Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Intenção de Plantio do Ano Agrícola 2021/22 e Levantamento Final Ano Agrícola 2020/21, Setembro de 2021


1 – INTRODUÇÃO

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CATI), realizou entre 1 e 30 de setembro de 2021 o primeiro levantamento do novo ano-safra, 2021-2022, que aponta a provável área a ser plantada, em hectares, pelos agricultores do Estado de São Paulo para culturas que iniciam seu plantio neste período. Há também a finalização dos números de área e produção de outras culturas, safra agrícola 2020/21, as culturas de inverno, café e banana e os números que antecedem a estimativa final para as culturas de cana-de-açúcar e laranja.

Os dados foram obtidos pelo método subjetivo2, que consolida e sistematiza as informações fornecidas pelos técnicos das Casas de Agricultura nos 645 municípios paulistas.

 

2 - INTENÇÃO DE PLANTIO SAFRA AGRÍCOLA 2021/22

Para os seis principais grãos (plantio das águas) da safra agrícola 2021/2022 da agricultura paulista, o levantamento de setembro de 2021, quando comparado ao ano agrícola 2020/2021, indica acréscimo de 3,2% na provável área a ser cultivada, totalizando 1.786.954 mil hectares (Tabela 1). Desse total a ser plantado, a cultura do amendoim tem previsão de 171,1 mil hectares, 1,0% a menos que a safra agrícola anterior; a cultura do arroz pode atingir 8,2 mil hectares, 16,3% inferior à área plantada na safra agrícola 2020/21; a área com feijão das águas indica decréscimo nesta safra de 3,2%, podendo chegar a 51,5 mil hectares; a provável área cultivada com milho pode atingir a marca de 354,7 mil hectares, aumento de 6,4% em relação à safra passada e a cultura da soja que poderá ocupar 1.193,8 mil hectares, registra um acréscimo de 3,4% sobre a safra anterior. É esperado decréscimo na área plantada de batata das águas (2,7%), totalizando 7,6 mil hectares.

Os resultados do próximo levantamento (novembro de 2021) serão fundamentais para a confirmação ou revisão das estimativas de intenção de plantio das águas desta safra agrícola, visto que o setor agrícola atravessa um período de grandes expectativas por conta das condições climáticas adversas (seca) e grandes questões no cenário político e econômico que pesam nas decisões neste início de safra.

 

Tabela 1 - Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2021/2022, Intenção de Plantio, Setembro de 2021

Produto

Área (ha)

Final
2020/21

1° levantamento
(intenção)
2021/22

Var. %

Amendoim1

172.809

171.146

-1,0

Arroz2

9.809

8.209

-16,3

Batata das águas

7.819

7.604

-2,7

Feijão das águas

53.183

51.479

-3,2

Milho 1º safra2

333.453

354.729

6,4

Soja2

1.154.281

1.193.788

3,4

1Inclui a amendoim das águas.

2Inclui a cultura irrigada.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável.

 

2.1 – Amendoim

O levantamento realizado em setembro informa os números da primeira previsão de área (intenção) para a cultura do amendoim. Para a safra agrícola 2021/22, é aguardada área plantada praticamente estável em relação à área da safra anterior, com ligeira redução de área de 0,96%, totalizando 171.146 hectares. Os resultados do levantamento de novembro devem trazer dados mais consistentes, pois ainda há indefinição para o plantio da oleaginosa, que no estado vem ocorrendo nos meses de outubro e novembro, e não mais entre agosto e setembro. Neste ano, como a estiagem se prolongou, há regiões com mais de 120 dias sem chuva, e os agricultores aguardam o final de outubro que, segundo os meteorologistas, apresenta aumento de volumes pluviométricos. O Estado de São Paulo é o maior produtor nacional e responde por cerca de 90% da safra brasileira.

