesse novo formato, observou-se que a participação da produção do tomate no período das águas foi de 62% do total da produção paulista safra 2019/20, e sua produtividade (77,9 mil/t) é 3,3 mil/t maior que a safra do período da seca.

No caso do tomate rasteiro, destinado à indústria, o segundo levantamento da safra 2019/20, realizado em junho/2020, aponta expansão de 18,5% na área e uma produção prevista em 254,8 mil toneladas, 22,6% maior na comparação com a safra 2018/19, e expectativa de ganhos de 3,5% na produtividade (86,2 t/ha), até a colheita final a ser encerrada em novembro. Esse aumento de área plantada foi observado no EDR de Orlândia, que representa 33,9% da área da cultura no Estado de São Paulo, seguido pelas regionais de Barretos (13,4%) e Jaboticabal (8,2%), enquanto os EDRs de Araçatuba e General Salgado, regionais tradicionais na produção de tomate industrial, vêm diminuindo suas participações nos últimos anos.

 

3.16 – Trigo

Comparativamente à safra passada, 2018/19, o resultado deste levantamento, junho de 2020, demonstra crescimento de 1,1% em área e 3,9% na produção. Portanto, os produtores paulistas de trigo devem manter sua participação na distribuição de área e produção na agropecuária do estado.

Os números apurados no quarto levantamento da Previsão e Estimativa de Safra Agrícola de 2019/20 de trigo indicam decréscimo de 5,6% na área cultivada (87,1 mil hectares) em relação ao levantamento de abril último 2019/20, e crescimento na produção prevista de 9,1%, 273,5 mil toneladas. O ajuste para menos em área é compensado pelo crescimento na produção (+9,1%) e na produtividade esperada de 2,7%. Esses resultados podem estar associados às expectativas mais otimistas do segmento produtor paulista12 quanto ao clima, mais seco, ou seja, menos favorável ao aparecimento de pragas, indicativo, portanto, de melhor qualidade do trigo produzido. Também outro ponto é que a safra Argentina pode ser menor13 neste ciclo e, assim a disponibilidade de trigo naquele país para exportação pode também ser menor. E por fim, conforme informações de mercado, a demanda do setor de massas frescas14 está aquecida, apesar do momento de incertezas com a pandemia da covid-19. Por todos estes fatores há uma expectativa de que no mercado interno as cotações do produto devam se manter mais aquecidas até a finalização da safra em setembro. No próximo levantamento, setembro de 2020, com o fechamento da safra de trigo no Estado de São Paulo, a totalização da produção paulista da cultura deve evidenciar o comportamento dos produtores paulistas frente a esses pontos.

 

3.17 - Triticale

Em São Paulo, para o resultado deste levantamento, junho de 2020, comparativamente à safra passada, 2018/19, para a cultura do triticale, são esperados decréscimos de 3,6% em área e 12,3% na produção. A cultura é desenvolvida principalmente nas seguintes regionais: Itapeva, Avaré e Bragança Paulista.

 

4 – RESULTADOS COMPLEMENTARES

São apresentados os resultados por EDR na tabela 4 e por Região Administrativa (RA) e Região Metropolitana (RM) na tabela 5 (tabelas disponíveis para download). Os resultados de outros produtos agrícolas do levantamento de junho/2020 do Estado de São Paulo estão disponibilizados na tabela 6. O próximo levantamento das safras agrícolas do Estado de São Paulo, a ser realizado em setembro/2020, trará os resultados finais dos produtos agrícolas de inverno e das culturas perenes (banana e café) da safra 2019/20, e as primeiras informações de intenção de plantio das culturas anuais safra de verão 2020/21.

¹Os autores agradecem: o desempenho no levantamento dos técnicos do DEXTRU e das Casas de Agricultura, dos diretores dos EDRs e da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS); os comentários de Celso Luis Rodrigues Vegro, José Roberto da Silva, Katia Nachiluk e Marisa Zeferino Barbosa, pesquisadores do IEA; e a colaboração de Talita Tavares Ferreira, Técnica de Apoio do CCTC/NETC.