 

2.2 – Arroz

Em São Paulo, a intenção de plantio para a cultura do arroz na safra 2021/22 está prevista em 8.209 hectares, abaixo da safra passada em 16,3%. A área plantada vem caindo nos últimos dez anos, acompanhando o comportamento brasileiro. Muitos produtores têm optado por outras atividades mais rentáveis como soja, milho e bovinocultura. Aparentemente, nem os preços em evolução verificados ao longo dos últimos anos foram suficientes para que os agricultores paulistas se animassem a expandir suas áreas de arroz no estado.

 

2.3 - Batata das Águas

O levantamento de setembro relativo ao cultivo de batata das águas refere-se à intenção de plantio. As informações obtidas nesse levantamento apontam queda da área cultivada em 2,7%, em relação à safra anterior totalizando 7,6 mil hectares. Apesar dos bons preços praticados, tudo indica que a incerteza em relação ao clima aliada ao alto custo de produção do tubérculo tem desestimulado a produção. Os principais EDRs produtores são: Avaré, Itapeva e Itapetininga.

 

2.4 - Feijão das Águas

A intenção de plantio da cultura do feijão das águas da safra paulista de 2021/22, foi estimada em 51,5 mil hectares, recuo de 3,2% em relação à safra 2020/21. Mesmo sendo um resultado preliminar (1º levantamento), vem confirmar a retração do cultivo no estado de São Paulo nos últimos anos, principalmente nas principais regiões produtoras formados pelos EDRs de Itapeva, Avaré e Itapetininga, concorrendo com as culturas da soja e do milho que se apresentam mais rentáveis na atual conjuntura de mercado.

 

2.5 - Milho (1ª Safra)

A intenção de plantio para a cultura do milho 1ª safra na safra 2021/22 mostra uma expansão de 6,4% na área cultivada; com isso, espera-se que área seja de 354,7 mil hectares. A quebra de safra do milho safrinha e os preços no mercado podem estar incentivando o produtor a aumentar a área em comparação ao último ciclo.

 

2.6 - Soja

No ano safra 2021/22 espera-se que o aumento de área da soja no estado de São Paulo continue. Estima-se no levantamento de intenção de plantio um aumento de 3,4%, com isso, a área deve atingir 1,2 milhões de hectares. A rentabilidade ainda é um dos principais motivos deste incremento.


 

3 – PREVISÕES DA SAFRA AGRÍCOLA PARA CANA-DE-AÇÚCAR, CEBOLAS E LARANJA, SAFRA 2021/2022

O levantamento de setembro de 2021 traz estimativas preliminares que antecedem o final da safra paulista de 2020/21 para as culturas da cana-de-açúcar, cebola de muda e plantio direto e da laranja (Tabela 2).

 

Tabela 2 – Previsões das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Comparativo de Área, Produção e Produtividade, Ano Agrícola 2020/2021, Setembro de 2021

Produtos

Área

(1.000 ha)

Var. %

(Área total)1

Final 2019/20

 

Set./2021 - 2020/21

Total

Nova

Em
Produção

Total

Nova

Em

Produção

Culturas anuais2

Batata de inverno

13,1

-

13,1

 

12,2

-

12,2

-6,8

Cebola em plantio direto

3,0

 -

3,0

2,2

 -

2,2

-25,7

Cultura perenes

 

 

 

 

 

 

 

 

Cana para indústria3

6.125,2

539,7

5.585,5

6.124,7

577,2

5.547,5

0,0

Laranja3

436,1

31,0

405,1

 

428,7

32,3

396,4

-1,7

Produtos

Produção

(1.000t)

 

Produtividade

(kg/ha)

Final 2019/20

Set./2021

2020/21

Var. %1

 

Final 2019/20

Set./2021

2020/21

Var. %1

 

Culturas anuais2

Batata de inverno

420,0

417,7

-0,5

 

32.135

34.304

6,8

Cebola em plantio direto

162,9

113,5

-30,3

53.907

50.511

-6,3

Cultura perenes

 

 

 

 

 

 

 

Cana para indústria3

437.546,4

408.229,8

-6,7

78.336

73.588

-6,1

Laranja3

12.963,2

12.074,1

-6,9

 

31.995

30.460

-4,8

1Diferenças nos cálculos de variação percentual podem ocorrer devido à apresentação da tabela utilizar uma única casa decimal e os cálculos originais usarem o máximo de precisão possível.

2As culturas anuais têm somente área produção.

3Produtividade calculada a partir da área em produção.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável.

 

3.1 - Cana-de-açúcar

Os dados apresentados no 4º levantamento da safra de cana-de-açúcar, realizado em setembro de 2021, apontam para uma produção 6,70% menor que a produção apresentada no levantamento realizado em novembro de 2020.  Houve um incremento de 6,97% em área nova, ou seja, ainda sem produção, verifica-se que o EDR de Fernandópolis apresentou aumento de 11.900 ha em relação ao levantamento de junho 2021. Em relação à área em produção observa-se certa estabilidade (0,68% menor). A produtividade apresentada no período foi de 73,6 t/ha, 6,1% inferior à produtividade do levantamento de novembro de 2020.  As baixas temperaturas e menor volume pluviométrico ocorrido nos últimos meses são fatores que incidem na produtividade e indicam que a produção nesta safra deverá ser inferior a passada. A moagem já foi encerrada em grande parte das unidades industriais do Estado de São Paulo (Tabela 2).

Os EDRs com maior produção neste levantamento, em milhões de toneladas, foram: Barretos (33,1), Orlândia (28,5), Andradina (22,8), Araraquara (22,4) e Ribeirão Preto (21,7).

 

3.2 - Cebola em Plantio Direto

O levantamento realizado em setembro, preliminar ao levantamento final relativo à cebola produzida em plantio direto, indica forte redução na área cultivada de 25,7%, passou de 3,0 mil hectares para 2,2 mil hectares. A produtividade também apresentou variação negativa, em 6,3%, chegando à 50.511 kg/ha, totalizando uma produção 30,3% menor, chegando às 113,5 mil toneladas. A produção foi desestimulada tanto pela elevação da oferta do bulbo, que diminuiu o preço praticado, quanto pelos elevados custos de produção, esses os fatores prejudicaram significativamente a lucratividade dos cebolicultores, refletindo na redução da área plantada.  São João da Boa Vista e Jaboticabal são os principais EDRs produtores (Tabela 2).

 

3.3 – Laranja

A quarta estimativa preliminar da safra agrícola 2020/21 realizada em setembro de 2021 para a cultura da laranja, nos 645 municípios do Estado de São Paulo, é de 295,9 milhões de caixas de 40,8 kg (12.074 mil toneladas), resultado 1,2% inferior ao apresentado no levantamento de junho de 2021. O levantamento de setembro indica ainda 153,0 milhões de pés em produção, resultado também inferior (-2,5%) em relação ao levantamento de junho.

Na comparação do levantamento atual com o resultado final da safra anterior de 2019/20, a indicação é de redução tanto de produção como de número de pés em produção, respectivamente de 2,2% e 6,9% (Tabela 2).


 

4 - ESTIMATIVAS FINAIS DA SAFRA 2020/21

Na pesquisa efetuada em setembro foram também obtidos números finais da safra agrícola 2020/21 para as culturas de inverno (batata e feijão), banana, café, milho da segunda safra, trigo e triticale, disponíveis na tabela 3 para o total do Estado.