 

2Entende-se por método subjetivo a coleta e a sistematização de dados fornecidos pelos técnicos das Casas de Agricultura, em função de seu conhecimento regional e/ou da coleta de dados de forma declaratória, fornecida pelo responsável pela unidade de produção, em cada um dos 645 municípios do Estado de São Paulo.

 

3COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Safra brasileira de grãos. Brasília: CONAB, v. 7, jul. 2020. Safra 2019/20, Décimo levantamento. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos. Acesso em: 28 jul. 2020.

 

4SAMPAIO, R. M. Amendoim: retração da oferta e queda nas exportações em 2019. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 15 n. 2, p. 1-4, fev. 2020. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/
ftpiea/AIA/AIA-06-2020.pdf
. Acesso em: 18 mar. 2020.

 

5SILVA, J. R. et al. Valor da produção agropecuária do Estado de São Paulo: resultado final 2019. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 15, n. 4, abr. 2020, p. 1-6. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/AIA/AIA-23-2020.pdf. Acesso em: 28 maio 2020.

 

6INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/home/lspa/brasil. Acesso em: 28 jul. 2020.

 

7COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da safra brasileira de Cana de Açúcar. Brasília: CONAB, v. 6, n. 4, abr. 2020. SAFRA 2019/20. Quarto levantamento. Disponível em: https://www.conab.gov.br/component/k2/item/download/31590_6cfbbc41aa04783c69113c50fa499cba. Acesso em: 28 jul. 2020.

 

8Op. cit. nota 7.

 

9FUNDO DE DEFESA DA CITRICULTURA. Levantamento da incidência das doenças dos citros: greening, CVC e cancro cítrico. Araraquara: FUNDECITRUS, 2020. 67 p. Disponível em: https://www.fundecitrus.com.br/
pdf/levantamentos/levantamento-doencas-2020.pdf
. Acesso em: 29 jul. 2020.

 

10Op. cit. nota 9.

 

11Op. cit. nota 9.

 

12COM clima otimista, cadeia do trigo de São Paulo volta a se reunir na Câmara Setorial. Notícias Agrícolas, 29 jul. 2020. Disponível em: https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/trigo/264881-com-clima-otimista-cadeia-do-trigo-de-sao-paulo-volta-a-se-reunir-na-camara-setorial.html#.Xywl8ChKg2w. Acesso em: 13 ago. 2020.

 

13SINDICATO DA INDÚSTRIA DO TRIGO NO ESTADO DE SÃO PAULO. Argentina sofrerá com falta de trigo nesta safra. São Paulo: SINDUSTRIGO. Disponível em: http://www.sindustrigo.com.br/noticias-setorial-mercado/argentina-sofrera-com-falta-de-trigo-nesta-safra/11279/. Acesso em: 13 ago. 2020.

 

14TRIGO: com semeio chegando ao fim, clima favorável mantém agentes otimistas. Notícias Agrícolas, 14 jul. 2020. Disponível em: https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/trigo/263761-trigo-com-semeio-chegando-ao-fim-clima-favoravel-mantem-agentes-otimistas.html#.XywqfyhKg2w. Acesso em: 13 ago. 2020.

  

Palavras-chave: previsão de safras, produção, produtividade, estimativa, área agrícola, Estado de São Paulo.



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COMO CITAR ESTE ARTIGO

 

CAMARGO, F. P. et al. Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2019/20, Junho de 2020. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 15, n. 9, set. 2020. Disponível em: colocar o link do artigo. Acesso em: dd mmm. aaaa.

Data de Publicação: 01/09/2020

Autor(es): Felipe Pires de Camargo (fpcamargo@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Carlos Eduardo Fredo (cfredo@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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Celma Da Silva Lago Baptistella (csbaptistella@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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