 

Tabela 3 - Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Comparativo de Área, Produção, Produtividade, Ano Agrícola 2020/21, Levantamento Final, Setembro de 2021

Produto

Área

(1.000 ha)

Var. %

(Área Total)1

 

Final 2019/20

 

Final 2020/21

 

Total

Nova

Produção

 

Total

Nova

Produção

 

Banana2

56,6

3,3

53,3

56,3

2,9

53,4

-0,6

 

Café2

209,4

11,1

198,3

 

205,7

9,8

195,9

-1,8

 

Produto

Produção

(1.000t)

 

Produtividade

(kg/ha)

 

Final 2019/20

Set./2021

2020/21

Var. %1

 

Final 2019/20

Set./2021

2020/21

Var. %1

 

 

 

Banana2

1.091,2

1.059,3

-2,9

20.456

19.833

-3,0

 

Café2

381,7

243,0

-36,4

 

1.925

1.240

-35,6

 

Produto

Área (1.000 ha)

 

Produção (1.000 t)

 

Produtividade (kg/ha)

Final 2019/20

Final 2020/21

Var. %1

 

Final 2019/20

Final 2020/21

Var. %1

 

Final 2019/20

Final 2020/21

Var. %1

Feijão de inverno (total)

24,9

23,7

-4,7

65,2

60,6

-7,0

2.623

2.559

-2,4

Feijão de inverno irrig.

22,3

21,3

-4,6

 

60,8

57,0

-6,4

 

2.727

2.677

-1,8

Feijão de inverno s/ irrig.

2,6

2,4

-5,0

4,4

3,7

-16,0

1.715

1.518

-11,5

Milho safrinha

481,9

492,1

2,1

 

2.041,5

1.596,4

-21,8

 

4.236

3.244

-23,4

Trigo

100,5

98,9

-1,5

310,9

290,7

-6,5

3.094

2.938

-5,1

Triticale

2,1

5,8

171,3

 

6,2

15,6

150,7

 

2.929

2.707

-7,6

1Diferenças nos cálculos de variação percentual podem ocorrer devido à apresentação da tabela utilizar uma única casa decimal e os cálculos originais usarem o máximo de precisão possível.

2Produtividade calculada a partir da área em produção.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável.

 

4.1 – Banana

A estimativa final da safra 2020/21 da bananicultura apontou decréscimo de produção (-2,9%) e de produtividade (-3,0%) em relação à safra passada, ou seja, o total produzido foi de 1.059,3 mil toneladas com produtividade de 19,8 t/ha. A redução se deu pelas intempéries climáticas (estiagem, geada e granizo) dos últimos meses. A área plantada teve perda de 0,6% em relação ao ano anterior. A produção paulista encontra-se muito concentrada no EDR de Registro (767,6 mil t) que representa 72,5% do total produzido no estado. Nessa regional, os principais municípios produtores foram Sete Barras, Cajati, Miracatu e Eldorado. Os EDRs de São Paulo e Jales produziram 91,2 mil toneladas (8,6% do total do estado). Observa-se aumento com novas áreas plantadas da cultura nos EDRs de Jales (916,0 ha), Fernandópolis (475,0 ha) e Votuporanga (283,0 ha) sinalizando, para o futuro, aumento do volume produzido.

 

4.2 - Batata de Inverno

O levantamento de setembro para a batata de inverno, safra agrícola 2020/21, apontou redução tanto na área plantada quanto na produção em relação à safra anterior, a área foi reduzida em 6,8% e a produção em 0,5%, a área passou de 13,1 mil hectares para 12,2 mil hectares, a produção passou de 420 mil toneladas para 417,7 mil toneladas; já a produtividade cresceu 6,8%, chegando aos 34.304 kg/ha. O acréscimo na produtividade estadual reflete o aumento observado no EDR de São João da Boa Vista, principal produtor do estado, que não sofreu com as geadas e concentra mais de 60% da produção estadual; o rendimento nessa região está 13,6% maior em relação à safra anterior.

 

4.3 – Café

Na quinta e última campanha de previsão de safra de café no Estado de São Paulo (setembro de 2021), refletindo a prolongada estiagem incidente sobre os principais cinturões cafeeiros do Estado, indicou-se diminuição relevante na produção (-6,1%) comparado ao levantamento anterior (junho de 2021), totalizando nessa nova estimativa colheita de 4,05 milhões de sacas de 60 kg de café beneficiado (redução de 265 mil sacas). A maior diminuição ocorreu no EDR de São João da Boa Vista com decréscimo próximo de 200 mil sacas, baixando de 1,12 milhão de sacas para 927 mil nesse novo levantamento. Nos demais EDRs (regionais) relevantes para a cafeicultura a redução foi apenas marginal.

Com essa redução do volume colhido intensificou-se a característica bienal da produção paulista, uma vez em que frente à temporada anterior, a diminuição estimada do volume é de 36,4%. Esse percentual também se expressa no rendimento médio das lavouras com queda de 35,6% comparativamente à safra 2019/20. Portanto, os números finais da safra paulista 2020/21 de café beneficiado, foram estimadas uma produção total de 243,0 mil toneladas (4,05 milhões de sc. 60kg) com produtividade de 1.240 kg/ha, resultados bem abaixo da safra anterior quando foram produzidas 381,7 mil toneladas (6,36 milhões de sc. 60kg) e produtividade de 1.925 kg/ha.

As expectativas se dirigem para a evolução da próxima safra. Na maior parte dos cinturões de arábica, com o retorno das precipitações, houve a primeira florada com a característica abundância de flores. A dúvida que se manifesta, entre os especialistas, consiste na capacidade de pegamento dessas flores, pois as plantas ainda exibem grande depauperamento decorrente da longa estiagem seguida por geadas.

 

4.4 - Feijão de Inverno

No levantamento final de feijão de inverno (irrigado e sem irrigação) da safra agrícola 2020/21, foram estimadas uma produção de 60,6 mil toneladas, 7,0% inferior a produção obtida na safra anterior, por conta da retração de 4,7% de área cultivada e da redução de 2,4% na produtividade (2.559 kg/ha). Vale destacar que cerca de 90% dessa produção foi cultivada em área com irrigação. Quanto às principais regiões produtoras no estado de São Paulo, tem-se o EDR de Avaré que concentra 33% da produção, seguidos pelas regionais de Barretos (17%) e São João da Boa Vista (12%).

Consolidando os resultados finais das três safras de feijão (águas, seca e de inverno) da safra 2020/21 no Estado de São Paulo, quando comparados com a safra 2019/20, registraram-se reduções de 13,1% na área (89,2 mil ha cultivados), de 3,8% na produção (233,30 mil t de quantidade colhida) e aumento de 10,7% na produtividade média com 2.615 kg/ha ou 43,6 sc. 60 kg (Tabela 4).

 

Tabela 4 – Área, Produção, Produtividade e Variação do Feijão, Cultivos das Águas, Seca e Inverno, Estado de São Paulo, Safras Agrícolas 2019/20 e 2020/21

Produto

2019/20

 

2020/21

 

Variação

Área

(1.000 ha)

Produção

(1.000 t)

Produtividade

(kg/ha)

 

Área

(1.000 ha)

Produção

(1.000 t)

Produtividade

(kg/ha)

 

Área

(%)

Produção

(%)

Produtividade (%)

Águas

61,6

142

2.307

53,2

149

2.802

-13,6

4,9

21,5

Seca

16,1

35,2

2.186

 

12,3

23,7

1.934

 

-23,8

-32,6

-11,5

Inverno

24,9

65,2

2.623

23,7

60,6

2.559

-4,7

-7,0

-2,4

Total

102,6

242,4

2.363

 

89,2

233,3

2.615

 

-13,1

-3,8

10,7

Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável.

 

4.5 - Milho Safrinha

         A produtividade do milho safrinha em São Paulo no ano de 2021 foi a menor dos últimos dez anos (54,1 sc./ha). Este resultado foi causado pelas condições adversas observadas durante o ciclo; a figura 1 mostra a influência de dois eventos climáticos no estado de São Paulo em 2021, a seca e a geada. Segundo o levantamento do site “Monitor de Secas”, áreas de grande importância para o plantio da cultura, como Assis, Ourinhos e Itapeva foram classificas como “seca grave” e o trabalho elaborado por diversas instituições3 mostra o impacto da geada ocorrida no mês de junho de 2021. Assim, houve redução de 21,8% na produção, com 26.606.302 sc. 60kg e queda de 23,4% na produtividade em comparação com a safra anterior. A área de plantio aumentou em 2,1%, chegando a 492.117.4 ha. Mesmo com o efeito das condições climáticas, os EDRs de Assis, Ourinhos e Itapeva continuam a ser os mais relevantes na produção do milho safrinha no estado.

 

4.6 - Trigo e Triticale

O quarto levantamento realizado em setembro de 2021, para a triticultura paulista marca o fechamento da safra agrícola 2020/21 com a área cultivada de 98,9 mil hectares, que representa um decréscimo de 1,5 % ante a área da safra anterior. A produção de 290,7 mil t foi 6,5% inferior em relação aos números de 2019/20 com menor qualidade e uma produtividade inferior em 5%, frente às condições climáticas adversas em algumas regiões importantes na produção do cereal no Estado de São Paulo4.

Neste levantamento houve uma readequação nas expectativas de área e produção para menos, frente ao levantamento de junho de 2021. As condições climáticas, em algumas regiões produtoras, não foram as melhores para o desenvolvimento da cultura. A falta de chuvas e o período de estiagem prolongado ajustaram para menos a previsão de junho e fecharam o ciclo com resultados inferiores à 2019/20.

A cultura do triticale finaliza a safra 2020/21 com área de 5,7 mil ha, 171,3% superior à safra passada. O volume estadual produzido do grão totaliza 15,6 mil toneladas, 150,7% acima da quantidade da safra anterior; contudo houve redução de 7,6% na produtividade da terra. A provável razão para esse crescimento em área desta cultura nesta safra pode estar ligada ao fato de que o mercado do milho está aquecido e a cultura do triticale pode se beneficiar desse momento.

As informações também estão disponibilizadas por EDR (Tabelas 5, 6 e 7) e por RA e RM (8, 9 e 10).


 

1Os autores agradecem aos técnicos do DEXTRU, das Casas de Agricultura e diretores dos EDRs, da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CATI), pelo desempenho no levantamento. Agradecem também as contribuições dos pesquisadores científicos: Celso Luis Rodrigues Vegro (café), José Roberto da Silva (trigo), Katia Nachiluk (cana) e apoio técnico de Talita Tavares Ferreira e da equipe do Núcleo de Informática para os Agronegócios do IEA. As tabelas relativas ao feijão de inverno sofreram correção. O levantamento final relativo à batata de inverno ocorre em novembro, não em setembro como foi indicado anteriormente.

 

2Entende-se por método subjetivo a coleta e sistematização de dados fornecidos pelos técnicos da Casa de Agricultura, em função de seu conhecimento regional e/ou da coleta de dados de forma declaratória, fornecida pelo responsável pela unidade de produção.

 

3GEADA no estado de São Paulo: junho/ julho/ agosto - 2021. Campinas: FUNDAG: CATI/CDRS: APTA: IAC: FEHIDRO, 2021. Disponível em: https://www.cdrs.sp.gov.br/portal/themes/unify/arquivos/produtos-e-servicos/acervo-tecnico/Geada%20no%20Estado%20de%20S%C3%A3o%20Paulo%20-%20junho-julho-agosto%202021.pdf. Acesso em: dez. 2021.

 

4COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da safra brasileira de grãos, Brasília, v. 9, n. 1, p. 1-86, out. 2021. Safra 2021/22, n.1 - Primeiro levantamento.

Palavras-chave: Previsão de Safras, Área e produção, Estado de São Paulo, Estatísticas Agrícolas, Intenção de Plantio, Safra Agrícola 2020/21, Safra Agrícola 2019/20.


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Data de Publicação: 27/12/2021

Autor(es): Felipe Pires de Camargo (fpcamargo@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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